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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Depressão avança no mundo e desafia médicos

Doença é causada por uma combinação de fatores e requer diferentes frentes de tratamento

A depressão avança rapidamente mundo afora, apesar dos inúmeros esforços para contê-la.

Novos medicamentos, campanhas mundiais e mais acesso aos tratamentos psiquiátricos não parecem suficientes para evitar projeções bem negativas da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O mundo tem hoje 121 milhões de pessoas deprimidas, sendo cerca de 17 milhões no Brasil. Nos próximos 20 anos, a doença deve se tornar tão comum que pode ultrapassar câncer e AIDS.

“Concordo que vá piorar. O ser humano é biopsicológico e social, as causas da depressão também”, avalia Geraldo Possendoro, psiquiatra e professor da Unifesp.

Se um paciente perguntar ao médico porque está deprimido, a resposta não será simples. Mas em algum momento da explicação, certamente, o médico usará o termo “multifatorial”.

“Existe a tendência genética, mas é só isso. Ansiedade e estresse também exercem um papel muito importante”, aponta o especialista. Os estímulos do cotidiano ao qual a pessoa está inserida podem favorecer uma eventual predisposição genética.

Além da relação entre ambiente e genética, existe o fator emocional. A estrutura psicológica da pessoa dá suporte aos desafios do dia a dia. Se ela tiver uma boa estrutura, terá mais facilidade em superar situações difíceis e lidar com frustrações. “É sua estratégia de enfrentamento”, esclarece a psiquiatra Alexandrina Meleiro, doutora em psiquiatria pela USP.

A médica explica que a família exerce um papel fundamental na construção das bases emocionais da pessoa. “Família desestruturada, lar desfeito e mãe ausente, tudo isso favorece a instabilidade”, enumera.

Início sutil

Mesmo quando tudo joga contra a pessoa, a depressão não surge do dia para a noite. É um processo lento. Ninguém dorme feliz e acorda deprimido, embora seja justamente essa a primeira impressão de alguns pacientes.

A engenheira Bernardete Araújo, hoje com 56 anos, era uma consultora bem-sucedida quando se deparou com uma crise de estresse, há oito anos. O desgaste era tanto, que surgiram dores no estômago, nas pernas e na coluna. “Fiz uma avaliação médica e descobri que era depressão”, recorda.

No primeiro momento, o diagnóstico foi uma surpresa e pareceu mesmo uma consequência do cotidiano estressante. Mas a história da doença, na verdade, era bem maior. Uma observação mais atenta ao passado de Bernardete revelou que ela já sofria crises desde a adolescência. “Mas não sabia o que era”, conta.

Casos como o da engenheira são mais frequentes do que se imagina. “Adolescentes podem ter depressão combinada com ansiedade”, aponta Alexandrina. Isso dá um comportamento atípico ao paciente, diferente da tristeza e apatia que geralmente se espera de alguém deprimido.

Início marcante

No outro extremo da depressão, Érica Priscila Coronato, de 39 anos, sempre soube muito bem quando sua doença começou.

“Tive uma crise em 1997, depois que minha mãe morreu”, conta.

O trauma exigiu seis meses de tratamento feito em hospital, combinado com uso de medicamentos e terapia particular. “Parei de trabalhar. Fechamos um restaurante que era administrado pela minha família”, recorda-se.

A dedicação ao tratamento passou a ser quase integral. Por recomendação da terapeuta, Érica passou a frequentar o Centro de Convivência Cooperativa (Cecco) do Parque Ibirapuera, em São Paulo. “Ia todo dia. Fazia mosaicos, terapia em grupo, pintura em tela e bordados. Adorava os artesanatos”, diz.

Ficar triste pela morte da mãe é uma reação esperada em qualquer pessoa, mas isso não significa que a morte de um parente querido sempre causará depressão. “Tristeza é um sentimento natural e fisiológico. É uma resposta a um estímulo”, esclarece Alexandrina. A persistência do sentimento é que configura algo patológico. “Isso gera alterações neuroquímicas e caminha para um quadro de depressão”, explica.

Não é uma escolha

Quando a pessoa adoece, ela não está simplesmente triste e precisando de algo para se distrair e ganhar ânimo. Depressão interfere na produção de noradrenalina e serotonina, neurotransmissores importantes para o bom funcionamento do cérebro.

Outros neurotransmissores também podem ter seus níveis alterados e, com isso, a pessoa passa a ter dificuldade para desempenhar algumas atividades. Bernardete, por exemplo, tinha dificuldade para se concentrar e não conseguia tomar decisões.

“Até coisas simples eram difíceis. Minhas amigas me convidam para o cinema, e não sabia se ia ou não”, recorda.

Falta de concentração, tristeza e dificuldade para tomar decisões são alguns dos sintomas mais conhecidos da depressão. Contudo, existem outros. “Homens somatizam mais e podem ter AVC (acidente vascular cerebral) e infarto. Outras especialidades médicas não estão preparadas (para diagnosticar esses sintomas como depressão), embora exista uma consciência maior sobre a doença”, avalia Alexandrina.

A médica defende que toda especialidade médica deve saber como diagnosticar, ou ao menos como levantar a suspeita, de que seu paciente esteja deprimido. Em consultórios de ortopedistas, a reclamação de dor pode ter origem na depressão. O mesmo pode acontecer em consultas com endocrinologistas, cardiologistas e até cirurgiões plásticos.

“A pessoa quer mudar o nariz, faz a cirurgia e até fica feliz no primeiro ano. Mas a causa da depressão ainda está lá”, alerta a psiquiatra. “A chance de suicídio é maior em mulheres com prótese mamária, dez anos após o implante”, alerta Alexandrina.

Na opinião da especialista, ainda existe uma banalização dos problemas com fundo emocional. “Isso é visto como se não fosse algo sério”, afirma. Uma das implicações disso é o diagnóstico tardio da depressão, quando o paciente já passou por algumas crises e tem a doença cronificada. “A chance de precisar de medicação para o resto da vida fica maior”, diz a médica.

Se a detecção da depressão for bem precoce, há boas chances dela ser controlada apenas com terapia, sem qualquer medicação. Isso é que desejam os especialistas, mas a realidade é diferente. “Quem sofre da doença tem de cinco a dez episódios na vida”, afirma o psiquiatra Primo Paganini, gerente médico de grupos de produtos da Pfizer.

Depressão aumenta o risco de infarto

Paciente deprimido sofre alterações neuroendócrinas e imunológicas graves. Perigo é maior entre homens

Nem sempre a depressão é caracterizada por tristeza e falta de interesse nas atividades cotidianas. A doença pode se manifestar como infartos e AVCs (acidente vascular cerebral).

“Esse tipo de reação é mais comum em homens, apesar da doença atingir duas ou até três vezes mais mulheres”, aponta a psiquiatra Alexandrina Meleiro, doutora em psiquiatria pela USP.

A médica explica que o paciente deprimido sofre alterações endócrinas e imunológicas graves, que afetam o funcionamento do cérebro.

“Algumas são muito negativas, como o aumento do colesterol e dos triglicerídeos na corrente sanguínea, da pressão arterial e aceleração da frequência cardíaca”, alerta a psiquiatra.

Tudo isso representa uma grande ameaça ao coração.

Outro agravante para o coração é o cortisol. O hormônio é liberado em pessoas sob estresse, fator presente em muitos portadores de depressão. “O cortisol deixa o sangue mais espesso”, aponta a psiquiatra.

Por outro lado, quem sofre de problemas cardíacos também apresenta maior predisposição para desenvolver depressão. “A prevalência da depressão na população em geral é de 4% a 7%, enquanto nos portadores de doenças coronarianas ela salta para 14% a 47%”, compara a médica.

