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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Entidades médicas propõem câmara técnica de honorários

por Saúde Business Web

05/05/2011

Se problemas não forem resolvidos o atendimento de mais de 44 milhões de usuários de planos ficará comprometido, diz Cremero

As entidades médicas iniciaram negociações com empresas de planos de saúde em Rondônia propondo a criação de uma câmara técnica de honorários. O Sindicato Médico de Rondônia (Simero) encaminhou ofício às empresas marcando, para este mês de maio, reunião que marca o início do diálogo efetivo entre profissionais e empresas.

Além da questão salarial, as entidades médicas lutam pelo fim da interferência "antiética e desrespeitosa" dos planos de saúde na autonomia do trabalho médico, pela valorização da Medicina e do trabalho médico, pelo respeito e pela dignidade do profissional da Medicina em sua plenitude, segundo afirmou o vice-presidente do Simero, William Pascoalin.

"Há muito a ser conversado. Alguns planos de saúde, por exemplo, tentam controlar inclusive a quantidade de exames passados aos pacientes, o que acaba influenciando no tratamento de doenças. Os médicos já tentaram negociar individualmente com as empresas, mas sem sucesso", explica Pacoalin.

Segundo a presidente do Cremero (Conselho Regional de Medicina de Rondônia), Maria do Carmo Demasi Wanssa, se esses problemas não forem solucionados, o atendimento de mais de 44 milhões de usuários de planos de saúde ficará comprometido. Também nesta quinta-feira (28), em Brasília, membros da Federação Nacional dos Médicos, do Conselho Federal de Medicina e da Associação Médica Brasileira se reuniram para traçar novas estratégias e fazer balanço da paralisação nacional que aconteceu no dia 7 de abril, data em que se comemorou o Dia Internacional da Saúde.

OMS reconhece registro de ensaios clínicos no Brasil

por Agência Fiocruz

05/05/2011

Registros feitos aqui integrarão automaticamente a rede da OMS de registros de pesquisas com seres humanos

Desde a última sexta-feira de abril (29), o Registro brasileiro de ensaios clínicos (Rebec) passou a fazer parte de um seleto grupo composto por 13 registros primários, espalhados pelo mundo, que compõem a rede da Plataforma Internacional de Registro de Ensaios Clínicos da Organização Mundial da Saúde (ICTRP - OMS). O reconhecimento da Rebec como um registro primário implica, entre outras vantagens, que os registros feitos aqui integrarão automaticamente a rede da OMS de registros de pesquisas com seres humanos, atendendo às exigências de revistas científicas e órgãos reguladores.

O Registro brasileiro de ensaios clínicos (Rebec) passou a fazer parte de um seleto grupo composto por 13 registros primários, espalhados pelo mundo, que compõem a rede da Plataforma Internacional de Registro de Ensaios Clínicos da OMS.

Isso deve aumentar o número de registros com informações de ensaios clínicos no Rebec e em português, o que, entre outros benefícios, vai facilitar a busca por melhores tratamentos para pessoas com doenças sem cura e permitirá uma ampliação do controle social e ético sobre as pesquisas. Além disso, os registros de pesquisas clínicas evitam duplicação de testes já realizados e promovem aumento da disponibilidade de informações científicas.

Para se tornar um registro primário da OMS, o Rebec teve que atender a rígidos critérios específicos de qualidade, conteúdo e validade, acessibilidade, identificação única, capacidade técnica, administração e governança. Além disso, o registro brasileiro teve que cumprir os requisitos do International Committee of Medical Journal Editors (ICMJE).

Como os registros no Rebec podem ser publicados também em espanhol - além de português e inglês - outros países da América Latina e Caribe poderão usar o registro brasileiro para suas pesquisas clínicas. O sistema do registro brasileiro foi desenvolvido com código aberto (open source), o que permitirá que outros países possam criar registros semelhantes usando a ferramenta tecnológica criada para o Rebec, com algumas adaptações.

Criado em dezembro de 2010 pelo governo brasileiro o Rebec é um projeto conjunto do Ministério da Saúde (Decit/MS), Organização Panamericana de Saúde (Opas), Centro Latinoamericano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme) e o Icict/Fiocruz, que atualmente gerencia o Rebec.

Compõem a Rede de Registros da OMS: o Australian New Zealand Clinical Trials Registry (ANZCTR), o Chinese Clinical Trial Registry (ChiCTR), o Clinical Research Information Service (CRiS) da Republica da Korea, o Clinical Trials Registry - India (CTRI), o Cuban Public Registry of Clinical Trials (RPCEC), o German Clinical Trials Register (DRKS), o Iranian Registry of Clinical Trials (IRCT), o International Standard Randomised Controlled Trial Number (ISRCTN.org), o Japan Primary Registries Network (JPRN), o Netherlands National Trial Register (NTR), o Pan African Clinical Trial Registry (PACTR), o Sri Lanka Clinical Trials Registry (SLCTR) e o Rebec.

Hospital de Base de Brasília inaugura centro de trauma

por Saúde Business Web

05/05/2011

Estabelecimento possui capacidade para o atendimento diário de até 50 pacientes e é resultado de uma parceria com o SAMU

O Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) inaugura centro de trauma. O estabelecimento possui capacidade para o atendimento diário de até 50 pacientes e é resultado de uma parceria com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192), coordenado pelo Ministério da Saúde.

