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domingo, 10 de abril de 2011

Médico combate o HIV no Lesotho Doctor fights HIV in Lesotho

Dr. Paul Yang enfreta dificuldades para dar assistência a portadores de HIV em lugares remotos em montanhas isoladas no Lesotho. O médico é especialista em HIV pediátrico e cuida de inúmeros pacientes que, talvez, sem a ajuda dele não teriam cuidados medicinais.

Dr. Paul Yang coping difficulties to assist people with HIV in remote places in the isolated mountains in Lesotho. The doctor is a specialist in pediatric HIV and cares for many patients, perhaps without his help would not have medical care.


http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultnot/multi/?hashId=mdico-combate-o-hiv-no-lesotho-04024D9C3564E0890326&mediaId=10182595

Remédio só com o pediatra Remedy only to the pediatrician

Nunca é demais lembrar: dar remédios sem consultar o pediatra faz mal a saúde. Pior, dependendo da situação pode até agravar um sintoma simples de ser curado.
It is worth remembering: give medicines without consulting your pediatrician does harm health. Worse, depending on the situation may even worsen a single symptom to be cured.

Atenção!

Sintomas semelhantes não significam a mesma doença. Portanto, não repita uma antiga receita do pediatra, sem consultá-lo de novo. Dependendo do caso, pode até agravar a situação.
Esqueça aquelas gotinhas mágicas que funcionaram tão bem com seu filho mais velho. Cada criança tem uma maneira própria de reagir aos medicamentos.
Somente o médico pode aumentar ou diminuir dosagens, encurtar ou alongar tratamentos. Siga sempre a sua orientação, mesmo quando não corresponder totalmente ao que diz a bula do remédio.
Ao guardar os medicamentos, todo o cuidado para não trocar as embalagens. Antes de usá-los, observe se estão rigorosamente dentro do prazo de validade.

Efeitos colaterais

Dos descongestionantes para o nariz aos antibióticos, qualquer medicamento, quando tomado indevidamente, pode causar sérios danos à saúde. Muito cuidado, portanto, para não correr riscos.

Antitérmicos
São as estrelas da prescrição caseira e se dividem em quatro grupos distintos. No primeiro, estão as pirazolonas, entre elas as dipironas, que em doses elevadas, levam à anemia. Depois, vem as aspirinas. Tomadas em excesso, irritam a mucosa gástrica, podendo provocar sangramento digestivo. Os medicamentos à base de paracetamol são mais fracos, mas nem por isso mais inofensivos. Por último, o grupo dos ibuprofenos, com resultados melhores que o paracetamol e sem os inconvenientes da dipirona. Mesmo assim, precisam de indicação médica.


Antibióticos

As dosagens erradas, a interrupção antes do final do tratamento e o uso desnecessário destas substâncias tornam as bactérias resistentes ao seu efeito, prejudicando o resultado. Em doses excessivas, causam vômitos e diarréia.

Xaropes
São indicados nas chamadas tosses secas, causadas por alergia ou irritação na garganta. Mas quando há secreção, fazem efeito negativo, impedindo a eliminação do catarro e das impurezas acumuladas nos brônquios.

Soluções nasais
Estão entre as principais causas de intoxicação por medicamentos em bebês até dois anos. Agem contraindo os vasos das narinas para desobstruir as vias respiratórias. Em doses exageradas, porém, afetam a pressão arterial e provocam taquicardia e arritmias.

Vitaminas
A tendência de achar que o filho não se alimenta direito, que não cresce e é o mais magrinho da família, leva os pais a enchê-lo de vitaminas. O resultado pode ser desastroso. A superdosagem de vitamina A provoca vômitos, simulando um quadro de meningite; no caso da D leva à falta de apetite chegando à anorexia; já o excesso da E altera todo o metabolismo das enzimas.

O que fazer para não errar

Nas emergências – Em primeiro lugar, mantenha a calma. E tente localizar o pediatra o mais rápido possível. Neste meio tempo, avalie a gravidade do sintoma, para começar a combatê-lo.
Em caso de febre – Sendo alta, dê somente o antitérmico que a criança está acostumada a tomar. Abaixo de 38º, tente contornar com banhos mornos e compressas frias.
Diarréia ou vômito – Use o soro caseiro ou o soro hidratante, vendido nas farmácias. E não interrompa a alimentação, especialmente se o bebê é amamentado ao peito.