Provavelmente, acreditam os especialistas, as limitações impostas aos infartados em recuperação sirvam de estopim para a depressão.

Desafio da prevenção

Como o risco de infarto é maior em pacientes com depressão, é necessário ainda mais cuidado para combater os fatores de risco para doenças cardiovasculares. Mas isso não é simples.

“Como uma pessoa deprimida pode ter motivação para cuidar de sua alimentação e fazer exercícios com regularidade?”, questiona Alexandrina.

A situação pode ser ainda mais grave se o paciente já apresentar fatores de risco para o coração, como excesso de peso. A intervenção médica deve ser rápida, com terapia e uso de medicações.

Os medicamentos contra depressão, antes de surtirem efeito sobre as alterações neuroquímicas da doença, já promovem melhoria na capacidade motora. Por um lado, isso traz a vantagem de facilitar a adesão aos programas de exercícios. Por outro, é um momento delicado no qual o paciente tem mais chance de cometer suicídio.

Prevenção do suicídio

“Antes do tratamento, ele não tinha nem forças para se matar. Agora, no começo da medicação, ele pode obter essa força antes da medicação surtir efeito sobre a depressão”, alerta a psiquiatra.

Para agravar mais a situação, o suicídio ainda é tabu em muitos consultórios médicos. “Acho que muito médicos não perguntam se o paciente tem pensamentos suicidas porque eles não sabem o que fazer com a resposta”, comenta.

Mas é justamente o ato de perguntar que dá início à prevenção. “Se o paciente disser que pensa em tirar a própria vida, o médico deve convencê-lo a desistir”, orienta. Se isso não for possível, medidas mais radicais se fazem necessárias, como alertar familiares ou propor uma internação.

O medicamento leva alguns dias para surtir um efeito mais amplo e, depois de duas semanas, o paciente tem o risco de suicídio bastante reduzido. Mesmo assim, o acompanhamento multidisciplinar deve continuar, com terapia, medicação e exercícios.

Venda de remédios vai movimentar R$ 55 bilhões este ano

por Saúde Business Web

09/05/2011

Estudo mostra que consumo per capita de brasileiro com medicamentos será R$ 337. Classe C é a que apresenta maior potencial de consumo

Um balanço divulgado pelo Pyxis Consumo, ferramenta de dimensionamento de mercado do IBOPE Inteligência, mostrou que o comércio de medicamento deve movimentar R$ 55 bilhões este ano.

A classe C, responsável por 50,4% dos domicílios urbanos, é a que apresenta maior potencial de consumo nesse segmento: 42,0% de todo o consumo de medicamentos provêm dela. Já a classe B, com 23,5% dos domicílios em áreas urbanas, responde por 37,0% do potencial de consumo da categoria. A classe A (2,5% dos domicílios) tem potencial de 11,0% e a DE (23,6% dos domicílios), de 10,0%.

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Santa Casa de SP pode fechar pronto-socorro

por Saúde Business Web

09/05/2011

Dívida da instituição é de R$ 120 milhões

A Santa Casa de São Paulo ameaça fechar as portas do pronto-socorro da unidade central até o fim do mês caso não consiga ajuda dos governos municipal, estadual e federal para reverter a crise financeira por que atravessa. A dívida chega a R$ 120 milhões.

De acordo com Antonio Carlos Forte, superintendente do hospital, a situação financeira se agravou em 2010 e só tem piorado neste ano. O hospital atende exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O governador Geraldo Alckmin anunciou na sexta (06) um repasse extra para as Santas Casas do interior. A de São Paulo ficou de fora, pois já recebe um aporte extra de R$ 1,8 milhão ao mês. De acordo com informações do jornal O Estado de S. Paulo, a entidade fechou 2010 com uma dívida de R$ 80 milhões, com prejuízo nos quatro primeiros meses deste ano na ordem de R$ 40 milhões.

Segundo o superintendete do hospital, Antonio Carlos Forte, o volume de atendimentos no pronto-socorro aumentou 30% em um ano - hoje são atendidos cerca de 1.030 pacientes por dia.

Na quinta (05), técnicos e diretores do Ministério da Saúde visitaram a unidade. O secretário de Atenção à Saúde do ministério, Helvécio Magalhães, diz que foi criada uma equipe tripartite (envolvendo os três governos) para analisar as finanças do hospital.

De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde, na capital paulista, a Santa Casa é o hospital que mais recebe recursos extras. A pasta diz que se prontificou a criar um plano de ajuda financeira ao hospital e espera que a unidade não reduza o atendimento, pois acredita que uma medida extrema como o fechamento do pronto-socorro irá prejudicar milhares de pessoas.

Pronturário eletrônico: um dever de casa

Se não fizer o dever de casa, não ganha mesada.

O mercado de saúde suplementar esconde algumas peculiaridades que às vezes parecem travessuras.

No mesmo momento em que simultaneamente ocorrem discussões de alto nível entre os seus “players” (que mania que nós temos de querer usar expressões de impacto!!!), todas tentando de alguma forma trazer alguma contribuição para esse intrincado jogo, alguém às vezes nos faz recordar o quão incoerente somos em cuidar para que a casca fique bonita, quando o recheio está azedo.

Essa é a situação em que se encontra a forma como os hospitais tratam de seus prontuários. Tantas vezes já foi falado sobre a importância da existência de prontuários preenchidos de forma adequada que chega a ser cansativo. Porém os avanços são tão tímidos no caminho da conformidade, que sempre valerá a pena ser lembrado.

O prontuário do paciente é o principal documento dentro da organização de saúde, notadamente a hospitalar. Ponto. Entretanto, salvo honrosas exceções, é freqüentemente relevado a um segundo plano. E por que isso ocorre?

Nossa cultura de “dar um jeito nas coisas” é muito forte. Com relação à classe médica, a minha classe, mais ainda. Somos corporativos e temos a tendência de transferir responsabilidades nossas para outros profissionais (quantas vezes as enfermeiras que trabalham conosco não preenchem documentos, dão orientações a pacientes, praticam atos que deveriam ser de nossa alçada?). Somos acomodados e tornamos quem está ao nosso redor acomodado também. Somos contagiantes no sentido de convencer a todos de que podemos fazer diferente, mas nunca o fazemos. Os setores de auditoria, tanto interna quanto externa, nem sempre tem a atitude ideal perante isso, pois implica em ser antipático, chato e mal visto. Diretorias hospitalares não gostam de auditores, principalmente os externos. Ainda mais se eles ficam “pegando no pé” com coisas tão desimportantes, né? Daí a pressionar quem quer que seja a trocar o profissional por outro mais tolerante é um pulo. Alguém já viu esse filme?

Os pacientes e seus familiares, em função de uma assimetria de informação engessada, também quase nunca sabem a diferença entre um prontuário adequado e outro não adequado. Muito menos imaginar que um desfecho ruim de seu ente querido pode ter alguma relação com isso. A justiça comum, portanto, em geral não tem alcance nessa questão.

Os tribunais éticos também só funcionam sob demanda. E são pequenas, pois ninguém quer se expor. Os próprios gerentes ou diretores médicos parecem não se importar muito com o fato, pois não se encontram com freqüência iniciativas moralizantes para com os prontuários dos pacientes.

