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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Experimento de célula-tronco reverte envelhecimento anormal

Cientistas estudavam uma rara doença que causa envelhecimento precoce, a disceratose congênita

MAGGIE FOX - REUTERS

Em um resultado surpreendente que pode ajudar na compreensão do câncer e do envelhecimento, pesquisadores que trabalham com um tipo alterado de célula-tronco disseram ter revertido o processo de envelhecimento associado a uma rara doença genética.


A equipe do Children's Hospital, de Boston, e do Instituto da Célula-Tronco de Harvard trabalhava com um novo tipo de célula chamada célula-tronco pluripotente induzida (ou iPS, na sigla em inglês), muito parecida com as células-tronco embrionárias, mas feitas com células cutâneas comuns.
Eles queriam estudar uma rara doença que causa envelhecimento precoce, a disceratose congênita, um distúrbio da medula óssea que provoca sintomas da velhice como cabelos brancos e unhas tortas, além de um risco mais elevado de câncer.

Raríssima, a doença costuma ser diagnosticada entre os 10 e 30 anos de idade. Em cerca de metade dos pacientes a medula óssea deixa de produzir sangue e células imunológicas de forma adequada.

Um dos benefícios das células-tronco e das células iPS é que os pesquisadores podem obtê-la de uma pessoa com uma doença para estudar a enfermidade em laboratório. George Daley, de Harvard, e seus colegas estavam produzindo células iPS de vítimas de disceratose congênita para estudar o problema.
Mas, segundo relato na edição de quinta-feira da revista Nature, o próprio processo de fabricação das células iPS pareceu reverter um dos principais sintomas celulares da doença --a perda da telomerase, uma enzima que ajuda a manter os telômeros (as "pontas" no fim dos cromossomos que carregam o DNA). Quando o telômero se decompõe, a célula envelhece, o que leva a doenças e à morte.
No câncer, no entanto, a telomerase parece ajudar as células tumorais a se tornarem imortais e a se replicarem descontroladamente. Alguns medicamentos experimentais contra o câncer atacam a telomerase.
Um gene chamado Terc ajuda a restaurar os telômeros, e a equipe de Daley disse que talvez as células tumorais usem o Terc para se tornarem imortais.
Ao produzir células iPS e fazê-las crescerem em laboratório, a equipe de Daley descobriu que elas tinham o triplo de Terc do que as células doentes das quais foram obtidas.
A mera transformação das células cutâneas em células iPS ajudava a restaurar os telômeros danificados, disse a equipe de Daley. Isso, na teoria, paralisa também um importante componente do processo de envelhecimento.

"Não estamos dizendo que encontramos a fonte da juventude, mas o processo de criar células iPS recapitula parte da biologia que a nossa espécie usa para se rejuvenescer a cada geração", disse Suneet Agarwal, colega de Daley, em nota.

Tratamentos para restaurar o gene Terc podem ajudar pacientes com disceratose congênita, disse a equipe. Agarwal afirmou que a busca agora é por verbas para continuar os estudos.

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