Na UTI, com segurança

Na escolha da maternidade onde seu bebê vai nascer, um item não pode faltar. É que ela disponha de uma UTI neonatal. O tipo de problema que os recém-nascidos apresentam é diferente das crianças de outras idades, requerendo cuidados, abordagem, pessoal especializado e recursos tecnológicos especiais. Portanto, informem-se antes de eleger uma delas para viver este grande momento. E fiquem tranqüilos.

Quem precisa?

O tratamento intensivo é indicado, na maioria dos casos, para os prematuros, nascidos antes dos nove meses de gravidez. Bebês de baixo peso – abaixo de 2,5 Kg – costumam ser mais vulneráveis, necessitando de uma vigilância médica permanente e, algumas vezes, do auxílio de certos equipamentos para medir e fornecer o oxigênio (CPAP), controlar a freqüência cardíaca, colher material para exame, verificar a pressão sanguínea, a temperatura e levar nutrientes e remédios.

Uma outra grande aliada na recuperação dos prematuros é a incubadora. Os bebezinhos precisam manter seu corpo aquecido e a temperatura dentro dela será escolhida sob medida para o ocupante. Leva-se em conta a idade gestacional da criança, o peso e quantos dias de vida tem fora do útero.

Um outro tipo de incubadora é o chamado berço de calor radiante. Aberto, é usado quando o bebê chega à UTI e deve ser avaliado ou se depende de alguma forma de manuseio que a incubadora não permite.

Para curar e crescer

Mas nem só os que chegam antes da hora requerem terapia intensiva. Os que nascem com dificuldades respiratórias, icterícia, problemas cardíacos e também aqueles que devem passar por uma cirurgia exigem atenção permanente. Fora, é claro, a assistência de um especialista, se necessário.

Só não pense que todos os nenéns que você observa através do vidro estão doentes. Há muitos que se encontram ali apenas crescendo e se tornando aptos para respirar, sugar e deglutir por conta própria, um amadurecimento que não alcançaram os que nascem antes de 34 ou 35 semanas de gestação.

Colhendo informações

É assustador ver os nenéns conectados a todos aqueles tubos e fios? Vale esclarecer que, em geral, não causam dor e, quando há agulhas ou cateteres, eles se alojam em uma camada mais superficial da pele.

A missão destes aparelhos, alguns certamente mais estressantes, compensa o desconforto ou a dor que possam causar, pois fornecem continuamente aos médicos e enfermeiros informações precisas e importantíssimas sobre o bebê. E ao bebê tudo o que precisa para se recuperar e ficar fora de risco. Compensa, não é mesmo?

Barulho e luzes

O ambiente da UTI neonatal é barulhento e com muita luz, a ponto de interromper o sono do recém-nascido. Esta pode ser uma visão do passado. Em maternidades modernas e bem equipadas, sempre que possível, as incubadoras podem ficar cobertas na parte de cima e nas laterais. Com os atuais monitores, o médico saberá, mesmo assim, o que acontece com o bebê.

A diminuição das luzes à noite, durante algumas horas, também garante mais conforto e ajuda os bebezinhos a irem estabelecendo um certo horário de sono. Durante o dia igualmente pode ser mantido um tempo de silêncio. Diminui-se a intensidade da luz e os bebês descansam sossegados, a menos que alguma intervenção seja realmente necessária.

São medidas simples, mas capazes de minimizar o desconforto e o estresse indispensáveis na luta destas crianças pela vida.

Preparando a alta

O momento de sair da UTI e, talvez de ir para casa, é o mais esperado pelos pais. Em geral, isto acontece quando: o peso do bebê gira em torno de 2 Kg e idade gestacional maior que 34 semanas; ele não depende de oxigênio; está há uma semana sem apnéia (dificuldade respiratória); consegue sugar toda a dieta.

Daqui para a frente, não tenha medo de cuidar do seu bebê. Pai e mãe, melhor que qualquer outra pessoa, são capazes de entendê-lo e atender suas necessidades.

Pesquisa revela desconhecimento das mulheres sobre osteoporose Survey reveals ignorance of women about osteoporosis

Os especialistas dizem que saber sobre a doença é fundamental para o tratamento
Experts say that knowing about the disease is crucial for treatment


Uma pesquisa recente com 232 mulheres que têm osteopenia ou osteoporose, realizada no Hospital da Mulher da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mostra um grande desconhecimento das pacientes sobre o tratamento dessas doenças, que são mais comuns em mulheres, especialmente após a menopausa.

A osteopenia é o início da perda da massa óssea, que a longo prazo e sem a adoção de medidas preventivas, pode evoluir para a osteoporose, quando os ossos ficam extremamente frágeis, aumentando o risco de fraturas graves.

