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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Sêmen de "loiros altos" torna Dinamarca a "meca" de inseminação artificial

Cresce a procura por doadores nórdicos


Selecionar um potencial pai para o seu filho está se tornado mais parecido com fazer compras na internet do que você pensava.

Peter Bower, diretor da Nordic Cryobank, enquanto exibe seu acervo de doadores e diz que muitos dos clientes "querem tradicionalmente doadores de pelo menos 1,80 metros e olhos azuis".

Para estreitar as suas buscas, os clientes eliminam homens que estão acima ou abaixo de um determinado peso. Eles clicam no perfil do candidato e, mediante o pagamento de uma taxa, conseguem fazer o download de uma foto dele quando ele ainda era bebê.


Os funcionários da clínica ainda fornecem por escrito uma breve descrição ou detalhes a respeito do potencial doador. São passadas informações como a de que ''ele gostou de conversar no laboratório após ter feito a doação ou que se veste bem ou se interessa muito por esse ou aquele tipo de música''.

Anonimato

Mas nenhuma das informações fornecidas permite identificar um indivíduo, a não ser que ele opte em poder ser identificado. Na Dinamarca, a doação de sêmen não precisa vir acompanhada de nome e telefone do doador - ao contrário do que ocorre no Reino Unido e em um número cada vez maior de países europeus.

A opção pelo anonimato fez da Dinamarca uma espécie de Meca para mulheres estrangeiras que querem engravidar por meio de inseminação artificial, e fez com que no país não haja escassez de sêmen oficialmente examinado e testado.

Clínicas dinamarquesas que oferecem inseminação contam com três tipos principais de clientes: casais de lésbicas, casais heterossexuais e mulheres solteiras. É esta última categoria a que mais cresce.


Peter Bower diz que mulheres britânicas estão "na vanguarda'' desse serviço, mas a procura por estrangeiros, de um modo geral, está forte. Segundo dados do Departamento de Saúde da Dinamarca, em 2008, 2.694 mulheres estrangeiras foram às cidades dinamarquesas de Aarhus e Copenhague em busca de inseminação. Em 2010, esse número subiu para 4.665.

Como parte de uma curiosa estratégia de marketing e promoção, as amostras são levadas do banco de sêmen até a clínica de fertilização - chamada de Clínica da Cegonha -, em uma jornada pela capital dinamarquesa, em uma bicicleta no formato de espermatozoide.


Congeladas em nitrogênio líquido, as amostras são guardadas na cabeça esférica do espermatozoide, à frente do guidão.

Ambiente caseiro

As instalações da clínica representam o auge do estilo chique do design dinamarquês. A enfermeira-chefe da clínica, Lilian Joergensen, aponta para uma coroa de madeira situada acima da cama em que é feita a inseminação.

– Queremos que as mulheres se sintam como rainhas. Tentamos oferecer uma atmosfera de tranquilidade que deixará os clientes com boas memórias sobre onde a história de seus bebês começou. Em alguns dias, podemos realizar até 17 inseminações, mas o importante é destinar o mesmo tempo e atenção a cada mulher.

Ela diz que os funcionários "ouvem a história da mulher e seus problemas".

– Levamos o seu ânimo em consideração. Não é aceitável que ela seja apenas mais um número no nosso registro. Ela vem aqui e usa este quarto como se fosse o seu próprio quarto, pode trazer amigas, velas, o que ela quiser.

"David Beckham"

Em sua residência em New Malden, no sul de Londres, a britânica Kellie Lombard e sua parceira contam como a experiência dinamarquesa foi um êxito.

Kellie havia se submetido a tratamentos caros, mas mal-sucedidos, no Reino Unido e na África do Sul.

O casal tomou conhecimento do tratamento dinamarquês pela internet e agora tem uma família próspera, com duas "mães", dois gêmeos idênticos com quase cinco meses de idade, e uma menina de dois anos de idade. O pai biológico é o mesmo homem dinamarquês anônimo.

Kellie costuma brincar em relação ao critério que elas escolheram para encontrar um pai.

– Inicialmente, estávamos buscando David Beckham, mas também queríamos alguém que tivesse qualificações acadêmicas.'

Surpreendentemente, elas possuem muitas informações a respeito do pai biológico de suas crianças: sua idade, peso, o fato de que ele é um estudante de medicina e como ele se parece.

Elas também conhecem o som da voz dele, pois ouviram uma gravação de áudio na qual ele explica porque estava fazendo a doação. Sua principal motivação era financeira. E elas acharam que ele soava como uma "boa pessoa".

Kellie admite que a sua não é uma família típica. Quando ela leva a sua filha de aparência escandinava ao parque, as pessoas perguntam se o "papai" dela é muito alto. Ela apenas responde que ele tem 1,93 m de altura.

Se essa nova tendência da inseminação ganhar ainda mais força, os genes nórdicos poderão se espalhar mais do que muitos poderiam imaginar.

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