As fontes pagadoras, essas sim podem a qualquer momento ampliarem sua atuação, passando a não remunerar mais contas hospitalares que contenham prontuários incompletos, rasurados, carecendo de objetividade e, principalmente, sem justificativa para a permanência do paciente no ambiente hospitalar. Podem mas não o fazem. E não o fazem porque seria uma sangria adicional bastante antipática nesse momento de crise. E, estrategicamente, o impacto para quem está pagando em geral não se compara a outros itens da conta que têm peso muito maior, e para onde são direcionadas todas as atenções (principalmente OPME). As auditorias são orientadas a isso.

Vamos então vivendo e vendo as transformações físicas e funcionais maravilhosas, tais como incorporações tecnológicas, padrão de hotelaria e “hostess” (olha nós de novo!) cada vez melhores, certificações pela qualidade, etc. Prontuário que é bom, nada.

Aliás, mais recentemente os gestores têm investido na aquisição de sistemas de prontuário eletrônico. Essa ferramenta veio para revolucionar o dia a dia das organizações de saúde. Com relação ao prontuário, questões como a legibilidade e o armazenamento da informação são conquistas incontestáveis. Mas, em alguns hospitais, infelizmente tem servido para repetir os mesmos erros, e às vezes acrescidos de outros, tais como o uso excessivo do Control+C/Control+V. O problema não é a ferramenta. O problema é o que vai ser introduzido nela. Saber os princípios elementares da boa prescrição é uma questão de aprendizado na graduação, e que pode ser deturpado tanto no meio físico quanto eletrônico.

Vou dar uma dica aos gerentes médicos: tomem cuidado. Do jeito que a coisa anda, de nada vai adiantar ser um gigante dentro de uma perspectiva, e uma formiga em outra. Organização plenamente ajustada não se esquece de fazer seu dever de casa direito, para só assim poder fazer jus a uma posição de respeito e confiança.

Senão fica sem mesada.

postado por Sandro Scárdua

Incontinência urinária noturna aumenta o risco de quedas

Sonolência, obstáculos na casa e sensação de urgência para ir ao banheiro favorecem os acidentes. Veja como diminuir o risco

Entre todos os transtornos que podem ser causados pela incontinência urinária, um deles é especialmente grave e pode comprometer seriamente a saúde feminina. São as quedas no banheiro da própria casa.

Cerca de 48% das mulheres com incontinência levantam ao menos uma vez no meio da madrugada para urinar.

“O retorno (do sangue) venoso é maior quando a pessoa está deitada porque fica mais fácil para o coração bombear o sangue, especialmente com o passar dos anos”, explica a ginecologista Raquel Figueiredo, do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), de São Paulo.

O sangue venoso é aquele que retorna de todo o corpo, depois de levar o oxigênio. Ele também carrega as impurezas do organismo, por isso é filtrado, processo no qual se forma a urina.

Com mais urina sendo produzida à noite, a mulher com incontinência tem o desejo de urinar acompanhado da sensação de urgência. “Não é raro a pessoa não se conter e acabar escorregando na própria urina, por causa do chão liso no banheiro”, revela a especialista.

Idade

A combinação quedas e urgência para urinar tende a piorar com a idade. Ela aparece mesmo em mulheres que não tinham incontinência, forçando-as a se levantarem à noite para ir ao banheiro. “Pelo menos 15% das mulheres após 65 anos levantam duas ou mais vezes por noite”, aponta Raquel.

Essa necessidade é chamada de noctúria. “Quem levanta de duas a três vezes por noite para ir ao banheiro tem de 1,8 a 2,1 vezes mais chance de sofrer uma queda”, explica a médica.

A sonolência favorece os acidentes noturnos. Para evitar, os geriatras recomendam ter a casa preparada para as necessidades do idoso, com fácil acesso à iluminação, sem obstáculos nas passagens, principalmente entre quarto e banheiros, além de apoios adequados próximos ao vaso sanitário. As quedas afetam 30% dos idosos brasileiros.

Não são apenas pessoas idosas que sofrem de incontinência urinária, mulheres jovens também enfrentam o problema. Segundo estimativa da Sociedade Brasileira de Urologia, a cada 25 pessoas, uma desenvolve incontinência urinária.

Redução de riscos

É possível combater a noctúria com algumas mudanças simples de comportamento. Essa costuma ser a primeira estratégia adotada pelos médicos.

1) Não ingerir líquidos nas duas horas antes de dormir e ir ao banheiro antes de deitar
2) Tratar as varizes. Os vasos dilatados tendem a segurar o sangue durante o dia. À noite, quando a pessoa deita, o bombeamento de sangue fica mais fácil e, assim, a pessoa produz mais urina. Uso de meias elásticas, emagrecimento e, em último caso, cirurgia contra varizes combatem a noctúria
3) Evitar bebidas alcoólicas e uso de medicamentos diuréticos
4) Ter controlada doenças como diabetes, insuficiência renal e apneia do sono

A ginecologista explica ainda que existem problemas relacionados à capacidade de armazenamento da urina que podem levar à noctúria. “Uma delas é a síndrome da bexiga hiperativa”, aponta.

Também conhecida como bexiga nervosa, ela se contrai o tempo todo, como se estivesse sempre cheia de urina. “Isso faz com que a mulher sinta vontade de urinar mesmo quando tem pouco conteúdo na bexiga”, explica a fisioterapeuta Priscila Yoda, do Iamspe. Ela explica que em grande parte das situações, uma série de exercícios que podem ser feitos em casa consegue controlar o problema. Mas antes é preciso uma orientação individualizada, baseada na avaliação de cada paciente.

“Em cerca de três meses, ela já consegue ganhar mais força, embora os resultados já possam ser notados a partir das primeiras sessões”, conta Priscila. Em alguns casos, a situação pode ser agravada por fatores psicológicos.

Fator psicológico

“Tenho pacientes que saem de casa, vão ao shopping, fazem compras, mas na hora em que entram no elevador perdem urina. Elas têm perda urinária relacionada a um estímulo psicológico”, explica Raquel.

São muitos os gatilhos, e todos muito individualizados. Há mulheres que têm incontinência ao ouvir barulho de água, outras ao lavar roupas, outras ao passar de um ambiente quente para outro frio.

O primeiro passo do tratamento é identificar o gatilho psicológico e se preparar, quando possível, para ele. “A paciente deve manter a bexiga sempre vazia quando for lidar com o estímulo psicológico, seja antes de voltar para casa ou quando for lavar a roupa, por exemplo”, recomenda a ginecologista.

O segundo passo do tratamento pode ser feito com fisioterapia. Em casos extremos, a incontinência requer intervenção cirúrgica. Mesmo assim há risco dela voltar, por isso é recomendado tratamento multidisciplinar.

Paciente fica com a conta da briga entre plano e hospital

Pacientes estão se tornando as vítimas das disputas entre convênios e hospitais, segundo reportagem de Talita Bedinelli publicada na edição desta segunda-feira da Folha. Os hospitais repassam aos pacientes valores de materiais usados já esperando que o usuário recorre à Justiça, ao Procon ou à ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).

A reportagem completa está disponível para assinantes da Folha e do UOL.

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/913146-paciente-fica-com-a-conta-da-briga-entre-plano-e-hospital.shtml

Criança já nasce com dente e atrai atenções no interior de SP

A surpresa foi grande para a autônoma Andréia Pires Jacinto Ladeia, 33, quando ela percebeu que a filha Alana Pires Jacinto Ladeia já nasceu com um dente. "A gente pensou que era leite. Só quando coloquei o dedo é que senti o dente", disse.

O fato inusitado aconteceu na última semana. Andréia deu à luz sua segunda filha na segunda-feira à noite, mas só foi perceber o dente na última sexta-feira. "Achei engraçado. Não acreditávamos que seria um dente. Daí todo mundo quis ver", disse.

