Aplicativos, carreira, concursos, downloads, enfermagem, farmácia hospitalar, farmácia pública, história, humor, legislação, logística, medicina, novos medicamentos, novas tecnologias na área da saúde e muito mais!


domingo, 5 de junho de 2011

Propaganda de Medicamentos no Brasil - um discurso pra lá de persuasivo!

Excelente este trabalho de Paula Renata Camargo de Jesus, doutoranda em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP e Pesquisadora em Comunicação e Saúde. Professora das universidades: UNISANTA, de Santos e IMES, de São Caetano do Sul/ Brasil.

Boa leitura!

Há tempos alguns questionamentos fazem parte da vida dos brasileiros, sobretudo daqueles que se preocupam com a saúde desse povo. O medicamento deve ser considerado um produto industrial submetido às lógicas comerciais de modo que a demanda social criada induza o seu consumo?

Medicamento é mercadoria comum? Doente pode ser visto como consumidor qualquer? Farmácia é supermercado? "Vale tudo" na propaganda de medicamentos para se vender mais? A resposta mais lógica a todos esses questionamentos seria: NÃO. Mas não é bem assim que acontece no Brasil.

A falta de ética faz com que a população brasileira seja grande vítima da saúde. A indústria farmacêutica, que investe milhões em pesquisas buscando a cura das pessoas, é a mesma que não mede esforços ao recorrer a todo tipo de marketing e propaganda para esvaziar as prateleiras das farmácias.

Em quem confiar? Se até mesmo grande parte dos pesquisadores e médicos questiona-se, com os altos investimentos em centros de pesquisa, patrocinado pela indústria farmacêutica?

Como se não bastasse o poder da indústria farmacêutica em altos investimentos de marketing, ela encontra como parceira a mídia de massa, que legitima algumas informações e divulga muitas vezes, sem responsabilidade, medicamentos a leigos, que não deveriam receber determinada informação sem orientação do profissional da saúde.

Mas enquanto existe preocupação na questão da venda dos medicamentos para curar determinada doença, alguns especialistas têm se preocupado com a questão da venda desenfreada de medicamentos causada pelo próprio uso desnecessário de medicamentos, ou seja, de substâncias utilizadas em alguns medicamentos que geram dependência, até mesmo no caso das doenças de fundo psicológico, que em algumas pesquisas comprovou a eficácia do placebo (a pílula constituída de farinha).

A ausência do médico, ou o pouco tempo de dedicação do mesmo ao paciente pode gerar um estímulo ao consumo de determinado medicamento. Dez minutos de consulta e diversas prescrições médicas, podem acelerar o processo de automedicação.

O marketing da dor não deixa dúvidas quanto aos altos investimentos em propaganda. O discurso persuasivo da propaganda de medicamentos está presente na  mídia de massa através de frases, expressões, enfim palavras que produzem efeitos fantásticos, principalmente quando repetidos em: rádios, emissoras de televisão, revistas, outdoors e até no material de ponto de venda das farmácias e drogarias; nas revistas semanais, destaca nas capas a chegada de novas drogas que prometem curas
milagrosas; no rádio, patrocinando os locutores líderes de audiência e programas jornalísticos de muita credibilidade, nos outdoors anunciando anti-stress, vitaminas, xaropes e fortificantes; na televisão, com os testemunhais de artistas famosos interpretando papel persuasivo e médicos utilizando sua própria imagem para propagar determinado medicamento.

As estratégias mercadológicas utilizadas pela indústria vão desde visitas de propagandistas aos consultórios, farmácias, drogarias e hospitais, à distribuição de brindes e premiação aos envolvidos diretamente na venda dos medicamentos: farmacêuticos e balconistas. As promessas de cura se multiplicam e a sensação de reagir a elas é de total impotência.

Mas vale destacar uma herança histórica e cultural. Ao pesquisar a história da propaganda no Brasil, nota-se que os primeiros anunciantes potencialmente conhecidos, foram os medicamentos. Dos cartazes em bondes, aos primeiros anúncios de revistas, a promessa de cura sempre acompanhou a propaganda de medicamentos.

E não há dúvida que através da poesia, os jogos de palavras deram vida persuasiva aos primeiros anúncios da propaganda brasileira, como o de Bastos Tigre "Veja ilustre passageiro, o belo tipo faceiro que o senhor tem ao seu lado. E, no entanto acredite, quase morreu de bronquite, salvou-o o Rhum Creosotado." (Temporão, 1986, p 36).

