Aplicativos, carreira, concursos, downloads, enfermagem, farmácia hospitalar, farmácia pública, história, humor, legislação, logística, medicina, novos medicamentos, novas tecnologias na área da saúde e muito mais!


terça-feira, 27 de setembro de 2016

Pacientes com gota ganham novo tratamento

O novo medicamento Zurampic® (lesinurade) aprovado pela Anvisa trata pacientes acima de 18 anos com altas taxas de ácido úrico no sangue

O tratamento da gota tem uma nova alternativa a partir de agora. A Anvisa aprovou um novo medicamento, o Zurampic® (lesinurade), que é indicado para o tratamento da hiperuricemia associada à gota em combinação com um inibidor da xantina oxidase em pacientes acima de 18 anos.

A gota é uma condição metabólica que, na maioria dos pacientes, é resultado da excreção inadequada do ácido úrico, levando à hiperuricemia e deposição de cristais de urato nos tecidos do corpo.

O medicamento será fabricado pela empresa Hovione Limited localizada na Irlanda e a titular do registro do medicamento no Brasil será a empresa Astrazeneca do Brasil Ltda.

Ação do medicamento
A terapia combinada com lesinurade e um inibidor da xantina oxidase e age tanto na excreção quanto na produção do ácido úrico, proporcionando uma abordagem de duplo mecanismo que efetivamente reduz o ácido úrico sérico e permite que um número significativamente maior de pacientes atinjam e mantenham as metas do tratamento para o controle da doença.

ANVISA

Aprovado novo tratamento para convulsões em crianças

Anvisa aprovou registro do Inovelon® (rufinamida) usado para tratar crianças acima de 4 anos e adultos com convulsões provocadas pela síndrome de Lenoxx-Gastaut

O novo medicamento é indicado para o tratamento auxiliar das convulsões associadas com a síndrome de Lennox-Gastaut em crianças acima de 4 anos de idade e com mais de 18kg e em adultos. 

A síndrome de Lennox-Gastaut (LGS) é uma das formas mais raras e graves de epilepsia na infância. A doença afeta crianças com idade entre 1 e 8 anos, e continua a se manifestar na idade adulta.

O Inovelon® (rufinamida) será fabricado pela empresa Bushu Pharmaceuticals Limited localizada no Japão e a titular do registro do medicamento no Brasil será a empresa Esai Laboratórios Ltda., localizada em São Paulo (SP).

Prioridade para inéditos
A Anvisa tem dado prioridade para análise de medicamentos novos no país para aumentar as opções de tratamento disponíveis. Com isso, medicamentos inéditos ou genéricos inéditos podem entrar no mercado em menor tempo. Recentemente, por exemplo, a Agência aprovou um novo produto biológico para o tratamento da hemofilia.

ANVISA

Conjuntivite pode ser causada por vírus, alergia e até fumaça de cigarro

Especialistas alertam que consulta com oftalmologista é essencial para que a automedicação não cause problemas secundários como glaucoma e catarata


Olhos vermelhos, doloridos e coçando muito? Você pode estar com conjuntivite. O problema ocorre quando há uma inflamação da conjuntiva, membrana transparente que recobre a superfície ocular para proteger o olho.

As causas são diversas: infecção por vírus ou bactéria, fungos, alergia ou até exposição química, como à fumaça do cigarro ou poluição. A conjuntivite também pode vir com inchaço da pálpebra, secreção abundante e até formação de crostas, gerando dificuldade para abrir os olhos ao acordar.

De acordo com a oftalmologista Erika Yasaki, do Hospital Israelita Albert Einstein, a do tipo viral é a mais comum. “A transmissão se dá pelo contato direto através das mãos e objetos contaminados”, explica a especialista. O período de maior risco de contaminação é quando o paciente está nos primeiros dias de infecção, já que há uma maior quantidade de partículas virais do olho sendo eliminadas.

O professor Paulo Schor, chefe do Departamento de Oftalmologia e Ciências Visuais da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, alerta que, mesmo após a vermelhidão passar, o vírus ainda pode contaminar outras pessoas. Em média, ele fica ativo por sete dias, explica o especialista.

Evolução da doença e tratamento
Dra. Erika Yasaki diz que a conjuntivite geralmente ataca um dos olhos e, poucos dias depois, o outro também começa a ser afetado. O tratamento para aliviar os sintomas pode começar em casa, com compressas frias de água, soro fisiológico e chá de camomila.