O espaço dispõe de três leitos de unidade semi-intensiva, quatro leitos para politraumatizados graves e seis leitos para atendimento em geral. Todos os equipamentos seguem padrões internacionais e contam com foco cirúrgico, gasômetro, ecógrafo, respiradores, monitores e aparelho de raios-X portáteis.

O SAMU DF é responsável pela operação do novo centro que manterá 10 profissionais em cada equipe de plantão, um cirurgião geral, dois enfermeiros e sete técnicos em enfermagem, com a possibilidade de expansão do quadro em decorrência da necessidade. O Centro de Trauma do HBDF funciona 24 horas.

Anvisa lança questionário para mapear prática de higienização das mãos em unidades de saúde

Da Agência Brasil

Brasília – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS), quer mobilizar profissionais de saúde, governo, administradores e gestores hospitalares para a importância da higienização das mãos na prevenção e redução das infecções. “Essa é a medida mais eficaz e barata para prevenção de qualquer contaminação”, disse Magda Costa, chefe substituta de Controle de Infecções da Anvisa.

Hoje (5), Dia Mundial de Higienização das Mãos, a Anvisa lançou um questionário para mapear a situação da rede hospitalar brasileira com relação à prática de lavar as mãos. O objetivo é que os profissionais da saúde façam uma autoavaliação sobre suas rotinas no ambiente de trabalho.

Em 2010, a Anvisa fez uma avaliação prévia em unidades de saúde do país e identificou que alguns profissionais da área têm dificuldade de higienizar as mãos como orienta a OMS (antes do contato com o paciente, após o procedimento de atendimento e também após a contaminação com algum fluído corporal).

As mãos são a principal via de transmissão de micro-organismos. Assim, a segurança dos pacientes depende de uma higienização cuidadosa e frequente dos profissionais da saúde. “A maioria dos atendimentos médicos são feitos pelo toque. Então, ao examinar, é importante lavar as mãos”, completa Mauro Asato, médico infectologista e conselheiro suplente do Conselho Federal de Medicina.

De acordo com pesquisas, o simples gesto de lavar as mãos reduz em 50% o índice de mortes por diarreia e em 25% as por infecções respiratórias. Além disso, pesquisas mundiais apontam que 40% das pessoas não lavam as mãos depois de ir ao banheiro.

O questionário Autoavaliação da Higienização das Mãos está disponível no site da Anvisa e poderá ser respondido por meio eletrônico até o dia 15 de junho

10 milhões de brasileiros já foram vacinados contra a gripe

Da Agência Brasil

cidades@eband.com.br

Um balanço parcial do Ministério da Saúde mostra que 10 milhões de brasileiros foram vacinados contra a gripe até o início da manhã desta quinta-feira. O total equivale a 34,5% do público-alvo, que é 30 milhões de pessoas. A campanha nacional começou no dia 25 de abril e vai até 13 de maio, em 33 mil postos de saúde.

Além de idosos e indígenas, devem tomar a dose crianças de 6 meses a 2 anos de idade, gestantes e profissionais de saúde. Até o fim da campanha nacional, o governo federal espera imunizar aproximadamente 24 milhões de brasileiros.

A vacina protege contra os três principais vírus de gripe que circularam no Hemisfério Sul no ano passado, inclusive o da influenza A (H1N1) – gripe suína.

A dose é única, com exceção das crianças, que devem voltar aos postos para receber outra dose um mês depois da primeira. A vacina é contraindicada para quem tem alergia a ovo.

Brasileiros têm diagnóstico inadequado de déficit de atenção

Do Metro

cidades@eband.com.br

Dificuldade de concentração e hiperatividade são as características do TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade), distúrbio psiquiátrico que atinge 5% das crianças em todo o mundo.

Para controlar os sintomas, é necessário fazer uso de medicamentos psicoterápicos que agem sobre o sistema nervoso central, aumentando a capacidade de concentração. No entanto, cerca de 75% dos brasileiros que fazem uso desse tipo de remédio não preenchiam aos critérios internacionais de diagnóstico da doença.

Esse foi um dos dados do estudo realizado por especialistas da USP, da Unicamp, do Instituto Glia e do Albert Einstein College of Medicine, nos Estados Unidos. A pesquisa colheu dados de seis mil crianças e adolescentes em 18 Estados do Brasil.

“Alguns médicos prescrevem o medicamento, mas não conhecem bem a doença”, diz Eduardo Perin, psiquiatra da Unifesp. Outro fator que explica o diagnóstico inadequado é a pressão social em relação ao desempenho escolar da criança.

Para o diagnóstico correto, os pais devem procurar especialistas de confiança e que sigam os critérios internacionais para avaliar os sintomas da doença. Também é importante verificar a necessidade do uso do remédio.


O que você deve saber sobre o TDAH e como o distúrbio atua em cada etapa da vida

- Características: o TDAH é um distúrbio psiquiátrico caracterizado pela constante falta de atenção, hiperatividade e impulsividade.

- Infância: o TDAH pode ser percebido em crianças a partir dos seis anos. Na maioria dos casos, elas são agitadas e têm dificuldade de concentração na sala de aula e em outras atividades.

- Adolescência: adolescentes que não tratam o TDAH correm risco de usar drogas e virar dependentes químicos.

- Juventude: o distúrbio dificulta o desempenho do jovem na universidade. Repetência ocorre com frequência em casos sem tratamento.

- Adultos: a probabilidade de depressão e suicídio em adultos que não buscam tratamento para TDAH é maior.

