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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Estudo mapeia pacientes SUS para tratamento de câncer

por Agência Fiocruz | Renata Moehlecke

01/04/2011

Resultados apontaram que atendimento está distribuído pelo território nacional, concentrado nos maiores centros

No combate ao câncer de mama, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado têm papel fundamental na sobrevivência do paciente, já que minimiza os impactos indesejados da doença. Para que o tratamento seja eficaz, o acesso geográfico a este precisa ser garantido. Cientes das dificuldades de distância enfrentadas por muitos pacientes, pesquisadores das universidades Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Instituto Nacional de Câncer (Inca) e Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) analisaram o fluxo de pacientes com câncer de mama atendidas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) em todo país. Os resultados apontaram que o atendimento está amplamente distribuído pelo território nacional, com forte concentração nos maiores centros e indícios de escassez mesmo nas regiões onde a oferta de serviços é maior.

A redução das taxas de morbidade e mortalidade depende da identificação precoce, pois, uma vez identificado o caso, o tratamento adequado e ágil concorre pra reduzir os impactos da doença

"Observou-se que, embora a rede para atendimento ao câncer de mama alcance a maior parte do território nacional, há vazios sanitários, sobretudo no norte do país", afirmam os pesquisadores em artigo publicado na revista Cadernos de Saúde Pública da Fiocruz. Segundo eles, mais da metade do total de atendimentos se deu em algumas capitais, em especial Rio de Janeiro e São Paulo, responsáveis por um quinto das assistências nacionais. Além disso, grande porção das pacientes financiadas pelo SUS reside a mais de 150 km do local de atendimento.

"Sabendo que o tratamento é baseado em procedimentos frequentes, os resultados sugerem que grande parcela das mulheres que obtiveram atendimento enfrentou dificuldades adicionais à própria doença, em função do extenso deslocamento que necessitaram fazer".
Para fazer o estudo, os pesquisadores utilizaram dados disponibilizados pelo Inca e pelo Datasus a fim de verificar as cirurgias e os atendimentos ambulatoriais efetuados em hospitais públicos ou contratados pelo SUS nos anos de 2005 e 2006. Durante o período, foram feitas 37 mil internações, quase 21 mil cirurgias, 832 mil procedimentos ambulatoriais de quimioterapia e 44 mil de radioterapia em mulheres com diagnóstico de câncer de mama. Cerca de 40% do volume total de atendimentos estiveram concentrados em apenas sete capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador e Fortaleza.

"No Brasil, mais da metade do atendimento foi local, isto é, realizado no próprio município de residência: 56,5% das cirurgias, 54,6% dos atendimentos de quimioterapia e 48,7% dos atendimentos de radioterapia não configuraram deslocamento", comentam os estudiosos. No entanto, eles acrescentam que algumas capitais mostraram perfil de polo de atenção mais acentuado, com mais de 40% do atendimento a não residentes, como no caso de Recife (71,4%), Porto Alegre (60%), Belo Horizonte (53,7%) e Curitiba (50,7%).

Segundo os pesquisadores, é necessário verificar a configuração das redes de atenção, pois essas representam inúmeras possibilidades de conexão que podem favorecer, ou não, o acesso da população à assistência. "A identificação das redes constitui ferramenta com aplicação importante no planejamento e na melhoria da distribuição dos serviços, considerando que o acesso geográfico é relevante para o desfecho do tratamento", destacam os estudiosos. "A redução das taxas de morbidade e mortalidade depende da identificação precoce, pois, uma vez identificado o caso, o tratamento adequado e ágil concorre pra reduzir os impactos da doença".

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