“Tratamentos caseiros – como leite materno no olho ou limão – são mitos e muito discutíveis, porque podem mascarar algumas condições e até causar uma segunda complicação”, alertou Dr. Paulo Schor.

O chá de camomila, entretanto, pode ajudar porque a erva é um bom hidratante para a pele, e o chá vai ser feito com água fervida, passando por uma esterilização. Depois, é só deixar na geladeira. Quando esfriar, é possível limpar a secreção que fica nos olhos ou fazer compressa com uma gaze ou algodão estéreos. Uma toalha, neste caso, não é recomendada para evitar contaminação.

Quem usa lentes de contato deve evitá-las. Normalmente a doença passa sozinha, mas, se depois de 24 horas os sintomas não cessarem, é bom procurar um médico. Só um especialista poderá fazer uma avaliação e indicar o melhor remédio para cada caso – anti-inflamatório, antibiótico, antivirais ou antialérgicos. A consulta com um oftalmologista é essencial porque o uso indiscriminado de antibiótico ou de cortisona pode causar problemas como glaucoma ou catarata.

Os quadros mais graves da doença costumam ocorrer com recém-nascidos, sendo necessário um tratamento intensivo, ou em quadros que avancem por mais de duas ou três semanas, em que só uma avaliação mais cuidadosa poderá descobrir o que está causando o problema.

Como Evitar
A conjuntivite é transmitida, muitas vezes, porque o doente acaba colocando a mão nos olhos e, depois, em outros objetos ou pessoas sem antes lavá-la. O melhor é nunca esquecer de limpar bem as mãos e não realizar o contato direto com os olhos. Evitar ambientes fechados e aglomerações é outra dica dos especialistas, além de não usar a fronha e toalha de outra pessoa.

Foto: Reprodução

iG

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Cirurgia íntima: entenda procedimento feito por mulheres e homens

Estudo revelou que 59% dos brasileiros entre 40 e 69 anos já passaram pela experiência de ter problemas de ereção (Foto: Vera Atchou/AltoPress/PhotoAlto/AFP)Brasil é recordista em cirurgias íntimas femininas: foram 12.870 em 2015. Preocupação com aspecto de genitália não deve ser extrema, diz sexóloga

O Brasil é recordista mundial em cirurgias íntimas femininas. Só em 2015, a modalidade mais popular de intervenção na vagina – a labioplastia ou ninfoplastia – foi feita por 12.870 mulheres no país, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps, na sigla em inglês).

Mas homens também recorrem a uma variedade de procedimentos cirúrgicos no pênis. Em 2016, foram 440 cirurgias de alongamento do pênis no Brasil, segundo a mesma organização.

Na maioria dos casos, as intervenções têm finalidade puramente estética e são buscadas por indivíduos que querem se livrar de inseguranças sobre a aparência da genitália e melhorar a qualidade da vida sexual.

Essas cirurgias, porém, não são isentas de riscos e a decisão de se submeter a elas deve ser cuidadosa e levar em conta aspectos físicos e emocionais.

Segundo a psicóloga clínica e educadora sexual Laura Muller, é comum que homens e mulheres se preocupem com a aparência de seus genitais e esse tipo de insegurança pode ter um impacto grande na vida sexual.

Mas isso não deve ser levado ao extremo, de acordo com a especialista. “Eu costumo dizer para homens e mulheres que não é a dimensão do órgão ou seu aspecto que fazem a diferença no prazer sexual, mas sim o encaixe do casal, como esse casal se relaciona na cama, o quanto conseguem entender o que um e o outro gostariam de fazer.”

Veja algumas das cirurgias íntimas a que recorrem homens e mulheres com a esperança de melhorar a vida sexual:

CIRURGIAS FEMININAS

Labioplastia ou ninfoplastia
A redução dos pequenos lábios da vagina, mais comumente chamada de labioplastia ou ninfoplastia, é a cirurgia íntima mais procurada pelas mulheres, segundo o cirurgião plástico André Colaneri, especialista na técnica. De acordo com o médico, as mulheres procuram a cirurgia quando se incomodam pelo fato de os pequenos lábios se projetarem para fora dos grandes lábios. A cirurgia consiste em retirar esse “excesso”.