- Tratamento: à base de medicamentos psicoterápicos e terapia comportamental. O tratamento para crianças e adolescentes também deve contar com a ajuda da família e da escola.

- Escola e família: na sala de aula, a criança deve sentar-se na primeira fila e o professor deve ajudá-la sempre que necessário e chamar sua atenção. A família deve ajudar o estudante com a lição de casa, ou seja, certificar-se de sua concentração nos estudos e organização.

Especialistas descobrem que aparelhos tecnológicos podem causar rugas

Do Metro Curitiba

cidades@eband.com.br

Risos, estresse, poluição e idade são os principais fatores que causam as rugas. Há pouco tempo, especialistas descobriram que o uso de alguns aparelhos tecnológicos, como o computador e determinados modelos de celular, também prejudicam a pele e aumentam os sinais que aparecem com a idade.

As indesejáveis rugas são resultados das contrações musculares e são mais comuns ao redor dos olhos, testa e lábios. A esteticista Nichola Joss percebeu que seus clientes desenvolveram mudanças nos músculos faciais ao usar em excesso o iPhone e o Blackberry.

Quando uma pessoa olha a tela do telefone com frequencia, manda mensagens e lê emails o dia todo no celular sua a face fica tensa e ela desenvolve linhas finas e rugas precoces na testa.

Há quem acredite que o problema possa ser facilmente corrigido com um pouco de Botox, como o cirurgião Jean Louis Sebagh. Já Nichola é a favor das massagens faciais para corrigir as imperfeições.

O cirurgião especialista em antienvelhecimento Jean Louis Sebagh acredita que o BlackBerry e o iPhone aceleram as rugas. “Como os aparelhos são pequenos, é preciso forçar os olhos para enxergar bem”, diz.
Para acabar com as rugas, as pessoas procuram o Botox.

“Do ponto de vista médico, esse é um método seguro e eficaz para tratar as rugas, pois ajuda a retardar o aparecimento das linhas e diminui as que já existem”, afirma Sebagh

Já a a esteticista Nichola Joss percebeu um aumento da tensão ao redor da testa de seus clientes e notou que todos usavam com frequencia os smartphones.

“As pessoas procuram o botox cada vez mais cedo para corrigir as imperfeições. Mas acredito que o botox apenas paralisa as rugas já existentes”, diz. Para a especialista, a solução é mais simples do que parece. A massagem facial relaxa os músculos da face e alivia a tensão e as rugas

Bebê que teve perna amputada em instituto morre no Rio de Janeiro

Criança nasceu em fevereiro com quadro de hidroanencefalia; causa da morte será investigada

São Paulo, 5 - A criança que teve uma das pernas amputada em março, no Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), no Rio de Janeiro, após ser queimada por um equipamento médico no centro cirúrgico, morreu na madrugada desta quinta-feira, 5.

Segundo a Secretaria estadual de Saúde, a criança chegou já morta na Unidade de Pronto-Atendimento de Sarapuí. "Os médicos ainda fizeram manobras de ressuscitação, mas não adiantou". Um exame necroscópico será feito no corpo da criança para determinar a causa da morte.

A menina nasceu no dia 21 de fevereiro com quadro de hidroanencefalia grave e precisou passar por uma cirurgia. Segundo o instituto, durante o procedimento, a equipe observou a ocorrência de uma queimadura na região da perna direita, onde havia sido colocada a placa para utilização do bisturi elétrico, procedimento considerado padrão pelo IFF. Após seis dias do ocorrido, a equipe médica decidiu amputar a perna direita da paciente. A cirurgia foi realizada quando o bebê tinha cerca de 15 dias de vida. O instituto afirmou ter aberto sindicância para apurar o ocorrido

Mamadeira eleva o risco de obesidade em crianças

Usada após os 2 anos, mais para acalmar do que para nutrir, ela leva ao consumo excessivo de calorias

O uso prolongado da mamadeira aumenta o risco de obesidade infantil, de acordo um estudo feito nos EUA e publicado ontem no Journal of Pediatrics, um dos principais periódicos científicos na área de pediatria. Isso ocorre, segundo os pesquisadores, porque o utensílio estimula o consumo de mais calorias na medida em que os pais tendem a oferecê-lo aos bebês como uma espécie de conforto - para conter choros e manhas, por exemplo - e se esquecem de computar o alimento contido ali na hora de preparar a dieta diária das crianças.

O estudo, feito por pesquisadores da Ohio State University e da Temple University, analisou informações de 6.750 crianças, desde o nascimento até os 5,5 anos. Foi considerado uso prolongado da mamadeira quando, a partir dos dois anos de idade, a criança ainda tinha a mamadeira como principal forma de ingerir líquidos ou mantinha o costume de dormir com ela.

Do total, 22,3% dos bebês se enquadraram em um desses casos. Entre as que abandonaram a mamadeira antes dos dois anos, 16,1% foram consideradas obesas na idade de 5,5 anos. Já no grupo das que ainda mamavam, esse índice subiu para 22,9%. Segundo o estudo, uma única mamadeira pode suprir grande parcela da necessidade diária de calorias de uma criança. "Por exemplo, uma menina de 24 meses de peso médio (aproximadamente 12 kg) e altura média (aproximadamente 86cm) que é colocada para dormir com uma mamadeira de leite integral de 220 g receberia aproximadamente 12% de suas necessidades diárias de calorias (aproximadamente 1.300 calorias) daquela mamadeira", informa o artigo.