Conforme a pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas, de um total de 20 pontos (que representaria um excelente conhecimento sobre as doenças e o tratamento) a média verificada entre as mulheres pesquisadas foi de apenas 3,78 pontos.

A ginecologista Débora Alessandra de Castro Gomes prepara uma dissertação de mestrado sobre o tema. Para ela, o conhecimento sobre a osteopenia e a osteoporose é fundamental para o tratamento, que é de longo prazo e pode envolver o uso de terapia hormonal, medicações específicas, dieta alimentar e atividade física.

- É necessário um bom entendimento da doença, implementação de métodos efetivos que aumentem o conhecimento delas [das pacientes] sobre a evolução do quadro e a importância de manter o tratamento adequado.

A pesquisa se baseou em metodologia usada pela comunidade científica internacional (Osteoporosis Questionary e MedTake) e foi feita com mulheres com idade em torno de 62 anos e com 16 anos de menopausa.

Mais informações sobre a osteopenia e a oesteoporose podem ser obtidas no Disque Saúde: 0800 61 1997. Os critérios de diagnóstico e tratamento para a osteoporose definidos pelo Ministério da Saúde estão disponíveis no site do ministério.

Exame detecta apneia do sono com precisão e evita cirurgia desnecessária Examination to detect sleep apnea with precision and avoids unnecessary surgery in Brazil

Com paciente sedado, médico pode visualizar as vias respiratórias em condições que simulam sono normal e localizar onde a passagem do ar é obstruída, aumentando a eficácia do tratamento. Até agora, técnica era usada apenas de forma experimental no País
With sedated patient, doctor can visualize the airways in conditions that simulate normal sleep and find where the air passage is blocked, increasing the effectiveness of treatment. So far, this technique was used only experimentally in the Country

Karina Toledo - O Estado de S.Paulo

Um exame que pode ajudar no tratamento de pacientes com a síndrome da apneia obstrutiva do sono foi liberado para uso comercial em hospitais. Até agora, a técnica só era usada de forma experimental no País. Com ela, é possível visualizar as vias respiratórias em condições que simulam o sono normal e localizar a obstrução da passagem de ar. Isso pode ajudar a evitar cirurgias desnecessárias.

O Hospital Samaritano é o primeiro a oferecer a sonoendoscopia, que é feita com a colocação de um aparelho flexível de fibra ótica no nariz do paciente. O exame dura apenas 15 minutos, mas deve ser feito no centro cirúrgico, com acompanhamento de um anestesista. A sedação é feita com uma substância chamada propofol. O paciente recobra a consciência assim que o anestésico é suspenso.

A técnica usada no Samaritano foi desenvolvida pelo médico Fábio Rabelo em sua tese de doutorado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP). "Conseguimos encontrar a dose de sedativo capaz de simular as condições exatas do sono normal", explica. A sedação geralmente feita para um exame de endoscopia, diz Rabelo, induz a um sono muito mais profundo que o natural, o que poderia levar a resultados falsos.

O otorrinolaringologista Eric Thuler explica que a obstrução que causa a apneia pode ocorrer em diversos lugares das vias respiratórias, como a amídala, o palato mole, a base da língua e a epiglote. Cada situação requer um tratamento específico. "A cirurgia, por exemplo, só vai trazer bom resultado quando o estreitamento ocorrer na região da amídala. Com a realização da sonoendoscopia, temos visto que em mais de 40% dos pacientes o estreitamento ocorre em outros lugares", diz.

Precisão. Esse foi o caso do administrador de empresas Robério Peixinho, que em junho de 2010 descobriu ser portador da síndrome após realizar a polissonografia. Exames adicionais mostraram que a região da amídala estava aumentada, então, em setembro, Peixinho foi submetido a uma cirurgia para retirar a amídala e esticar o palato. Não obteve melhora.

Após realizar a sonoendoscopia, descobriu que o estreitamento ocorria na base da língua e passou a usar um aparelho oral. Parou de roncar.

Thuler explica que os exames normalmente usados para complementar o diagnóstico da apneia, como a ressonância magnética ou a tomografia, são feitos com o paciente acordado, o que não permite saber com precisão o que ocorre no sono. Ele ressalta, porém, que a sonoendoscopia não substitui a polissonografia. "É complementar."

