Aplicativos, carreira, concursos, downloads, enfermagem, farmácia hospitalar, farmácia pública, história, humor, legislação, logística, medicina, novos medicamentos, novas tecnologias na área da saúde e muito mais!



quinta-feira, 30 de junho de 2011

Tabagismo: mensagens de SMS podem ser aliadas


Pessoas que querem parar de fumar têm mais chances de ter sucesso quando recebem mensagens de texto, revelou um estudo

As pessoas que querem parar de fumar têm duas vezes mais chances de ter sucesso e abandonar o vício quando recebem mensagens de texto em seus telefones celulares para encorajá-las, revelou um estudo publicado nesta quinta-feira na revista médica The Lancet.

Médicos britânicos recrutaram 5.800 fumantes e os separaram, aleatoriamente, em dois grupos: um que recebeu mensagens de SMS elaboradas especialmente e outro de controle.

O primeiro grupo recebeu cinco mensagens por dia nas primeiras cinco semanas e depois três por semana nos seis meses seguintes.

As mensagens - desenvolvidas com a ajuda de outros fumantes - traziam conselhos como tirar as preocupações da cabeça enquanto se está parando de fumar e encorajavam os participantes a perseverar.

"É isso aí! - DIA DE LARGAR O VÍCIO, jogue fora todos os seus cigarros" foi uma das mensagens recebidas pelas pessoas no dia em que decidiram deixar o vício. "HOJE é o começo da LIBERDADE para sempre, você consegue!" foi outra.

Os voluntários deste grupo também tiveram um sistema personalizado ao qual podiam recorrer em caso de necessidade, e pedir ajuda ao enviar as palavras "abstinência" ou "recaída".

Como resposta à primeira, receberam este tipo de mensagem: "as crises de abstinência duram menos de 5 minutos, em média. Para ajudá-lo a se distrair, tente beber algo em pequenos goles até a crise passar".

Em resposta ao texto "recaída", receberam a resposta: "não se sinta mal ou culpado se você escorregou. Você fez muito ao parar por um tempo. Deslizes podem ser parte normal do processo de deixar o vício. Continue, você consegue!"

Comparativamente, os fumantes do grupo de controle receberam apenas mensagens brandas a cada quinzena, agradecendo-lhes por participar ou pedindo confirmação de detalhes de contato ou outras mensagens sem relação com o tabagismo.

Durante o teste, voluntários dos dois grupos enviaram amostras de saliva por correio.

As amostras foram examinadas para detectar a presença de cotinina, um elemento químico presente no tabaco, para verificar se os voluntários ainda fumavam ou haviam deixado o vício.

Após seis meses, 10,7% das pessoas do grupo apoiado por mensagens de SMS permaneciam sem fumar, contra apenas 4,9% no grupo de controle. As taxas de sucesso foram similares em todas as idades e grupos sociais.

Para os cientistas, o teste, batizado de "txt2stop" (escreva para parar, em uma tradução literal) revelou uma ferramenta poderosa e de baixo custo para combater o tabagismo, e que pode ser adotada ao redor do mundo.

Em 2009, mais de dois terços da população mundial tinham telefone celular e 4,2 trilhões de mensagens de texto foram enviadas.

"As mensagens de texto são uma forma muito conveniente para apoiar os fumantes a abandonar o vício", disse Caroline Free, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, que conduziu o experimento.

"As pessoas compararam o 'txt2stop' a ter um 'amigo' a encorajá-las ou um 'anjo da guarda', pois as ajudou a resistir à tentação de fumar", acrescentou.

O 'txt2stop' é a última pesquisa sobre o uso de mensagens de texto via celular como ferramentas médicas.

Em um estudo publicado em novembro passado, pacientes infectados com o HIV no Quênia que receberam lembretes de texto sobre a ingestão diária de medicamentos para a Aids mostraram ser 12% mais propensos a aderir completamente ao tratamento do que seus pares de um grupo de controle que não receberam texto nenhum.

De acordo com dados apresentados no estudo, o tabagismo mata mais de cinco milhões de pessoas por ano e dois em cada três fumantes britânicos afirmam que em algum momento da vida pensaram em abandonar o vício.

Uma pesquisa anterior já tinha demonstrado que mensagens por SMS encorajam a abstinência, mas estas experiências duraram apenas seis semanas e não um semestre, como o estudo atual.

Além disso, no primeiro caso os resultados foram relatados pelos próprios voluntários e não checados em exames de laboratórios, como o atual.

Nenhum comentário:

Postar um comentário