Especialistas brasileiros ouvidos pelo JT concordam com os resultados da pesquisa. Para o pediatra e nutrólogo Rubens Feferbaum, do Hospital Infantil Sabará, o uso abusivo da mamadeira é uma grande preocupação atual. "A mamadeira acaba sendo usada como um hábito de relaxamento, mas o que tem ali dentro é um líquido proteico com muitas calorias", afirma. Para ele, o ideal é que o bebê nem use o utensílio: assim que começar a tomar outros líquidos além do leite materno, a ingestão deve ser feita direto no copinho. No caso dos que já usam a mamadeira, ela deve ser banida a partir de um ano de idade.

A consultora de marketing Viviane Resende, 27 anos, tenta há tempos convencer seu filho Gabriel, de quatro anos, a deixar a mamadeira de lado. Ele toma tudo na mamadeira, exceto quando está na escola, onde não deixa que seus amigos saibam sobre o hábito. "Os pediatras sempre dão bronca. Já tentei esconder a mamadeira e dar tudo no copo, mas ele fica ‘deprimido’ e acabo cedendo", conta.

A nutricionista do Hospital São Luiz acredita que o risco de que a criança ingira muito mais calorias do que precisa é realmente aumentado pela mamadeira. "O problema é o conteúdo, que pode ter grande quantidade de açúcar e até alguns tipos de farinha para engrossar o leite. Ela pode ser substituída sem nenhum problema pelo leite no copo", garante.

A pediatra Lilian Zaboto, membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), aponta outro aspecto que pode associar a mamadeira à obesidade. "Quando o bebê mama mamadeira, ele perde a capacidade de regulação do apetite. Quando mama no peito, ele é quem ‘diz’ para a mãe o momento de parar, demonstra que está saciado. Na mamadeira, quem acaba regulando é quem oferece", explica.

Cárie nos dentes e má formação da arcada dentária também são problemas importantes acarretados pelo uso prolongado da mamadeira, segundo os pediatras.

Contra o peso extra, amamentação e pais que comem bem

Segundo a pediatra Lilian Zaboto, especialista em obesidade infantil da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), é comprovado que a criança que não é amamentada tem mais risco de desenvolver obesidade infantil.

"O leite materno é uma proteção contra a obesidade, enquanto maus hábitos alimentares e sedentarismo estão contribuindo para o crescimento desse problema no País", afirma. Lilian explica que, do total de crianças obesas, apenas 3% delas têm alguma doença endócrina ou metabólica que possa justificar o aumento de peso. "Portanto, a grande maioria dos casos de obesidade infantil é devida ao desequilíbrio entre a ingestão de calorias e o gasto de energia."

Para a nutricionista Alexandra Savani, do Hospital São Luiz, o crescimento do número de crianças obesas vem das mudanças no estilo de vida da população. "Por causa do cotidiano corrido, as famílias têm o hábito de comer muito fast-food. E os costumes das famílias são sempre absorvidos pelas crianças." Ela acrescenta que não adianta os pais tentarem oferecer uma alimentação saudável para os filhos se eles próprios não servirem de exemplo.

Outro hábito que favorece a obesidade, segundo o pediatra e nutrólogo Rubens Feferbaum, do Hospital Infantil Sabará, é os pais tentarem saciar a sede dos filhos sempre com leite e suco, em vez de água. "Forma-se um ciclo vicioso: o leite tem um monte de minerais, principalmente o sódio, que dá muita sede. Aí os pais dão mais leite ou suco", diz. Ele explica que a criança precisa ser hidratada com cerca de um litro diário de água mineral.

DIETA IDEAL PARA CADA IDADE

Até seis meses: o bebê deve ser alimentado exclusivamente por meio da amamentação

De seis meses a dois anos: a partir dos seis meses, frutas amassadas e papinhas de legumes e verduras podem ser introduzidas. Se possível, a amamentação não deve ser interrompida. Gradativamente, devem ser introduzidos alimentos sólidos como cereais e carnes

A partir dos dois anos: a criança já tem capacidade física para consumir todos os grupos alimentares e também pode beber o leite no copo.

No caso das crianças que não puderam ser amamentadas, a transição da mamadeira para o copo deve ser feita, no máximo, quando ela completar um ano.

A transição deve ser gradativa. Neste momento, podem ser usados copinhos com bico

Em seguida, deve ser introduzido o copo comum de plástico, com borda grossa

Usar copos coloridos e que tenham temas infantis é uma forma de ajudar a criança a encarar melhor a despedida da mamadeira

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,mamadeira-eleva-risco-de-obesidade,715710,0.htm

Menino Patrick completa 20 dias em estado crítico após transplante cardíaco

Criança ainda depende de suporte respiratório e renal

O INC (Instituto Nacional de Cardiologia) informou que o menino Patrick Hora Alves, de 10 anos, ainda se encontrava em estado crítico, mas estável, no início da tarde desta quinta-feira (5). Ele recebeu transplante de coração há 20 dias, em 15 de abril.

De acordo com o INC, Patrick ainda necessita de suporte respiratório e renal. Desde o início da semana, a equipe médica começou a reduzir a sedação do paciente internado na UTI (Unidade Intensiva de Tratamento).

Patrick foi a primeira criança a receber um coração artificial no Brasil, antes de passar pela cirurgia para receber o transplante do órgão.