Segundo a mãe, a pediatra que atendeu a criança nos primeiros dias de vida disse que ela estava com uma inflamação na gengiva. "Na verdade, a gengiva estava inchada por causa do dente. E ainda tem um segundo para sair", disse Andréia.
                                                                                                                                                                       Silva Junior/Folhapress
Alana Pires Jacinto Ladeia nasceu na última segunda-feira e surpreendeu ao já ter um dente na boca.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Odontologia, Newton Miranda de Carvalho, o caso não é comum, mas é normal. "As crianças já podem nascer com dente e isso não é uma doença. As mães podem ficar tranquilas", disse.

O dentista explicou que o surgimento do dente pode ter ocorrido por causa da germinação do dente muito próximo à gengiva. "Pode ser um dente que iria nascer ou até uma terceira dentição, que vai cair para nascer o dente de leite".

Carvalho afirmou que, para a criança, não há nenhum prejuízo. O único problema pode estar na amamentação. "Porém, como em toda situação, recomendamos que a mãe procure um dentista e um pediatra", disse.

Andréia afirmou que dois dentistas já avaliaram sua filha e que ela passará por consultas em breve. "Com relação à amamentação, estou intercalando o peito com a mamadeira. Quando não consigo fazê-la mamar, por causa das mordidas, faço a extração do leite."

Brilho diferente em olho leva a diagnóstico de câncer em bebê

Ativistas querem que pais sejam alertados sobre uma forma rara de câncer que pode ser detectada através de sinais no olho da criança.

O retinoblastoma, um tumor maligno da retina que afeta crianças com menos cinco anos de idade, pode levar à remoção do olho se houver demora no tratamento.

Detectar a presença do tumor o mais rápido possível pode acabar sendo decisivo - o que pode ser feito com ajuda de uma mera fotografia.

O sinal mais claro do retinoblastoma é um tipo de brilho branco na pupila do olho, causado pelo reflexo da luz do tumor na parte posterior do olho do bebê. Ele pode ser detectado em fotos do rosto da criança, especialmente quando a cor branca de um olho contrasta com a cor do outro olho.

Ali Fryer, mãe do pequeno Darcey, deve à observação de uma amiga o diagnóstico de sua filha de seis meses, que se deu em fevereiro.

"Uma ex-aluna de piano minha viu um pequeno brilho no olho direito de Darcey (em uma foto) e sugeriu que eu a levasse ao médico. Eu a levei na manhã seguinte e nosso médico nos conduziu diretamente para a emergência. Naquela tarde mesmo (o diagnóstico) foi confirmado'', conta a mãe.

Ali nunca havia ouvido falar dessa condição. Ela e seu marido não tinham ideia do futuro que seria reservado à sua filha. Foi uma época confusa e penosa.

"Se o tumor tivesse sido um pouco maior, o olho dela teria de ser removido. No momento há um chance de que em seis meses a quimioterapia possa salvar seu olho'', conta a mãe.

Tratamento

Darcey foi submetida a quimioterapia e a exames regulares sob anestesia, para avaliar o seu progresso.

A criança conta com uma chance de 50% de manter o seu olho direito. Há o perigo de que o tumor se propague para o olho esquerdo - mas é raro que isso aconteça.

No momento, a quimioterapia vem reduzindo o retinoblastoma e Darcey está lidando bem com os efeitos colaterais.

A mãe conta que foram prescritos remédios que visam amenizar os efeitos colaterais do tratamento, como uma solução de lactose para combater a constipação, e "um creme maravilhoso para prevenir o ressecamento da pele e a perda de cabelo". "Bem, ela só tem alguns fios, de qualquer maneira", afirma Ali.

A família vem recebendo a visita de enfermeiras duas vezes por semana. Elas monitoram a quimioterapia e realizam testes sanguíneos.

Na Grã-Bretanha, a retinoblastoma afeta um em cada 20 mil bebês por ano e representa 3% dos tipos de câncer no país.

A boa notícia é que 98% das crianças submetidas a tratamento sobrevivem. Mas cerca de 80% das crianças afetadas acabam tendo o olho removido porque a maior parte dos casos não é diagnosticada cedo o suficiente.

Prevenção

Ashwin Reddy, cirurgião ocular infantil e perito em retinoblastoma do Royal London Hospital diz que o tumor é capaz de matar.

"Detectar o reflexo branco ou brilho branco no olho pode fazer uma diferença vital porque, assim, o tumor não vai estar tão evoluído e nós não seremos obrigados a remover o olho'', afirma.

A quimioterapia é o tratamento padrão para o retinoblastoma, mas também podem ser usados terapia a laser e radioterapia.

Um tipo relativamente novo de quimioterapia no qual medicamentos são submetidos diretamente ao olho por meio de uma artéria na perna evita as tradicionais complicações decorrentes da quimioterapia tradicional, que é aplicada através de uma linha intravenosa central.

Mas ainda não há garantias de que novos tratamentos sejam bem-sucedidos.

Crianças que acabam tendo de ter seu olho removido podem tê-lo substituído por um olho artificial aplicado seis semanas após a operação.

Ali Fryer adverte para a a necessidade de detectar os sinais da retinoblastoma ainda no estágio inicial.

"Se você constatar algo incomum no olho de seu bebê ou de sua criança, por favor leve-a ao médico. Pode muito bem não ser nada e você poderá permanecer tranquilo. Ou pode ser algo que exige tratamento. E se for retinoblastoma, você poderá salvar os olhos de sua criança, se não a própria vida dela.''

Propagandas antigas - Molhado até os ossos



“Quando V. Exa. menos espera…pai! Um aguaceiro tremendo. E sem guarda-chuva, sem abrigo, sem nada, enfim! Levanta a gola e dirige-se a sua casa, como um valente. Ao chegar, porém, está molhado até os ossos. Tem os pés úmidos e sente calafrios, mal estar e dores de cabeça. Cuidado! Troque a roupa imediatamente e tome dois comprimidos de Cafiaspirina. Elicaz contra as dores de cabeça, dentes e ouvidos, nevralgias, reumatismo, mal estar causado por tresnoitadas e excessos de bebidas alcoólicas etc.”.

14 de abril de 1925.

Governo de SP repassa R$13,2 milhões para Santas Casas

Os recursos serão pagos até o próximo mês e deverão ser usados pelos hospitais para pagar fornecedores, adquirir materiais ou realizar pequenas reformas

SÃO PAULO - A Secretaria de Estado da Saúde liberou nesta sexta-feira, 6, um repasse extra de R$ 13,2 milhões para auxiliar Santas Casas, hospitais filantrópicos e Apaes (Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais) de São Paulo. Ao todo, serão 360 entidades serão beneficiadas.

Os recursos serão pagos até o próximo mês e deverão ser usados pelos hospitais para pagar fornecedores, adquirir materiais ou realizar pequenas reformas. A verba visa auxiliar no equilíbrio financeiro das instituições que, em sua maioria, apresentam problemas de caixa em razão da defasagem da tabela de procedimentos do SUS (Sistema Único de Saúde), definida pelo Ministério da Saúde. "Muitas entidades se encontram em dificuldade financeira, porque a tabela SUS geralmente remunera mal, e por isso este repasse extra é tão importante", afirmou o secretário de Estado da Saúde de São Paulo, Giovanni Guido Cerri.

O valor foi dividido conforme o volume de atendimento das entidades pelo SUS. A Grande São Paulo será a região mais beneficiada, com um repasse no valor de R$ 4,4 milhões. Esse total será distribuído entre 40 hospitais filantrópicos. A segunda região que receberá maior verba é Campinas, com repasse de R$1,07 milhão, seguida por São José do Rio Preto, com R$1,03 milhão. A verba para cada hospital varia de R$ 20 a R$ 350 mil, conforme tabela divulgada pela Secretaria.