Os "reclames" como eram chamados os anúncios, eram aparentemente ingênuos, pois não havia um especialista para escrever a respeito de medicamentos. Ora os médicos davam seus depoimentos, ora os poetas eram contratados para escrever, enquanto artistas plásticos e pintores ilustravam os anúncios, quase sempre com imagens de sofrimentos, com a promessa de cura pelo medicamento.

"Larga-me...deixa-me gritar!..." era o discurso do Xarope São João, veiculado na Revista da Semana, no Rio de Janeiro, em 1900. Esse xarope utilizava a imagem de um homem, como se estivesse amordaçado, significando a ameaça da tosse, bronquite, rouquidão. O xarope era o grande salvador.

O texto ainda dizia frases como: "...é a única garantia de sua saúde....é o remédio científico, apresentado sob a forma de um saboroso licor. O único que não ataca o estômago, nem os rins..."

Mas naquela época, certamente um mercado efervescente como o da indústria farmacêutica, conseqüentemente o publicitário, não deixaria de ver com outros olhos a poesia que tanto contribuiu para as práticas comerciais de uma época. O curioso é perceber que ao resgatar o passado pode-se entender melhor o presente, analisando os discursos persuasivos e polissêmicos existentes nos anúncios de medicamentos no Brasil, então, desenvolvidos por artistas plásticos, poetas e escritores.

Em uma época sem lei, normas ou fiscalização de controle a respeito do conteúdo das mensagens da
propaganda, muito menos dos discursos nelas empregado. A indústria farmacêutica, que viu nascer o século passado, acumulou muito da prática artesanal e empírica. Inicialmente conhecida como botica (nome dado às farmácias administradas por famílias) a indústria farmacêutica passou os trinta primeiros anos de existência produzindo remédios através de insumos extratos vegetais e produtos de origem animal (Temporão, 1986, p 26). Sua evolução, assim como a da propaganda brasileira, aconteceu gradativamente. Hoje, falar de propaganda sem falar dos primeiros anunciantes, ou seja, medicamentos (os populares remédios) é praticamente impossível.

O destaque para os anúncios com uma melhor elaboração, se deu na chegada das revistas: Revista da Semana, O Malho, Cri-Cri, A Careta, Fon-Fon, a Lua. Aliás, A Lua, uma revista de 1910, de São Paulo (Temporão, 1986, p 39) teve como anunciante, em quase todas as edições, o Xarope Bromil, famoso pelo slogan: "cura a tosse em 24 horas" (pouco provável em tempos de controle e fiscalização da linguagem na propaganda de medicamentos, em tempos atuais).

Naquele tempo, os anúncios de medicamentos elaborados por Olavo Bilac, Emílio Menezes, Hermes Fontes, Basílio Viana e Bastos Tigre, que ousou parodiar Os Lusíadas para o medicamento Dermol: "Toda pessoa previdente e cauta que a vida pauta com muita atenção, seja do povo ou da nobreza o Escol, usa Dermol e sempre o tem à mão". Eram escritores e poetas que seguiram anos e anos, junto aos artistas plásticos, desenhistas e pintores brasileiros, desenvolvendo a criação da propaganda
dos medicamentos.

Temporão cita em seu livro "Propaganda de Medicamentos e o Mito da Saúde" que os componentes: escritos e icônicos, respectivamente a marca e slogans ou textos, e os desenhos, marcaram época em quase todas as publicações da época. "O nosso discurso verbal está permeado de imagens, ou como Peirce diria, de iconicidade" (Santaella e Nöth, 1998, p 14).

Durante a 1ª Grande Guerra, a linguagem dos anúncios, principalmente os de medicamentos, parecia nitidamente ligada ao período difícil que o mundo encontrava-se. Santogen "dá auxílio e levanta exaustos os que caem por falta de energia e vitalidade", Alcatrão-Guyet "a polícia dos pulmões", Rhodine "em nada se parece com outros comprimidos", Urudonal "lava o sangue, amacia as artérias e
evita a obesidade" e Xarope de Grindélia "pedir e exigir sempre contra tosse" (Ramos e Marcondes, 1995, pp 28-29).

A linguagem sempre acompanhou as fases históricas, não seria diferente com a linguagem publicitária, que tornou a propaganda de medicamentos popular. "O antes e o depois", estratégia utilizada até os tempos atuais pela propaganda, fez parte do anúncio do Xarope Peitoral de Alcatrão, estampando duas fotos, com o bom resultado do produto, em 1895: "Eu era assim, cheguei a ficar assim! Sofria horrivelmente dos pulmões, mas graças ao milagroso xarope peitoral de alcatrão e
jatahy, consegui ficar curado e bonito" (Temporão, 1986, p 42).