Uma equipe do Incor também está desenvolvendo técnica semelhante, mas com outro sedativo: o maleato de midazolam (Dormonid). Segundo o pneumologista Geraldo Lorenzi Filho, a vantagem é que esse anestésico dispensaria o centro cirúrgico e o anestesista, tornando o procedimento mais barato. "Ainda são necessários mais estudos para saber se o exame realmente consegue prever se a cirurgia vai ter sucesso ou não", avalia.

PARA ENTENDER

Problema afeta cerca de 30% da população

A apneia é um distúrbio do sono caracterizado pela suspensão da respiração por pelo menos dez segundos, mais de cinco vezes por hora. Na maior parte das vezes, essas paradas respiratórias não são suficientes para despertar a pessoa, mas impedem que ela entre em sono profundo. Isso pode levar a problemas como sonolência diurna, hipertensão, diabete e enfarte, se não houver tratamento adequado.

Estudos apontam que cerca de 30% da população da cidade de São Paulo sofre com o problema. Entre os sintomas da síndrome estão: desconforto respiratório associado ou não ao ronco, sonolência diurna, sono não reparador, engasgos e episódios de despertar súbito com falta de ar.
O ronco, porém, pode ter outras causas, como aumento de secreções nasais, desvio de septo, rinites, sinusites, pólipos nasais, adenoides e alterações nos ossos da face.

Medicina da Unesp cria curso para ensinar aluno a prescrever remédios Medicine, Unesp crash course to teach students to prescribe medicine in Brazil

Objetivo é acabar com a letra ilegível dos profissionais e ensinar os estudantes a fazerem escolhas racionais, baseadas em quatro critérios: eficácia, segurança, facilidade de acesso e custo; conteúdo do curso estará disponível online para médicos do SUS

Karina Toledo - O Estado de S.Paulo

Acabar com a ilegível letra de médico e outras inadequações na prescrição de medicamentos - como doses excessivas ou que causem interação entre si - são os objetivos de um curso pioneiro criado na Faculdade de Medicina da Unesp, em Botucatu. Agora, graças a uma parceria com o Ministério da Saúde, o conteúdo da disciplina estará disponível online a todos os profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS).

A professora Thais Queluz conta que tinha duas metas quando criou o curso Seleção Racional de Medicamentos e Boas Práticas de Prescrição Médica e Odontológica, em 2003. A primeira era conscientizar os alunos de que a receita médica é um documento do paciente e, portanto, ele precisa entender o que está escrito nela. "Não pode ter abreviações, a letra tem de ser legível, a dosagem e a forma de administração devem estar claras", diz a professora.

O desafio maior, porém, é ensinar os estudantes a fazer uma escolha racional. "Mostramos como buscar evidências científicas que ajudem a selecionar a droga com base em quatro critérios: eficácia, segurança, facilidade de acesso e custo", diz Thais. Se há dois remédios semelhantes, afirma, deve-se optar pelo mais barato. Mas isso nem sempre acontece por causa do assédio da indústria farmacêutica, com seus brindes e amostras grátis.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), metade dos medicamentos que circulam no mundo foi prescrita, administrada ou vendida incorretamente.

Em 2010, o Ministério da Saúde ofereceu recursos para Thais desenvolver uma versão online do curso. O material foi entregue em dezembro e, nos próximos meses, estará disponível no portal da Universidade Aberta do SUS, ainda em fase de teste.

Os estudantes do quarto ano de Medicina Lívia Santos e Marcos Marton contam que antes de cursar a disciplina haviam aprendido apenas na prática a preencher um receituário. "No terceiro ano começamos a atender na unidades de saúde e observamos como os médicos fazem", diz Lívia. Abreviações como V.O. (via oral) são comuns, diz Marton. "Muitos pacientes nem sequer sabem o que é via oral. Passamos a escrever "tomar pela boca"."

Maria José Martins de Souza, gerente de Assistência Farmacêutica da Fundação para o Remédio Popular, conta que grande parte das receitas que chegam nas farmácias do Programa Dose Certa é recusada por inadequações: "São comuns prescrições com doses excessivas ou com medicamentos que podem causar interação. Muitas também não têm a via de administração ou a duração do tratamento".

Vacina contra malária tem 'pais' brasileiros Malaria vaccine has 'parents' Brazilian

Produto com ótimos resultados na África é fruto da pesquisa do casal Nussenzweig, que atua na New York University desde 1964

Alexandre Gonçalves - O Estado de S.Paulo

Em fevereiro, cientistas anunciaram resultados de uma promissora vacina contra malária. Milhares de crianças foram imunizadas na África. Quase metade (45,8%) ficou protegida, um recorde nos testes de larga escala. Pouca gente sabe, mas os pais da vacina são brasileiros.