Após socorro a planos de saúde em crise financeira, ANS não é ressarcida

Entre 2005 e 2009, a Agência Nacional de Saúde Suplementar emprestou R$ 33 milhões para empresas com as contas em desequilíbrio, mas apenas 8% delas conseguiram se recuperar; pacientes sofrem com a perda de garantias de atendimento

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) repassou para operadoras de saúde com problemas financeiros e em liquidação extrajudicial o equivalente a R$ 33,64 milhões entre 2005 e 2009, mas apenas 8% das empresas socorridas se recuperaram. Além de pouco resultado prático, a esmagadora maioria dos empréstimos ainda não foi quitada.

Até agora, a ANS conseguiu reaver menos de 1% do total do dinheiro repassado: R$ 304,7 mil. A quantia foi paga por 6 das 170 operadoras que estavam em direção fiscal, uma espécie de intervenção prevista em lei, que a ANS declara para operadoras com as contas em desequilíbrio. Dos recursos passados para 339 empresas em liquidação extrajudicial, nada foi devolvido.

"Além de dispendioso, o modelo adotado pela ANS é ineficiente", avalia Andrea Salazar, advogada consultora do Idec. O ideal, diz, seria a agência adotar medidas preventivas para evitar, por exemplo, a cobrança de mensalidades insuficientes para sustentar um atendimento com um mínimo de qualidade. "A ANS tem de acompanhar a saúde financeira das empresas antes de elas entrarem em colapso. Tomar medidas preventivas. Mas, para isso, a empresa muitas vezes se cala. "

O pesquisador da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, Mário Scheffer, concorda. "É preciso fazer uma avaliação crítica desse sistema. Trata-se de dinheiro público, usado numa tarefa que, mesmo prevista em lei, mostra claros sinais de pouca eficácia."

O presidente da ANS, Maurício Ceschin, afirma que o acompanhamento das contas das operadoras é rotina. "O sistema está sempre se aprimorando", defende-se. Ele reconhece a demora das operadoras no pagamento dos empréstimos e o baixo índice de recuperação das que entram em direção técnica e fiscal.

Ceschin argumenta que números têm de ser analisados com cuidado. "Cada empresa que sai da crise evita impactos nos consumidores e no mercado." Como exemplo, cita a Unimed Paulistana. "Ao recuperarmos uma empresa, evitamos a desassistência de muitas pessoas."

Drama. Os números das empresas que naufragam mesmo com a intervenção da ANS refletem o drama de usuários que perdem garantias de atendimento. O exemplo mais recente é da Samcil, plano com 193 mil associados que foi acompanhado pela agência. Como a maioria das empresas que passaram por direção fiscal e técnica, a crise não foi revertida e a carteira teve ser transferida para outra empresa, a Green Line. Até o desfecho, usuários enfrentaram longas esperas para consultas e exames, causadas pelo descredenciamento constante de médicos e clínicas.

"Não adianta injetar dinheiro em uma empresa com os dias contados. A fiscalização tem de começar na abertura da operadora", defende a advogada e consultora do Idec Daniela Trettel.

Ela e Andrea analisaram regimes especiais feitos pela ANS, partindo de três casos: Unimed, Classes Laboriosas e Interclínicas. "Em todos, a falta de atenção aos consumidores foi patente. Eles sofreram restrições tanto no período de intervenção quanto depois de eles serem transferidos para outro plano."

A carteira da Interclínicas, por exemplo, foi transferida para o Grupo Saúde ABC, que também dava indícios de irregularidades. Mesmo assim, a ANS aprovou a mudança. No ano da operação, houve reclamações de clientes e o grupo foi multado por reajuste abusivo das mensalidades.

Médicos da Uerj põem à prova sistema de cotas

Primeira universidade pública a formar turma com cotistas mantém qualidade de ensino e índice de aprovação, mas revela mudança sutil causada pela diversidade

Os defensores falam em justiça social. Os críticos invocam a meritocracia. No acalorado debate sobre a política de cotas sociais e raciais nas universidades públicas sobram argumentos por todos os lados. Dois pontos permeiam inevitavelmente a discussão: a capacidade dos cotistas em acompanhar o ritmo das aulas e a possibilidade de queda na qualidade do ensino das universidades.

O Estado fez um levantamento no curso mais disputado (Medicina) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a primeira a adotar as cotas no País. No vestibular de 2004, foram aprovados 94 jovens (43 cotistas). Apenas oito alunos - quatro cotistas - não se formaram em dezembro do ano passado, como previsto.

O Estado localizou 90% dos jovens que chegaram à festança black-tie de formatura: 35 eram cotistas; 44, não. O caminho natural, após seis anos de faculdade, é fazer residência, o estágio de dois ou três anos em que os médicos se especializam em hospitais universitários ou da rede pública. O desafio é grande. As provas são mais disputadas que o vestibular. Nelas não há sistema de cotas. Passa quem sabe mais. É a meritocracia em estado puro.

Fazer residência garante não só mais conhecimento da medicina como salários melhores no futuro. Dos 35 cotistas localizados, 25 passaram nas provas. Os outros 9 cotistas nem tentaram entrar para residência. Ou porque não sabiam que especialidade escolher ou porque tinham pressa em trabalhar em plantões e ganhar muito mais que os R$ 2,2 mil da bolsa residência. Médicos recém-formados, mesmo sem especialização e prática, chegam a ganhar R$ 12 mil por mês, um valor inimaginável para a família de qualquer cotista. Entre os 44 não cotistas, 37 estão na residência.

Na maioria dos casos, a forma de entrada na universidade não influencia na escolha da especialidade. Não há, entre os cotistas, uma opção majoritária pela medicina de família, por exemplo, que atende prioritariamente à população carente e é mais fácil de passar. Tampouco há entre os não cotistas uma preferência por especialidades que paguem mais e sejam mais difíceis de entrar. É o caso de dermatologia, garantia de bons salários e zero de estresse com emergências. Nessa turma, duas alunas passaram, uma delas cotista.

"Cotistas ou não cotistas, todos têm uma tendência de procurar especialidades que compensem mais financeiramente", diz o cardiologista Plínio José da Rocha, diretor da faculdade de Medicina. "A gente escolhe a especialidade pelo que gosta de fazer. Não é só uma questão financeira", rebate o paulistano Thiago Peixoto, de 28 anos, cotista e residente de clínica médica na Uerj. Prova disso é que pediatria, que anda em queda entre os jovens médicos, é a especialidade com o maior número de residentes da turma - são 11, sendo 6 cotistas.

A presença dos cotistas na universidade provocou debates acalorados entre os professores, mas o diretor afirma que o curso continua o mesmo. "No início houve receio, mas cobramos igual de todos." Difícil é avaliar se o nível das aulas foi alterado. "Eu não vejo diferença. Mas há todo tipo de opinião entre os professores", diz Rocha.

Não há como negar que a mudança no tipo de aluno mexeu com os professores. Antes de 2002, quando começou a política de cotas, passavam para a Medicina da Uerj apenas a nata da elite que frequenta os melhores colégios. Agora, 45% dos alunos são da rede pública de ensino. A diferença na relação candidato/vaga é cruel.

Entre os cotistas, é de 5,33. Entre os não cotistas, de 55,80. A discrepância influencia na nota mínima para entrar na universidade. Um cotista garante a vaga se fizer 41,50 pontos. O não cotista tem de chegar a 75,75.