Durante um ano e oito meses, ele foi tratado com medicamentos. Em março, passava por exames para ingressar no cadastro nacional de transplantes quando foram descobertos dois coágulos no coração.

Após a operação para retirar o coágulo, os médicos decidiram ligar o equipamento. Desde então, ele estava como paciente prioritário na lista de transplantes.

Terapia hormonal e anticoncepcional podem diminuir risco de aneurisma

Hormônio feminino protege vasos sanguíneos do cérebro de um possível rompimento


O uso da pílula anticoncepcional ou da terapia hormonal pode deixar as mulheres menos suscetíveis a sofrer um aneurisma cerebral, segundo pesquisa publicada no Journal of Surgery NeuroInterventional.

O aneurisma se caracteriza pela dilatação anormal de uma artéria cerebral que pode levar ao rompimento de vasos sanguíneos, que, em casos mais graves, pode causar uma hemorragia cerebral (acidente vascular cerebral).

O estrogênio (hormônio feminino), reintroduzido no corpo da mulher ao usar um destes métodos, ajuda a manter a estrutura das paredes dos vasos sanguíneos, promovendo a divisão das células endoteliais no interior das paredes do vaso, fato importante para repará-los se estiverem danificados.

A descoberta foi feita com base em indícios como esses: a mulheres costumam ser mais propensas a ter um aneurisma após os 40 anos, podendo chegar a casos de ruptura dos vasos entre os 50 e 59 anos, mesma época cujas taxas dos hormônios caem, devido à menopausa.

Para chegar à conclusão do estudo, os pesquisadores analisaram respostas de 60 mulheres com aneurisma cerebral sobre o uso da pílula ou da terapia hormonal, o que foi comparado com outras 4.682 mulheres em um público geral.


Estudos anteriores demonstraram que o uso da pílula anticoncepcional oral protege contra derrame hemorrágico na vida adulta, enquanto as mulheres que começam a menstruar cedo ou que não tiveram filhos correm um maior risco.

Os autores dizem que os resultados desse estudo não apenas podem fornecer esclarecimentos adicionais sobre como aneurismas cerebrais se desenvolvem e progridem, mas pode levar a novas terapias para pacientes, seja portadora de um aneurisma cerebral ou com risco de desenvolver um.

Cirurgiões britânicos criam novo crânio para menino com doença genética

Em um dos lados da sala de cirurgia, o menino Finley, com um ano de idade, está inconsciente.

O crânio do paciente foi removido e seu cérebro está exposto.

Do outro lado da sala, o especialista em cirurgias plásticas de reconstrução David Johnson corta, serra e separa as diversas partes do crânio de Finley antes de juntá-las novamente para criar um crânio com novo formato.

Dentro de 30 minutos, o médico começará a colocar o crânio remodelado sobre o cérebro de Finley, costurando o couro cabeludo do paciente, em zigue-zague, de uma orelha até a outra.

No andar de cima, na sala de espera do John Radcliffe Hospital, em Oxford, na Inglaterra, os pais de Finley aguardam, ansiosos, pela notícia de que a operação correu bem e de que seu bebê está seguro.

Foram doze longos meses de espera para o casal Diane e Lee Amey.

DIFERENTE

Quando Finley nasceu, em Salisbury, na Inglaterra, seus pais logo notaram que ele era diferente. "Sua cabeça tinha um formato estranho, com um chifre, como um rinoceronte", disse o pai. "Suas mãos estavam grudadas e seus olhos eram esbugalhados".

A família foi vista pela Unidade Craniofacial do John Radcliffe Hospital e os médicos constataram que Finley sofria de uma rara condição genética chamada Síndrome de Apert.

Crianças que sofrem desta síndrome apresentam vários problemas associados ao crescimento.

Todos nós temos suturas em nossos crânios, elas permitem que o cérebro em crescimento empurre as placas do crânio para que ele se expanda. Em crianças com Síndrome de Apert, no entanto, as suturas são coladas. Isto explica o formato distorcido do crânio de Finley e os olhos esbugalhados.

Na medida em que o cérebro cresce, a pressão pode aumentar dentro do espaço restrito no interior do crânio da criança e isto pode ser perigoso. O hospital faz complexas cirurgias para remodelar o crânio dos bebês, criando espaço para que o cérebro cresça.

É uma cirurgia extraordinária.

"É como carpintaria em 3D", disse David Johnson. "Muitas das técnicas que usamos são similares (às da carpintaria), porém o material com que trabalhamos é osso".

Após quatro ou cinco horas, a cirurgia de Finley é concluída e ele é levado para a UTI.

Os pais veem um bebê que parece diferente após a cirurgia e que é capaz, pela primeira vez, de fechar seus olhos.

No entanto, esta não é a última cirurgia a que o menino terá de ser submetido.

SÍNDROME DE APERT

Bebês que sofrem da Síndrome de Apert nascem com os dedos das mãos e dos pés colados, então Finley será submetido a outras cirurgias para que consiga usar suas mãos.

E embora o problema com seu crânio tenha sido resolvido, sua face não crescerá em proporções normais.

Dentro de alguns anos, uma outra operação vai separar os ossos de seu rosto. Depois, ao longo de alguns meses, uma estrutura de metal colocada em sua cabeça irá empurrar os ossos de sua face para a frente.