O grande anunciante do setor chegaria em 1917, a Bayer. Com campanhas regulares, a empresa alemã, investiu alto em publicidade. A Bayer destacava-se pela originalidade dos textos e pela qualidade gráfica dos anúncios. Era característica sua associar seus produtos às palavras como: original, puro, científico para contrapor os produtos nacionais. Eram muitos os produtos da Bayer: Adalina "a fonte da juventude eterna", Bayaspirina "silêncio", Instantina "num instante vae-se o mal" e outros, sempre utilizando a marca e reforçando-a com um slogan. Aliás, o centenário
"Se é Bayer, é bom", de Bastos Tigre, eternizou a marca. Dores em geral, principalmente cefaléias, ganharam destaque nos anúncios, com medicamentos como Cafiaspirina: "Se alguma dor o domina, tome Cafiaspirina".

Amadores ou profissionais, ingênuos ou aparentemente ingênuos, os anúncios não eram muito diferentes de seus autores. Alguns ganharam dinheiro, outros não. Monteiro Lobato é um exemplo de escritor que se tornou autor de anúncios publicitários, transformando o fortificante Biotônico Fontoura em um marco na história da propaganda de medicamentos brasileira.

Verdadeira obra prima da propaganda de medicamentos brasileira, Jeca Tatuzinho foi criado por Monteiro Lobato para Biotônico Fontoura, cujo slogan era "o mais completo fortificante". Tatuzinho era um personagem fraco, amarelo, que ao tomar o fortificante ficava saudável. O sucesso foi tão grande, que Lobato passou a divulgar as virtudes da Ankilostomina e do Biotônico Fontoura, o que certa vez impressionou Rui Barbosa, pela simplicidade e popularidade, tanto do personagem, como da maneira que era querido por todos (Ramos e Marcondes, 1995, p 35).

Monteiro Lobato chegou a abrir mão de Jeca Tatuzinho criado para seu amigo Cândido Fontoura, como gratidão pelo fortificante ter feito bem à saúde do escritor.

O personagem ficou famoso e a marca não menos conhecida e consumida durante gerações. O que Monteiro Lobato fez pela propaganda de medicamentos, principalmente para o Laboratório Fontoura, é um verdadeiro patrimônio histórico. Biotônico Fontoura ainda existe e faz propaganda.

Não que essa herança histórica e cultural justifique tais procedimentos utilizados pela indústria farmacêutica atualmente, mas pode ser utilizada como referência para se compreender o discurso na propaganda de medicamentos.

Mesmo hoje, com fiscalização, com o controle da ANVISA, ainda há de se preocupar com a linguagem persuasiva utilizada na propaganda de medicamentos de venda livre. "Tomou Doril, a dor sumiu" é uma frase de efeito, portanto um slogan que envolve uma série de implicações, não apenas éticas, já que se trata de medicamento e não de mercadoria comum, mas de um discurso que envolve promessa.

As palavras, quando utilizadas na propaganda de medicamentos, deveriam assumir um compromisso com o consumidor, provável doente, fragilizado! O fato de ser utilizada como instrumento persuasivo não anula a responsabilidade com o social, para isso existem leis, que não são cumpridas, seja por falta de uma "severa" fiscalização ou por questões de ordem política.

O falar a verdade não compromete o discurso da propaganda legal. O uso adequado das palavras na propaganda de medicamentos pode dar credibilidade à indústria farmacêutica. Atualmente a percepção que se tem é que o discurso da propaganda de medicamentos é pra lá de persuasivo, chega a ser irresponsável e mesquinho.

http://www.cit.sc.gov.br/propaganda/pdfs/artigos/propaganda_no_brasil.pdf

Remuneração por performance pede mudança de modelos

Segundo o diretor presidente da Planisa Planejamento e Organização de Instituições de Saúde, Afonso José Matos, o atual modelo de remuneração não contempla a produtividade e para que seja possível a realização de pagamentos por performance é necessário que haja uma mudança nos métodos.

“O método Fee for Service (Conta Aberta) não possibilita a previsibilidade de gastos, não estimula a administração dos recursos, não estimula produtividade e impossibilita que gestão médica seja feita”.

No intuito de reverter essa situação, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) criou no ano passado um grupo de técnico com representantes de todos os players do setor e que se reuniu para debater essas mudanças.

De acordo com o representante da ANS Carlos Eduardo Porto da Costa Figueiredo, após a discussão sobre os novos modelos de remuneração, o projeto encontra-se em um segundo plano e leva em consideração as estratégias para a implantação do novo método.