"O trabalho de Ruth e Victor Nussenzweig fundamentou a concepção e o desenvolvimento da vacina", afirma Joe Cohen, da farmacêutica GSK Bio, autor do artigo no The Lancet que descreve os resultados na África. O casal Ruth e Victor vive nos EUA desde 1964. Eles trabalham na New York University (NYU).

A comunidade científica não acreditava em uma vacina para malária. Todos sabiam que, depois de sucessivas infecções, pessoas que vivem em áreas endêmicas não costumam adquirir imunidade. Daí seguia um raciocínio tão simples quanto incorreto: se a natureza não gera uma resposta imune eficaz, a técnica não pode almejar resultado melhor.

Ruth desafiou o consenso. Utilizou esporozoítos - estágio do plasmódio na glândula salivar dos mosquitos inoculado durante a picada. O primeiro passo foi esterilizá-los com Raios X, estratégia para tornar os esporozoítos inofensivos. Depois, injetou-os em camundongos. Os roedores desenvolveram imunidade, comprovando a viabilidade de uma vacina. Os resultados mereceram publicação na Nature em 1967 e foram, depois, confirmados em macacos e humanos.

Mesmo assim, a vacina permanecia distante: não seria viável dissecar mosquitos para produzir, em escala industrial, a forma atenuada do esporozoíto.

Infecção. Na década de 80, a equipe de Victor identificou a proteína na superfície do esporozoíto que, ao ser neutralizada pelo sistema imune, impossibilitava a infecção: a proteína circunsporozoíto (CSP, na sigla em inglês). Era a chave para uma vacina sintética e economicamente viável.

A descoberta rendeu uma honra incomum: a visita de Sir John Maddox, da Nature. O lendário editor da maior revista científica do mundo viajou de Londres a Nova York para garantir que o brasileiro publicaria a descrição do gene da CSP na sua revista.

As farmacêuticas ficaram eufóricas. No dia 3 de agosto de 1984, o New York Times estampou uma foto de Ruth sob o título "Uma vacina iminente contra malária".

A NYU estabeleceu uma parceria com a suíça Hoffmann-La Roche e criou uma vacina que recolhia o pedaço mais importante da CSP. Nos testes clínicos, em 1987, 35 indivíduos receberam o composto. Três tiveram ótima reação do sistema imunológico e foram expostos a picadas do mosquito infectado. Um ficou completamente protegido e os outros dois, parcialmente.

Foi um balde de água fria na opinião pública, mas, para Victor, representava um grande avanço: comprovava a viabilidade da vacina. Pouca gente concordou na época e quase todas as farmacêuticas desistiram.

Com uma exceção: Joe Cohen, da GSK Bio, sabia que os resultados eram sólidos e bastaria um bom adjuvante - substância que amplifica a resposta imune - para aumentar a eficácia. A aposta foi premiada. A vacina da GSK deve começar a proteger crianças na África em 2015.


Risco de depressão pós-parto é maior para mãe de gêmeos Risk of postpartum depression is higher for mothers of twins

Gravidez múltipla é um dos principais fatores de risco para depressão pós-parto
Multiple pregnancy is a major risk factors for postpartum depression

Entre as hipóteses para isso está a maior exigência física e emocional, segundo a psicóloga Gabriela Andrade Silva, pesquisadora da USP (Universidade de São Paulo).

Na sua pesquisa de mestrado, feita com 245 mães, ela avaliou alguns fatores que levam ao desenvolvimento do transtorno. Constatou que a sensação de impotência e insegurança podem ser determinantes.

"Gravidez de gêmeos é uma gravidez mais complicada. É mais provável que a mulher pense que não terá suporte emocional, familiar e financeiro suficiente."

De acordo com a pesquisadora, as duas únicas mães de gêmeos que participaram do estudo tiveram depressão.

O dado não foi considerado porque a amostragem era pequena, mas há pesquisas na literatura internacional que já apontaram maior prevalência do distúrbio em gestações múltiplas.

Um estudo publicado em 2009 na revista "Pediatrics", feito com 8.069 mães americanas, mostrou que o risco de ter o distúrbio é 43% maior nesse tipo de gravidez.
Outra explicação, para a ginecologista Carolina Ambrogini, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), é a variação hormonal.

"Grávidas de gêmeos têm mais hormônios durante a gestação. O desequilíbrio depois do parto é ainda maior."