Colaneri diz que o principal objetivo da cirurgia é aumentar a autoestima da mulher que, por causa da insatisfação com a aparência da vagina, evita se trocar em vestiários coletivos, de usar roupas justas e fica constrangida durante relações sexuais.

Trata-se de uma cirurgia de pequeno porte, com anestesia local, na qual a paciente tem alta no mesmo dia e pode retornar ao trabalho dois dias depois. Exercícios físicos estão liberados depois de 21 dias e relações sexuais, depois de 30 dias.

O cirurgião alerta que a cirurgia, apesar de simples, pode trazer riscos importantes se feita por profissionais sem experiência. “Se tirar demais os pequenos lábios, não tem como refazer. É uma sequela para o resto da vida”, diz. 

Redução dos grandes lábios
Há também casos em que a mulher se incomoda com a aparência dos grandes lábios, quando considera que existe excesso de pele ou flacidez, segundo Colaneri. Neste caso, o cirurgião pode fazer um enxerto usando gordura da própria paciente na região, o que faz com que a pele, antes flácida, se estique. Há também a possibilidade de retirar, por meio de cirurgia, o excesso de pele.

Redução do monte de vênus
É chamado de monte de vênus a região acima do púbis, alguns centímetros abaixo do umbigo. Algumas mulheres se incomodam quando existe um acúmulo de gordura na área, tornando-a volumosa. Colaneri explica que algumas pacientes optam por fazer lipoaspiração na região, de modo a eliminar o abaulamento pelo acúmulo de gordura localizada. Essas mulheres relatam incômodo ao usar biquíni ou roupas justas que revelam o volume extra, segundo o cirurgião. 

Vaginoplastia
Diferentemente das anteriores, a vaginoplastia, ou estreitamento do canal vaginal, é uma cirurgia com caráter mais funcional do que estético. Pode ser feita por mulheres que tiveram alterações da vagina decorrentes de um parto problemático ou para corrigir problemas como a bexiga caída. Saiba mais sobre o procedimento no vídeo abaixo.

CIRURGIAS MASCULINAS

Correção de curvatura
No caso dos homens, a queixa mais comum que os leva ao consultório do urologista em busca de uma intervenção com fins estéticos é a curvatura do pênis, segundo o médico Paulo Henrique Egydio, referência nesse tipo de cirurgia.

Existem dois tipos: a curvatura peniana do jovem, quando o problema é congênito, e a curvatura adquirida, ou doença de Peyronie, provocada por pequenos traumas durante relações sexuais ou outros acidentes.

O problema pode não ser apenas estético, mas também prejudicar as relações sexuais, provocando desconforto na parceira.

A cirurgia é capaz de restaurar a simetria do pênis ao eliminar o “repuxamento” que provoca a curvatura durante a ereção. O paciente pode ter alta até no mesmo dia e voltar a ter relações sexuais em seis semanas, segundo Egydio. 

Recuperação de tamanho
Segundo Egydio, o pênis também pode diminuir de tamanho ao longo da vida. Pequenos traumas durante relações sexuais ou acidentes podem produzir cicatrizes internas que impedem que o pênis se estique completamente e prejudicam a ereção.

Nesse caso, uma cirurgia pode recuperar o tamanho do pênis até o limite do tamanho dos nervos do órgão. O procedimento pode ser associado a um implante de prótese de silicone para ajudar na recuperação do comprimento e diâmetro do pênis.

Expectativa x realidade
Egydio observa que é importante que os pacientes não criem falsas expectativas em relação ao procedimento. “Tem que alinhar muito bem o que se espera da cirurgia e o que se pode oferecer para não achar que vou fazer o tamanho que ele almeja. Se os nervos permitirem, o tamanho será maior, mas isso é um achado na hora da cirrugia, não existe exame que defina o tamanho que vai ficar antes da cirurgia.”

Segundo o urologista, insatisfação em relação à aparência do pênis impacta de forma muito intensa a vida dos homens. “Principalmente no jovem, isso impacta muito. Ele cada vez quer sair menos ou se expor diante da parceira, evita sempre namoros e vive uma exclusão social.” Ele conta que o homem tem dificuldade de falar sobre o assunto e demora em média de três a cinco anos para procurar um médico. “Tudo isso impacta no âmbito psicológico, social e afetivo e faz com que o homem fique desmotivado como um todo.”