A equipe do John Radcliffe Hospital faz três grandes cirurgias de cabeça por semana. No entanto, apenas 20% dos pacientes com Síndrome de Apert têm uma alteração genética que requer várias operações.

Na maioria dos casos, os bebês nascem com uma das suturas da cabeça colada, normalmente em consequência de pressão mecânica no útero. Nesses casos, apenas uma operação para remodelar seus crânios é necessária.

Além dos cirurgiões plásticos, as crianças são vistas por neurocirurgiões, fonoaudiólogos, optometristas e psicólogos.

Os terapeutas oferecem suporte aos pais durante períodos de estresse e também os auxiliam a lidar com o estigma associado à síndrome.

"O mais difícil são as pessoas olhando para ele", disse o pai de Finley, Lee Amey. "No começo, achava isso muito difícil, mas hoje incentivo as pessoas a fazer perguntas para que eu possa explicar o que aconteceu".

"Finley não é diferente de ninguém. Ele apenas parece diferente".

Contaminação atrapalha uso de célula-tronco contra Parkinson

As células-tronco ainda não operaram as curas espetaculares que muitos esperam delas. Um novo estudo brasileiro ajuda a entender o porquê, ao menos quando se trata do mal de Parkinson.

Grosso modo, o problema é a pureza da matéria-prima injetada no paciente, sugere a pesquisa, coordenada por Oswaldo Keith Okamoto e Mayana Zatz, da USP.

Eles usaram células-tronco do cordão umbilical humano para tentar corrigir os danos neurológicos causados em ratos por uma forma simulada de Parkinson.

Quando essas células eram misturadas com outras muito parecidas, os fibroblastos, o transplante piorava a situação dos bichos, em vez de ajudá-los, o que talvez explique porque os primeiros testes desse tipo de terapia têm tido resultados sofríveis.

"Nós também queremos chamar a atenção para a necessidade de cuidado com essas células. Não basta ir injetando qualquer célula nos pacientes, porque há risco de problemas sérios", explica Okamoto. "No nosso caso, os fibroblastos não só aboliram o efeito terapêutico [das células-tronco] como houve uma piora no cérebro."

Conforme a Folha revelou em reportagem do ano passado, países como China e Alemanha abrigam clínicas onde esse tipo de terapia sem controle e sem comprovação vem sendo realizado.

SEM TREMOR

Para simular Parkinson nos animais, o grupo usou uma toxina que afeta os neurônios atacados pela doença. Os sintomas dos bichos incluem redução de sua movimentação e lentidão dos movimentos, mas muitas vezes não incluem o tremor associado a doentes de Parkinson.

Depois, alguns bichos receberam células-tronco do cordão umbilical, enquanto outros receberam só fibroblastos. Um terceiro grupo recebeu uma mistura com 50% de células-tronco e 50% de fibroblastos humanos.

A boa notícia é que a fração mais pura de células-tronco conseguiu proteger o cérebro dos animais do dano associado à doença. Elas parecem ser capazes de enganar o sistema imune dos ratos, evitando rejeição, e ainda favorecer a saúde dos neurônios das cobaias.

A má é a relativa dificuldade de conseguir diferenciar fibroblastos de células-tronco, porque a composição das células é muito parecida.

"Nunca dá para ter 100% de certeza sobre a origem das células. E ainda não sabemos quais os níveis seguros de cada tipo celular", diz. O estudo está na revista "Stem Cell Reviews and Reports".

Estudo sugere receita de suco com 7 frutas para proteger coração

Uma pesquisa francesa indica que uma receita que mistura o suco de sete frutas pode diminuir o risco de ataque cardíaco e derrame.

Os cientistas testaram diferentes "vitaminas" com 13 frutas diferentes e descobriram ---em testes de laboratório com porcos - que algumas misturas eram mais efetivas em fazer com que as paredes das artérias relaxassem.

A receita ideal, segundo os pesquisadores, inclui frutas fáceis de se encontrar no Brasil, como maçã, uva, morango e acerola. Mas encontrar os demais ingredientes - mirtilo, lingonberry (amora-alpina ou arando-vermelho) e chokeberry (conhecida nos Estados Unidos como aronia)- pode ser uma tarefa complicada.

POLIFENÓIS

Estudos anteriores revelaram que compostos encontrados nas frutas, os polifenóis, protegem o coração e impedem o entupimento das artérias.

Os cientistas franceses decidiram então testar o efeito antioxidante de diferentes misturas de sucos de frutas.

Segundo os pesquisadores da Universidade de Strasbourg, o coquetel de sete frutas mais efetivo testado por eles aumentaria o fluxo de sangue para o coração, garantindo um melhor equilíbrio entre nutrientes e oxigênio.

O estudo, publicado no periódico Food and Function, da Royal Society of Chemistry, também descobriu que alguns polifenóis são mais potentes que outros e que sua capacidade de eliminar radicais livres que podem danificar células e DNA é mais importante que a quantidade de polifenóis encontrada em cada fruta.

SAÚDE

Tracy Parker, da organização British Heart Foundation, diz que a pesquisa confirma a evidência de que o consumo de frutas e legumes reduz o risco de doenças cardíacas, mas faz uma ressalva.

"Nós ainda não entendemos por que, ou se, algumas frutas e legumes são melhores que outros. Mesmo este estudo admite que os cientistas não conseguiram estabelecer nenhuma ligação", diz ela.