A discussão sobre a queda na qualidade do ensino com a entrada de alunos que não acertam nem 50% das questões do vestibular chegou ao Conselho Universitário da Uerj. A questão é emblemática. "Somos uma grande universidade porque recebemos os melhores alunos ou uma grande universidade é aquela que pega qualquer tipo de aluno e o transforma num bom médico?", diz Rocha.

Desempenho. Ainda este ano, a Uerj terá uma pista mais conclusiva sobre a questão. A turma de 2010 fez o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) em novembro. É a primeira com cotistas que passa pela prova do Ministério da Educação (MEC) que avalia os cursos de nível superior. No último, em 2007, a Uerj foi a única do Rio a tirar 5, a nota máxima. A prestigiada UFRJ ficou com 4. Seja qual for o resultado, a Uerj mantém sua filosofia. "O espírito desta escola é a formação de bons médicos. Porque até nós temos medo de quem vai nos atender num hospital", diz o diretor.


PARA ENTENDER


O sistema de cotas da Uerj


94 vagas por ano para Medicina

45% das vagas são reservadas a alunos que comprovem uma renda per capita inferior a R$ 960

20% são para negros

20% para alunos de escolas públicas

5% para deficientes, indígenas e filhos de policiais mortos em serviço

Estudo indica incidência maior de gays entre sobreviventes de câncer

Pesquisadores não sabem as causas da relação entre orientação sexual e a doença

Um estudo americano verificou uma incidência maior de sobreviventes de câncer entre os homens homossexuais do que entre os heterossexuais. O estudo, publicado na última edição da revista especializada Cancer, não oferece explicações para o fenômeno e sugere que novas pesquisas são necessárias para determinar a razão para a ligação.

Os pesquisadores analisaram dados de entrevistas com 122.345 pessoas na Califórnia em 2001, 2003 e 2005. 3.690 homens e 7.252 mulheres disseram ter tido câncer em algum momento de suas vidas.

Os entrevistados também responderam sobre suas opções sexuais - 1.493 homens e 918 mulheres se descreveram como gays, e 1.116 mulheres se disseram bissexuais.

O cruzamento dos dados indicou que a proporção de homens gays que tiveram câncer era quase duas vezes maior do que a dos homens heterossexuais que tiveram câncer no passado.

Além disso, a pesquisa indicou que os homens homossexuais que tiveram câncer tinham desenvolvido a doença na média uma década antes do que os homens heterossexuais que tiveram câncer.

A pesquisa não identificou nenhuma ligação parecida em relação às mulheres, mas verificou que as mulheres lésbicas e bissexuais tinham uma situação de saúde mais precária após sofrerem de câncer do que as mulheres heterossexuais.

Razões

Para a coordenadora do estudo, Ulrike Boehmer, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Boston, o resultado do estudo não permite dizer que "homens gays têm um risco maior de ter câncer" porque as razões por trás da incidência maior verificada na pesquisa podem ser complicadas.

Segundo ela, mais pesquisas são necessárias para determinar se os homens homossexuais realmente têm mais tumores ou se têm uma taxa de sobrevivência maior.

Os autores da pesquisa especulam ainda que a diferença no número de casos de sobreviventes de câncer pode estar relacionado ao maior número de câncer do ânus entre homens homossexuais ou a tipos de câncer relacionados à infecção pelo vírus HIV.

Diferenças

A análise da situação de saúde dos sobreviventes de câncer também indicou diferenças baseadas na orientação sexual.

As mulheres lésbicas e bissexuais tiveram até duas vezes mais chance de relatar "saúde precária" do que as mulheres heterossexuais. O fenômeno não foi identificado em relação aos homens homossexuais.

Boehmer diz que "uma explicação comum para a razão de as mulheres lésbicas e bissexuais terem se declarado mais com saúde precária do que as mulheres heterossexuais é o estresse de minoria, que sugere que as mulheres lésbicas e bissexuais têm uma saúde pior, incluindo a saúde psicológica, por causa da discriminação, do preconceito e da violência a que estão sujeitas".

Segundo ela, o resultado de seu estudo indica a necessidade de "mais serviços para melhorar o bem-estar de mulheres lésbicas e bissexuais sobreviventes de câncer" e de programas "concentrados na prevenção primária de câncer e na detecção de câncer em estágio inicial" em homens homossexuais.

Casos de dengue em SP caem 80% em relação a 2010

Ribeirão Preto concentra 25% dos casos, com 8,4 mil ocorrências

Balanço divulgado nesta sexta-feira (6) pela Secretaria da Saúde de São Paulo aponta que o número de casos de dengue no primeiro quadrimestre de 2011 foi 79,3% inferior ao registrado no mesmo período de 2010.

Os municípios paulistas notificaram 32.494 casos relativos à transmissão dentro do Estado durante quatro meses. No primeiro bimestre do ano passado houve 157.506 casos.

Do total de casos de dengue, 25% estão concentrados em Ribeirão Preto, que registrou 8,4 mil ocorrências. Outras seis cidades registraram mais de mil casos: Bauru (1.818), Taubaté (1.687), Lorena (1.670), São Paulo (1.530), Araraquara (1.135) e Campinas (1.092).

Ao todo, foram confirmadas 12 mortes pela doença, nos municípios de Andradina, Cândido Mota, Caraguatatuba, Cosmópolis, Ribeirão Preto, Sertãozinho, Votuporanga, São José do Rio Preto, Sumaré e Taubaté.

Cerca de 80% da circulação viral de dengue no Estado é do tipo 1. Os demais 20% dividem-se entre os tipos 2 e 4, este último ainda restrito à região de São José do Rio Preto.

Conheça as quatro principais causas da depressão e quatro remédios naturais

Exercícios aeróbicos e vegetais de folhas verdes ajudam a combater esse mal

Você sabe o que causa a depressão? Segundo o site especializado Mayo Clinic, há vários motivos diferentes mas quatro deles ganham mais importância. Assim como outras doenças mentais, ela pode ter uma única razão ou uma combinação delas.

Confira abaixo as quatro principais causas e cinco remédios naturais:

Hormônios: Mudanças no equilíbrio dos hormônios no organismo pode causar depressão. Essas alterações podem ser causadas, por problemas na tireóide, por exemplo, ou aparecer no período da menopausa, além de outras condições.

Genética: A depressão é mais comum em pessoas com histórico de pessoas depressivas na família. Pesquisadores de todo o mundo estão tentando encontrar os genes que podem estar envolvidos na causa da depressão.

Acontecimentos da vida: Acontecimentos como a morte ou a perda de um ente querido, problemas financeiros e de alta tensão pode desencadear a depressão em algumas pessoas.

Trauma de infância: Eventos traumáticos durante a infância, como abuso ou perda de um pai, pode causar alterações permanentes no cérebro que podem torná-lo mais suscetível à depressão.

Como tratar a depressão de um jeito simples?

Coma peixes de água fria: Aproveite as cápsulas de óleo de peixe feita a partir de peixes de água fria (como o salmão, anchova e sardinha), que contêm ácidos graxos ômega-3 - uma fonte natural de antidepressivos.

Vegetais de folhas verdes: Desde que foi comprovado que pessoas com deficiência em vitamina B ficam em média mais deprimidas, comer alimentos com ácido fólico pode ajudar a combater essa condição. Faça uma boa seleção de frutas, legumes, feijões e cereais.

Exercícios: Melhore o seu humor com exercícios regulares. Pode ser aula de aeróbica, andar apressadamente, ou fazer algum esporte. É que os exercícios, principalmente aeróbicos liberam substâncias químicas no cérebro que ajudam a elevar o bom humor.