G1

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Grávida: Tire suas dúvidas em relação ao preparo para o parto normal

gravidaduvidasA medida que entram no 9º mês de gestação, algumas mulheres começam a ter dúvidas sobre como se prepararem para o parto normal

Pensando em apoiar essas gestantes e dar a elas informações claras sobre o assunto, o Blog da Saúde conversou com a chefe da Casa de Parto de São Sebastião, no Distrito Federal, Vanessa Barbosa. Com o apoio da Coordenação Geral de Saúde das Mulheres, do Ministério da Saúde, foram elaboradas respostas sobre questionamentos comuns nesse período.

A Casa de Parto de São Sebastião (DF) oferece assistência a mulheres com baixo risco gestacional e que fizeram pré-natal na região. Atende, em média, 40 partos por mês, uma referência nacional das casas de partos no Brasil.

É certificada como Hospital Amigo da Criança por respeitar todos os passos para aleitamento materno exclusivo na primeira hora de vida e em todo o período de internação das mães e bebês. Na casa de parto não é indicado o uso de mamadeiras, chupetas ou fórmulas industriais, como orienta o Ministério da Saúde. Além disso, é a única Casa de Parto do país que funciona apenas com enfermeiros obstétricos.

Confira a seguir as perguntas e respostas sobre o preparo para o parto normal:

1.Quais são os sinais do trabalho de parto?
Resposta: Esse período pode ser iniciado com as contrações e aí a mulher vai observar se começou uma contração e dali, mais ou menos uma meia hora, ela vai ter outra. Perto da data do parto a mulher poderá sentir sua barriga endurecer, com contrações que não duram muito tempo. Antes de pensar em sair para o hospital, tome um banho, repouse e veja se essas contrações continuam fortes e regulares. Pode ser que ainda não seja o trabalho de parto, mas só um treino.

Dias antes do parto poderá sair por sua vagina um muco grosso amarelado, como uma clara de ovo, com rajas de sangue, esse é o tampão mucoso. É um sinal de que o parto está próximo e esse sangramento faz parte das etapas.Caso venha um sangramento vermelho vivo, em grande quantidade, a orientação é que ela siga imediatamente para o hospital.

Por ser um momento de muita ansiedade para a mulher, é importante que ela, em caso de dúvidas, busque o atendimento profissional para ser avaliada. Aproveite o pré-natal para se preparar para todas as etapas que virão e tire todas as dúvidas para se sentir tranquila e confiante para o parto.

2. Preciso me depilar para o parto?
Resposta: Não é obrigatório e nem necessário se depilar quando estiver em trabalho de parto. Os pelos são uma proteção natural para a vagina não havendo necessidade da retirada deles. Caso a mulher queira aparar os pelos, tudo bem, mas esse procedimento não interfere no momento do parto e se for da vontade dela fazer, que a depilação seja realizada com antecedência. Caso ela escolha a depilação com gilete, no dia do parto, pode abrir uma pequena lesão na pele que pode ser uma porta para uma infecção. Cuidado! Não é preciso fazer a raspagem dos pelos íntimos nem em casa, nem quando chegar à maternidade.

3. Preciso ficar em jejum para o parto normal?
Resposta: O trabalho de parto é desgastante e exige muita energia da mulher. Dê preferência a comidas leves e sucos naturais, que são de fácil digestão, lembrando que as porções, tanto das bebidas quanto dos alimentos, devem ser pequenas.Não precisa ficar de jejum e nem deve ficar para que não faça a hipoglicemia (que é quando o nível de açúcar no sangue encontra-se muito baixo, levando a mulher a fraqueza, tonturas, enjoos, vômitos e até desmaios).

Se ela quiser, pode comer um chocolate ou rapadura, um doce para elevar a glicemia. É importante que ela se alimente, mesmo que esteja com náuseas. Se ela tiver com a pressão alta ou tenha problemas de pressão alta, aí é necessário mais cuidados com a alimentação e ela deva evitar alimentos gordurosos e frituras. Caso queira se alimentar normalmente, como ela faz todos os dias, pode se alimentar. Não tem problema!

4. O que fazer se a bolsa romper?
Resposta: Não necessariamente quando a bolsa rompe significa que o bebê está prestes a nascer. Se ela tiver contrações regulares e a bolsa romper, normalmente evolui mais rápido o parto, mas a bolsa também pode romper mesmo sem contrações. Observe alguns sinais: Caso a bolsa rompa e o liquido for claro, pode se organizar, toma um banho e ir ao local onde planejou ter o bebê com calma.