"O que sabemos é que devemos comer uma boa variedade de frutas e legumes como parte de uma dieta balanceada, e suco de fruta é uma maneira prática e gostosa de fazer isso. Mas precisamos lembrar que sucos contêm menos fibras e mais açúcar que a fruta original."

Café, sexo e assoar nariz são principais gatilhos de derrames

Café, sexo e assoar o nariz podem aumentar o risco de se sofrer um derrame, segundo uma pesquisa feita na Holanda.

O estudo feito com 250 pacientes identificou oito fatores de risco que estariam ligados a sangramentos no cérebro.

Todos eles aumentam a pressão arterial que podem provocar ruptura dos vasos sanguíneos, de acordo com pesquisa, publicada na revista especializada britânica Stroke.

O sangramento pode acontecer quando um vaso sanguíneo enfraquecido, conhecido como um aneurisma cerebral, estoura. Isso pode resultar em danos cerebrais ou morte.

Os pesquisadores do University Medical Center, em Utrecht, acompanharam 250 pacientes durante três anos para identificar o que provoca derrames.

Todos os fatores citados na pesquisa aumentam a pressão arterial capaz de resultar em ruptura dos vasos sanguíneos, de acordo como estudo.

Segundo a Stroke Association, uma entidade assistencial britânica voltada para o tratamento de acidente vascular cerebral (AVCs), serão necessárias mais pesquisas para verificar se os fatores citados podem de fato provocar derrames.

Apenas no Reino Unido, mais de 150 mil pessoas sofrem de um AVC por ano, dos quais quase 29 mil se devem a sangramentos no cérebro.

O estudo revelou ainda que café foi o responsável por 10,6% dos casos em que o aneurisma rompeu. Exercícios vigorosos e assoar o nariz foram os "gatilhos" de derrames respectivamente em 7,9% e 5,4% dos casos. Fazer sexo e fazer esforço para defecar responderam por 4,3% e 3,6%.

De acordo com a neurologista Monique Vlak, autora do estudo, 'todos esses fatores induzem a uma súbita redução da pressão sanguínea, o que parece ser uma causa possível para a ruptura do aneurisma''.

A pesquisa mostra ainda que uma em cada 50 pessoas têm um aneurisma cerebral, mas somente algumas poucas sofrem um derrame.

O estudo só se debruçou sobre elementos que causam a ruptura. A alta pressão sanguínea enfraquece os vasos sanguíneos e isso pode ser provocado por se estar acima do peso, pelo fumo e por falta de exercícios fisicos.

Sharlim Ahmed, pequisador da Stroke Assocation, afirmou que ''um súbito aumento da pressão sanguínea pode aumentar a possiblidade de ruptura de um aneurisma. Mas é muito difícil determinar se os fatores identificados nesses estudo estão definitivamente relacionados com um derrame ou se seriam apenas coincidências''.

''É preciso realizar diversos outros estudos para aferir se cada um desses fatores identificados pode fazer com que um aneurisma se rompa'', comentou Ahmed.

Comprimido contra asma é tão eficaz quanto bombinha

A asma pode ser controlada apenas com comprimidos, dizem pesquisadores das universidades de Aberdeen e de East Anglia, no Reino Unido.

Eles acompanharam 650 pacientes com asma crônica que usavam bombinha ou um remédio que inibe a inflamação característica da asma.

A doença foi bem controlada nos dois casos, com a vantagem de que aqueles que usaram comprimidos tiveram mais facilidade para manter o tratamento, segundo os autores do trabalho.
O estudo foi publicado ontem no "New England Journal of Medicine".

A asma é uma doença crônica caracterizada pela inflamação das vias aéreas, causando chiado, tosse, aperto no peito e falta de ar. Hoje, há duas marcas do remédio testado na pesquisa: Singulair (Merck) e Accolate (AstraZeneca), ambas vendidas no Brasil.

Para David Price, autor do estudo, a droga aumenta em 60% a adesão ao tratamento, se comparado com a bombinha. "Os comprimidos são fáceis de usar. A adesão é crucial para controlar a doença."

Estudo australiano usa testosterona para combater Alzheimer

Cientistas australianos implantaram hormônios de testosterona em uma paciente com Alzheimer como parte de um teste clínico que, ainda em fase inicial, parece apresentar bons resultados, informou imprensa local.

O pesquisador Ralph Martins, da Universidade Edith Cowan, no Estado da Austrália Ocidental, disse que a paciente de 33 anos apresentou sinais de estabilização da memória e chegou a registrar melhoras desde o início dos testes, há 12 meses.

Martins declarou à rádio "ABC" que o avanço da doença na paciente "basicamente foi atrasado".

Ele também comentou que a testosterona poderia ser mais efetiva e rápida que outros tratamentos utilizados para deter o Alzheimer, que provoca perda da memória.

O pesquisador australiano explicou que o hormônio ajuda a reduzir a produção da proteína beta-amiloide, que contém tecido cerebral e está relacionada à doença.

Os cientistas disseram que vão prosseguir com os testes clínicos em pacientes com Alzheimer em outras partes do país.

Caso do hormônio que provocou mortes na França fica sem punição

O drama do hormônio de crescimento, um escândalo médico dos anos 90 que provocou a morte de 119 crianças tratadas por problemas de baixa estatura, na França,ficou sem punição aos acusados, absolvidos nesta quinta-feira pelo Tribunal de Apelação de Paris.