Meditação: Bom para tratar a depressão e baixos níveis de stress. Com a meditação, um indivíduo pode melhorar seu humor, bem como combater o stress e a ansiedade. Uma das formas mais simples de meditação é sentar-se calmamente com os olhos fechados, o que permite se concentrar na respiração.

Mães "hi-tech" transmitem parto pela internet e pagam caro por 3D

Serviços de maternidades aumentam opções de recordação do “dia D” das grávidas

Hoje não basta ter fotos e uma filmagem convencional para recordar o dia do parto. As mães mais modernas usam também a tecnologia para tornar o momento inesquecível. A publicitária Fabiana Meller, de 34 anos, é um exemplo. Moradora de São Paulo, ela teve seu parto transmitido pela internet, a fim de que familiares e amigos pudessem conhecer a pequena Tais.

A cesariana, realizada na maternidade São Luiz, em São Paulo, em abril do ano passado, foi vista por seu irmão que estava em Londres e por uma amiga no Canadá, além dos familiares mais próximos. Ela diz que "foi um evento”.

- É um serviço muito legal porque só mostra a hora que a criança nasce, o momento exato que o médico traz o bebê, a primeira emoção.

Fabiana teve o privilégio de ser a primeira a utilizar o serviço oferecido gratuitamente pela maternidade paulistana. A estreia garantiu uma transmissão de grandes proporções, com telão no hospital por onde os médicos e os familiares puderam assistir ao nascimento. A equipe de filmagem também captou as reações do irmão e da amiga que estavam fora do país.

Tantos olhares não intimidaram Fabiana na hora da cirurgia. Muito contente com a possibilidade de dividir a sensação com as pessoas mais queridas, ela afirma que se sentiu mais amparada com a possibilidade.

- Geralmente é um momento a que só os pais estão assistindo. Já com isso, todo mundo acaba participando desse momento tão especial.

Sensação semelhante à sentida pela pedagoga Elisabeth Rodrigues, de 41 anos, que dividiu o momento do nascimento de seu primeiro filho, Rafael, no último dia 3 de março, com mais de 50 pessoas.

- Foi muito bom porque dentro da sala só entra o marido e o resto dos familiares fica para fora e não têm como assistir. Como foi pela internet. Minha família pode ver pelo computador.

Os avós maternos de Rafael levaram um laptop para o hospital para assistir ao momento em que o neto veio ao mundo. Da mesma forma, os avós paternos assistiram direto de Curvelo, no interior de Minas Gerais.

- Até meus colegas de trabalho e do meu marido, que é piloto de avião, puderam assistir ao parto de diferentes bases aéreas.
Segundo Elisabeth, optar pelo serviço valeu a pena, porque só vê o parto “quem realmente a gente quer que veja”.

Privacidade

Apesar de o acesso ao parto ocorrer via internet, ele não é aberto ao público. Durante a internação, a grávida que optou pelo serviço recebe senhas que serão repassadas para quantos familiares e amigos ela quiser. Os números são feitos na hora, com base no nome da gestante e no número de registro da internação, ao qual só o casal tem acesso, diz a coordenadora médica da maternidade São Luiz, da unidade Itaim, Márcia Maria da Costa.

A privacidade também é levada em conta durante a filmagem. A equipe é orientada a captar somente o momento quando a criança nasce, mostrada nos braços do médico, sem qualquer aparição do corpo da mulher. Isso impede que detalhes como sangue, cordão umbilical e expressões de dor sejam vistas pelos espectadores.

- A cena dura uns 15, 20 minutos, até meia hora, no máximo. Depois a gente estimula a amamentação nos primeiros momentos de vida.

Em caso de qualquer complicação, a transmissão é interrompida ou mesmo vetada se o parto apresentar qualquer risco, afirma Márcia.

O serviço oferecido pela maternidade São Luiz desde abril do ano passado é gratuito e fica disponível no site do hospital por alguns dias. Geralmente é oferecido assim que a gestante fecha o contrato de parto com a instituição.

- Temos 70% de adesão, em média, o que equivale a uns 150 partos por mês, principalmente entre as que têm familiares fora de São Paulo. As que tinham receio, depois que visitaram a maternidade, adoraram.

Parto 3D

A transmissão do parto em 3D também é outro recurso usado por maternidades que têm deixado as gestantes e seus familiares bem empolgados. A maternidade Pro Matre, em São Paulo, oferece, desde fevereiro deste ano, uma espécie de pacote, pelo valor de R$ 2.000 pela filmagem tradicional, mais a transmissão em 3D.

Em um mês de serviço, ao menos 30 casais já tinham comprado o pacote, informa o diretor de relacionamento da Pro Matre, Alberto d´Auria. Segundo ele, os pais costumam se surpreender com a qualidade das imagens.

- É uma documentação que vale a pena mais pelo aspecto afetivo do que técnico-cirúrgico. Os pais ficam emocionados dias depois, porque eles são remetidos à mesma sensação que sentiram na sala de parto.

A edição em 3D também transmite o primeiro banho do bebê, a primeira mamada e a emoção das pessoas que estavam assistindo ao parto na maternidade, mas com a preocupação de não expor detalhes da operação e da paciente, explica D`Auria.

- O nosso pessoal é treinado para desviar as imagens de forma a não comprometer. O que a gente quer é que as pessoas tenham uma memória agradável.

Curiosamente nenhum dos casais que comprou o pacote possui uma televisão 3D, afirma o diretor. Mas os casais podem assistir as imagens na própria maternidade.

Uma televisão 3D custa em média de R$ 3.000 a R$ 7.000.

Estratégia Saúde da Família foi revolucionária, mas parou no tempo, avalia especialista

Flávia Villela
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – O Programa Saúde da Família (PSF) criado há 15 anos pelo governo federal revolucionou o sistema de saúde no Brasil. No entanto, a estratégia, voltada para a atenção primária, não tem conseguido acompanhar as mudanças dos tempos e corre o risco de fracassar, fragmentando e precarizando o sistema de saúde como um todo. Essa é a opinião do médico generalista espanhol Juan Gérvas, que atua há mais de 40 anos na área de assistência primária e saúde pública, com estudos publicados em diferentes países.

Gérvas está no Brasil há cerca de um mês, juntamente com Mercedes Pérez, também médica de família, visitando centros de saúde de 40 cidades à convite da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC). O resultado da visita será um relatório com análises e diretrizes a ser entregue ao Ministério da Saúde.

O especialista concedeu uma entrevista à Agência Brasil sobre o tema. Abaixo, os principais trechos da conversa.

ABr: Qual a avaliação que o senhor faz do Programa Saúde da Família?

Gérvas: A estratégia de medicina de família revolucionou a atenção primária no Brasil e é um triunfo louvável. Entende-se que há vinte anos, o Brasil já havia desenvolvido essa atenção primária para pobres, mas não basta ter uma história bonita. Um sistema sanitário para pobres termina sendo um pobre sistema. Essa história tem que mudar para potencializar o sistema, senão os gastos de saúde vão chegar a níveis insuportáveis, como nos Estados Unidos, da ordem de 18%, onde não se investe em prevenção universal. No Japão, esse percentual chega a 8%, na Alemanha, entre 10% e 12%. Nos Estados Unidos vemos um sistema fragmentado com planos de saúde, convênios, empresas que têm planos privados. Isso encarece e enfraquece a saúde da população. Os norte-americanos têm mais do que o dobro de amputados por diabetes do que nos demais países desenvolvidos, casos que poderiam ser evitados se houvesse uma atenção primária forte.