Agora, se a bolsa rompeu e o líquido é meio esverdeado ou amarelado, ela terá que ir imediatamente à maternidade, Centro de Parto Normal ou hospital. Se o líquido não estiver transparente pode ser uma indicação de uma emergência.

5. E se a bolsa não romper naturalmente, o médico vai precisar rompê-la?
Resposta: Se a bolsa não romper durante o trabalho de parto, mesmo na hora do parto pode romper, então, não necessariamente, ela precisa de interferência para esse processo. A própria evolução do parto pode levar ao rompimento e em casos bem raros, pode ser necessário um pique na bolsa pra ela romper.

O bebê pode, inclusive, vir dentro da bolsa que é chamado de parto empelicado. A criança sai do ventre da mãe ainda dentro da bolsa gestacional.

Raramente pode acontecer da equipe obstétrica precisar romper a bolsa ainda na barriga da mãe para fazer com que o bebê nasça. Se esse for o caso, precisa sempre ser conversado com a mulher, explicado antes o motivo. O rompimento da bolsa pode ajudar a acelerar o parto.

Isso será necessário, por exemplo, quando a mãe está há horas com dilatação completa e o bebê não desce, tem muito líquido na placenta ainda e o bebê não consegue descer totalmente. Pode ser um método usado, mas sempre com a concordância da paciente.

6. Preciso fazer lavagem intestinal?
Resposta: A mulher não precisa, de forma nenhuma, fazer a lavagem intestinal! A mãe já está tendo contrações e ter que lidar também com cólicas intestinais é bastante incomodo. Não é também necessário fazer a lavagem na semana que antecede o parto, nos dias que ela percebeu a evolução para ganhar o bebê.

Não há problema caso a mulher evacue durante o parto e isso é totalmente natural. Às vezes, há mulheres que preferem ter uma alimentação com menos resíduo sólidos no período que antecede o parto já que incomodo para se alimentar é grande e ela prefere comer alimentos de fácil digestão. Isso é pessoal.

7. Até quando deixar evoluir o parto normal? Existe limite de tempo para a evolução do parto?
Resposta: O tempo que dura o trabalho de parto pode variar para cada mulher. Considera-se parto ativo quando a grávida já está com quatro centímetros de dilatação, com contrações frequentes e regulares. No mínimo três contrações, de 30 a 35 segundos cada uma, em dez minutos. Logo, se a mulher estiver com quatro centímetros e uma contração apenas, esporádica, ela ainda não está em trabalho de parto.

Muitas mulheres, achando que já estão em trabalho de parto, afirmam que esperaram até 40 horas para o bebê nascer. Trata-se de um engano, já que ela não estava em trabalho de parto ativo, e sim no período pródromo (que antecede o período ativo – quatro centímetros de dilatação, com contrações frequentes e regulares).

Se a mulher já deu entrada no serviço de saúde, está com quatro centímetros com contrações regulares e frequentes, é normal que evolua, mais ou menos, um centímetro por hora. Com o período expulsivo, que é finalmente quando a cabeça do bebê está bem perto de sair, daria um total de 10h às 12h. Mas esse tempo é muito variável conforme o caso.

É fundamental entender cada uma das fases que envolvem o nascimento do filho. Porque muitas vezes, ainda não está em parto ativo, é que a equipe obstétrica indica que ela não fique onde escolheu ter seu bebê ainda. É muito melhor ela ficar em casa, tentar descansar.

“Às vezes a contração é irregular e demora 30 minutos pra voltar. Então ela tem de descansar, ficar no apoio da família. Então qual é a resposta aqui? Até quando deixar evoluir? Até quando estiver tudo bem”, reforça Vanessa.

Vanessa também alerta que é importante verificar o coração do bebê a cada meia hora, juntamente com os sinais maternos. Também há outro detalhe: se parou a dilatação e ela está há três ou quatro horas sem evolução nenhuma, precisa entender que pode haver a necessidade de intervenção, de uma cesariana por algum motivo.Lembrando que há mulheres que podem passar por todas as etapas do parto normal em duas horas. Não é tão comum, mas pode acontecer.