É a segunda vez que os responsáveis de terem colocado o produto no mercado saem ilesos. O hormônio era feito a partir de glândulas de cadáveres obtidas de forma ilegal em necrotérios franceses e de países do leste europeu, que disseminaram a doença de Creutzfeldt-Jakob para dezenas de pacientes

O Tribunal estimou que, assim como na primeira instância no Correcional em 2009, os cientistas não possuíam conhecimentos suficientes para saber as consequências do uso do hormônio em crianças.

Foram absolvidos o antigo responsável do Instituto Pasteur, Fernand Dray, que desenvolveu o hormônio, e a pediatra Elisabeth Mugnier, que recomendou o uso, os dois únicos acusados sentados nos bancos dos réus.

A corte entendeu que eles não cometeram "nenhuma falta" e, portanto, foram declarados inocentes das acusações de homicídio involuntário.

A apelação foi mais longe e os absolveu das responsabilidades civis, por isso não terão de indenizar as vítimas, que receberam até agora 32 milhões de euros do Estado.

O ex-presidente da associação França-Hipófises, Jean-Claude Job, considerado homem-chave do escândalo, morreu um mês antes de ser ditada a sentença em 2009, enquanto o antigo responsável, da Farmácia Central de Hospitais Marc Mollet, faleceu no decorrer da instrução da Apelação.

Os familiares das vítimas assistiram incrédulos à leitura da sentença, um novo revés jurídico para homens e mulheres que há 25 anos querem punição dos responsáveis pelas mortes de seus filhos.

As associações começaram a estudar a possibilidade de levar o caso à Corte Suprema.

Ao todo, 1.698 crianças foram tratadas, das quais 119 foi possível vincular a morte à ingestão da substância. Apesar disso, os familiares das vítimas estimam que o número de afetados é maior, pois a doença, degenerativa e sem cura, tem um período de incubação de cinco e 40 anos.

Todos eles fizeram tratamento com o produto revolucionário nos anos 80, extraído da hipófise de cérebros de cadáveres.

O Tribunal considerou que a extração da substância foi feita de cadáveres sem respeitar as medidas de higiene e de controle adequadas, em algumas ocasiões em hospitais que tratavam pacientes com doenças neurológicas e contagiosas.

Fabricada entre 1980 e 1988, os efeitos do hormônio começaram a ser detectados a partir dos anos 90, quando as primeiras vítimas morreram.

Depois do escândalo, este tipo de produto deixou de ser produzido a partir de glândulas humanas e foi substituído por hormônio elaborado a partir de elementos sintéticos, sem riscos de contaminação da doença de Creutzfeldt-Jakob.

HC testa estímulo magnético para tratar dor crônica

Para aliviar dores crônicas que não melhoram com remédios, o Hospital das Clínicas de São Paulo está testando um tratamento com estimulação magnética.

Uma bobina que gera um campo eletromagnético é apoiada na cabeça do paciente. O aparelho estimula áreas do cérebro ligadas à dor e à liberação de substâncias produzidas pelo próprio corpo que têm efeito analgésico.

A técnica, não invasiva e indolor, é indicada para dores neuropáticas, que atingem 7% da população.

Quando se torce o pé, por exemplo, o nervo saudável leva a informação da dor para o cérebro. Na dor neuropática, a lesão é no próprio nervo. A sensação pode ser de queimação, formigamento ou pontadas.

É o caso de dores causadas por mal de Parkinson, esclerose múltipla, fibromialgia, diabetes e quimioterapia, em pacientes com câncer.

De acordo com Daniel Ciampi, neurologista e coordenador do grupo de dor clínica do HC, mais de 500 pacientes já foram submetidos à estimulação.

MENOS REMÉDIOS

Um estudo do grupo, publicado on-line no periódico "Pain", mostrou a eficácia da técnica para dor de fibromialgia. A pesquisa avaliou 40 pessoas por seis meses.

Para Pedro Schestatsky, chefe do comitê europeu de dor da Sociedade Europeia de Neurologia, não há dúvidas sobre os benefícios da estimulação magnética.

"Não é mais 'achismo'. Os benefícios já foram provados em estudos muito bem feitos pelo mundo", afirma.

Uma vantagem da técnica, diz ele, é a redução do número de remédios para pacientes que já tomam outras medicações, como diabéticos.

A estimulação também pode ajudar quem não tem bons resultados com remédios. Ciampi afirma que 25% dos pacientes com dores crônicas neuropáticas não respondem aos medicamentos (antidepressivos e antiepilépticos).

O neurologista afirma que a técnica, ainda experimental, deve ser aprovada pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) ainda neste mês.


RESSALVAS

Estudos apontam que a estimulação transcraniana pode causar dor de cabeça e, mais raramente, epilepsia.

Segundo Marcos Vidal Dourado, pesquisador do departamento de neurologia da Unifesp, o tratamento pode causar efeitos colaterais temporários, como tontura e visão com pontos luminosos.

"Deve-se aguardar mais estudos para esclarecer as aplicações da técnica e dar mais segurança aos pacientes." Ciampi afirma que 60% dos pacientes têm benefícios.

O auxiliar de expedição Djair Rosendo da Silva, 46, espera estar em breve dentro do grupo beneficiado.

Há 22 anos ele sofre com uma dor constante no lado esquerdo do rosto. Começou a fazer a estimulação nesta semana. "Uso medicação há 12 anos, mas não adianta muito", conta."Os médicos já estavam meio perdidos comigo, sem saber o fazer. Agora, espero que melhore."