ABr: O que fazer para que não ocorra essa fragmentação e precarização do sistema no Brasil?

Gérvas: Tornar o Programa Saúde da Família uma estratégia de Estado, um sistema universal. Dotá-la de meios para que possa responder, em um país moderno, às necessidades da população. E oferecê-la também às classes médias e altas. Na Europa, no Canadá ou na Nova Zelândia, onde existe um sistema único consolidado e elogiado, os médicos de família atendem as pessoas sem distinção de classe. Os mais pobres tendem a reclamar menos, têm poucos mecanismos de rejeição, são menos exigentes que a classe média. Por exemplo, as salas de espera de alguns centros que visitamos são de um país terceiro-mundista, num país que é a oitava potência mundial. E ninguém reclama. Então o momento é agora. Ou o Brasil opta por um sistema único primário forte como o Reino Unido e outros países ricos ou por uma atenção primária debilitada como os Estados Unidos, em que tudo fica na mão de especialistas. Os especialistas, por melhor que sejam, não conhecem o histórico do paciente como um médico generalista, e acabam sendo perigosos, no fim das contas, pois a combinação de medicamentos pode ser mortal.

ABr: Muitos médicos de saúde primária se queixam de baixos salários e do vínculo empregatício instável por não serem funcionários públicos e alegam que esses dois fatores contribuem para a alta rotatividade nos centros de saúde e a falta de médicos em áreas como pediatria e ginecologia. O que o senhor pensa sobre isso?

Gérvas: A rotatividade é muito prejudicial na assistência primária, pois o médico de família precisa conhecer bem os pacientes e a comunidade e só o tempo possibilita esse vínculo e diminui os gastos públicos. No entanto, não acredito que o problema seja necessariamente o valor do salário ou o vínculo empregatício. O que é necessário sempre são incentivos. Na Espanha, por exemplo, somos funcionários públicos, mas ainda assim existe alta rotatividade, pois muitas vezes as condições de trabalho são precárias e falta estímulo. Um incentivo pode ser, por exemplo, para que o médico permaneça no mesmo lugar. Ou seja, um médico recebe um pouco de incentivo no segundo ano trabalhando num determinado centro, um pouco mais no terceiro e assim por diante e se sai desse centro perde o incentivo. Pode ser dinheiro, pode ser bolsa acadêmica, benefícios outros.

ABr: O senhor já visitou dezenas de centros de saúde da família de oito capitais brasileiras. Que impressões tirou até o momento?

Gérvas: Os recursos humanos são excepcionais, assim como a abrangência em algumas cidades. Ao mesmo tempo, falta uma medicina moderna. Por exemplo, um paciente que está de cama, não precisaria sair de casa, como ocorre aqui, para fazer exames simples como o de sangue. Na Europa, médicos e enfermeiros levam tiras de urina e materiais descartáveis para tirar o sangue em suas maletas. Falta nos centros brasileiros um pequeno equipamento chamado debitómetro, que não custa muito e que é essencial para o controle da asma. Outro equipamento que deveria estar presente nos centros é o espirômetro, um pouco maior que um celular, que possibilita medir a capacidade do pulmão, sem que o paciente tenha que procurar um pneumologista. Ou seja, são coisas muito elementares, pouco onerosas. Não tem cabimento que um agente de saúde vá visitar seus pacientes com um celular pessoal ultramoderno, porém, um bolo de papéis com as informações de cada paciente, em vez de usar um laptop, notebook ou mesmo tablet para fazer anotações das visitas e poder enviar e receber esses dados.

ABr: O senhor acredita que exista pressão por parte de grandes grupos coorporativos de planos de saúde e laboratórios para que o sistema de atenção primária não se consolide?

Gérvas: Não acredito em teorias da conspiração. Creio que o problema é uma confiança exagerada no modelo atual, que funcionou bem por muito tempo. Mas a tecnologia mudou, a sociedade e o país precisam acompanhar essas mudanças. O perfil epidemiológico no Brasil mudou; antes os maiores problemas eram as infecções, a natalidade, as doenças contagiosas. Hoje, vemos a população morrer mais de câncer, problemas de coração, doenças mentais degenerativas. Agora é o momento de redesenhar esse modelo, aproveitando o que há de bom e oferecer uma medicina moderna, onde o médico de família seja o centro e o filtro para as outras especialidades.

Seis anos depois da lei, hospitais ainda proíbem acompanhantes para gestantes durante o parto

Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Nove meses de espera. O parto é o momento mais esperado pelas futuras mamães. Mas a insegurança e a ansiedade podem tornar a experiência desagradável. Nesta hora, a companhia do marido, de um parente ou de uma amiga ajuda a acalmar a gestante e transformar o nascimento do bebê em um momento prazeroso.

Desde 2005 uma lei federal garante às grávidas o direito à presença de um acompanhante – de sua escolha - durante do trabalho de parto até o pós-parto nas maternidades do Sistema Único de Saúde (SUS) e conveniadas. No entanto, não é sempre o que acontece.

Vários hospitais no país ainda não seguem a regra e barram o acompanhante, como, por exemplo, em Belém, no Pará. No ano passado, representantes do grupo Parto do Princípio encaminharam denúncias de descumprimento da lei ao Ministério Público Federal (MPF). Na maioria dos casos, as alegações das maternidades são a falta de espaço ou que a presença de uma pessoa do sexo masculino ameaça a privacidade das gestantes.

“Dizem não ter acomodação. Ás vezes, não permitem a entrada do pai por ser homem. Num momento desses, a mulher fica desassistida”, contou Patrícia Sales, integrante do grupo no Pará. A rede tem representantes em 16 estados e no Distrito Federal. Segundo elas, há relatos de desobediência à lei em outros estados, como no Rio Grande do Sul e em São Paulo.

Estudos científicos constataram que a presença de um acompanhante com a gestante contribui para reduzir o tempo do trabalho de parto, o número de cesáreas e as chances de depressão pós-parto.

As maternidades tiveram prazo para se adequar. Apesar da lei, a coordenadora de saúde da mulher do Ministério da Saúde, Esther Vilela, disse que a adaptação tem sido feita de forma “gradativa” e a principal dificuldade é mudar a postura dos profissionais de saúde para aceitar o acompanhante como um aliado. “O acompanhante é tido como uma ameaça que vai interferir no processo, vigiar. Isso está mudando”, disse.

Segundo ela, o governo tem incentivado os hospitais públicos, inclusive com destinação de recursos financeiros, a receber os acompanhantes, como obriga a legislação. No ano passado, o ministério fez um trabalho de capacitação em 26 maternidades da Amazônia Legal e do Nordeste, regiões com altos índices de mortalidade materna. Depois da iniciativa, 16 passaram a acomodar os acompanhantes das gestantes, de acordo com a coordenadora. “Apesar de ser lei, precisa de preparação e adesão da maternidade”, disse. A Lei 11.108/2005 não prevê punição a quem descumpri-la.

De acordo com Esther Vilela, o cumprimento da lei por todas as maternidades públicas é uma das propostas do programa Rede Cegonha, aposta da presidenta Dilma Rousseff para melhorar o atendimento às grávidas e aos recém-nascidos até 2014.

A gestante que decidir ter seu bebê em um hospital particular também tem direito ao acompanhante e de acordo com normas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) é proibida a cobrança de taxa extra. Cabe aos planos de saúde e ao hospital ou clínica negociar as despesas, por exemplo, com roupa esterilizada.

O que diz a lei federal:

Os serviços de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), da rede própria ou conveniada, ficam obrigados a permitir a presença, junto à parturiente, de um acompanhante durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato. O acompanhante será indicado pela parturiente.