8. Quando é necessário fazer a epsiotomia?
Resposta: A epsiotomia é um corte feito na região do períneo (área muscular entre a vagina e o ânus) para abrir o canal de parto. Alguns estudos mais recentes sobre o assunto avaliaram que não há indicação que o procedimento seja benéfico para a mulher, salvo os casos, excepcionais, onde seja preciso fazer alguma manobra para auxiliar a saída do bebê. Por exemplo, um distorce de ombro, que é quando nasce a cabeça e o ombro fica preso, nesse caso é necessário ampliar o espaço para ajudar a fazer a manobra que irá virar o bebê. Não é nem pra tirar o ombro porque a pele do canal vaginal não prende o bebê.

Logo, a episiotomia não é um procedimento comum, cientificamente comprovado como benéfico, em casos de parto normal.

9. Como e quando se deve fazer força durante o parto normal?
Resposta: A mulher não precisa fazer força durante o trabalho de parto como um todo. O corpo dela já está dilatando e quando vem a contração, o que ela precisa fazer e respirar e esperar a contração passar.

Só fará força quando o corpo dela demandar. E que horas vai ser essa? Quando o bebê estiver saindo e é só nesse momento. Então ela não precisa fazer força com dilatação de oito centímetros, com dez centímetros. Porém, se ela está com dez centímetros - dilatação total, o bebê coroou e a cabeça do bebê pressionou o assoalho pélvico naturalmente ela vai sentir vontade de fazer força, o corpo mandará que ela faça isso. Em via de regra a mulher terá uma vontade incontrolável de fazer força. Ela segue seus instintos e, quando a vontade chegar, faz força da forma que for mais natural para ela.

“Então nada de fazer força antes, porque se ela fizer, não vai respirar direito, o corpo vai liberando hormônios que não fazem bem para o momento do parto, ela vai ficar ansiosa, mais nervosa esperando por um resultado que ainda não virá”, explica Vanessa.

Para lidar com essa etapa é importante que a mulher use os recursos disponíveis durante a dilatação como exercícios de bola (pilates), andar, agachar, banho morno, aquilo que tranquilizará, reduzirá a ansiedade e a apoiará para que ela espere o momento certo.

10. Qual a diferença entre uma contração verdadeira e uma falsa?
Resposta: Essa contração de treino, chamada de Braxton Hicks, são contrações normalmente indolores chamadas de falsas. A barriga endurece toda, mas a mulher não sente dor ou ela pode sentir um pequeno incomodo, depende da sensibilidade da mulher. A contração esta presente durante toda a gestação, mas são esporádicas, indolores, curtas, irregulares e sem direção.

As outras contrações que estão já estimulando o parto são dolorosas, intensas e regulares. A intensidade da dor depende. Pode ser bem leve, como uma cólica, ou com dores mais intensas.

11. Quando o fórceps é usado no parto?
Resposta: O fórceps não é uma prática usual no Sistema Único de Saúde (SUS). A ferramenta pode causar lesões neurológicas graves no bebê.

12. Como é o parto induzido e quando ele é necessário?
Resposta: O parto pode ser induzido quando se utilizar de fármacos que estimulem a dilatação e a contração. Podem ser usados medicamentos diretamente na vagina ou intravenosos, combinados ou não. Há indicação quando a mulher chegou a 41 semanas de gestação e ainda não entrou em trabalho de parto. Ou a bolsa rompeu, mas ela não está com contrações eficazes, fortes e aguardou 12 horas, 18 horas e não entrou em trabalho de parto ativo.

13. O que é parto humanizado?
Resposta: O parto humanizado pode ser normal, natural ou pode ser uma cesárea, por exemplo. Ser humanizado é respeitar a mulher, a pessoa como um ser com especificidades, é não aplicar métodos e padrões indiscriminadamente, individualizando a assistência para cada um, de acordo com a sua necessidade. É oferecer uma assistência personalizada, ouvir, escutar, atender, dentro do possível, as necessidades da mulher, os desejos dessa mulher.

“Por exemplo: o bebê pode ser colocado pele a pele após uma cesárea. Isso é humanizar”, explica Vanessa. Não será humanizado quando a mulher não for ouvida e for obrigada a ficar numa posição, durante o parto, porque é melhor apenas para o profissional médico e não para ela. Isso é considerado uma violência obstétrica. Parto com menor intervenção, com respeito à fisiologia e empoderamento da mulher como protagonista do parto, é parto humanizado”, finaliza a chefe da Casa de Parto de São Sebastião, no Distrito Federal, Vanessa Barbosa.

Gabi Kopko, para o Blog da Saúde