Plano estratégico

Para Matos, é necessário que exista um olhar estratégico que contemple a remuneração e os custos que tragam mudanças do padrão retrospectivo para o prospectivo. “Essa premissa consiste em abandonar o método de gastar e depois cobrar para prever o que vai gastar e fazer negociações com base nessas previsões”.

Ele também ressalta a questão do alto custo que os materiais e medicamentos representam para as instituições. “Atualmente, esses insumos representam 54% dos gastos hospitalares. É preciso que as instituições saibam estocar os itens que adquirem e tenham noção da quantidade utilizada”.
De acordo com o porta-voz do Grupo ASE, Manuel Alvarez, cada vez mais as margens mostram que as despesas com medicamentos superam as receitas.

Em contrapartida, a lucratividade proporcionada pelas diárias caiu consideravelmente. “No ano de 2006 essa porcentagem era de 32% e atualmente a participação das diárias caiu para 27%”. Para exemplificar os dados mostrados, Matos utilizou parte de uma pesquisa realizada pela Associação Nacional dos Hospitais Privados (ANAHP).

Integração setorial

Além disso, o diretor da Planisa ressalta que é necessário existir uma integração entre os diversos setores hospitalares. “É preciso compreender mais do que a visão departamental interna e saber realmente o que é o produto final do hospital. A equipe de gestão deve saber como funciona as demais áreas, deve ter conhecimento de como o corpo médico atua”

Isso porque, segundo ele, ter conhecimento dos procedimentos realizados dentro da organização possibilita a existência de um planejamento de custos e investimentos que precisam ser realizados, garantindo também a padronização dos procedimentos e uma gestão estratégica dos resultados.

Matos finaliza ao dizer que, no entanto, para que existam melhorias no programa de gestão não basta apenas gerenciar a produção dos insumos e sim a sua utilização.

Deputados vão a São Paulo investigar morte de bebês em UTI

A Comissão de Seguridade Social e Família vai enviar uma comitiva de deputados à Santa Casa de Misericórdia da cidade de Suzano, em São Paulo, para averiguar o elevado número de mortes de bebês na UTI neonatal.

Somente neste ano foram registrados 17 óbitos. No último dia 28, em menos de 24 horas quatro recém-nascidos que estavam internados na UTI faleceram.

A viagem, sugerida pelos deputados Roberto de Lucena (PV-SP) e João Ananias (PCdoB-CE), foi aprovada pela comissão nesta quarta-feira (1º). A data ainda será definida.

De acordo com Lucena, dados preliminares afastam a possibilidade de infecção hospitalar, mas a Comissão de Óbito Infantil do hospital ainda não divulgou o relatório final da investigação.

O deputado acrescenta que o Ministério Público analisa a necessidade de pedir a interdição da UTI. “Não resta dúvida que o fato é grave. Diante de tantas dúvidas, entendemos que a comissão deva acompanhar o caso de perto, ajudando na busca de respostas e soluções”, disse Lucena.

UTI neonatal é interditada, após 13 mortes

A Secretaria Estadual de Saúde interditou na última quarta-feira, (01) a UTI Neonatal do Hospital Municipal da Criança de Guarulhos, Grande São Paulo, onde foram registradas 13 mortes entre 7 de abril e 26 de maio. As informações são do jornal Estado de S. Paulo.


Segundo a pasta, vistoria do Centro de Vigilância Epidemiológica e Centro de Vigilância Sanitária constatou diversas irregularidades, como problemas no controle de infecção, manutenção predial, falta de capacitação dos funcionários em relação a procedimentos de esterilização de equipamentos e climatização inadequada. O relatório final fica pronto em 30 dias.

A investigação partiu do Ministério Público Estadual (MPE). O órgão informou que pelo menos quatro crianças tiveram pneumonia e seis, infecção primária.

Hospital da Irlanda usa cobre para combater infecções hospitalares

Um hospital privado na Irlanda é o primeiro a usar a tecnologia do cobre para combater infecções hospitalares. A iniciativa aconteceu após a divulgação dos primeiros resultados de estudos em andamento no hospital Selly Oak, em Birmingham, Inglaterra. O hospital privado San Francis possui 140 leitos e fica em Mullingar, região de Westmeath, na Irlanda e é o primeiro no mundo a adotar maçanetas de cobre para reduzir infecções associadas à assistência médica, tais como a provocada pelo vírus MRSA.


O hospital contou com o apoio da International Copper Association (ICA)- representada no Brasil pelo Procobre que auxiliou no projeto para substituir mais de 100 maçanetas.

Testes-piloto com uso do cobre em equipamentos e móveis hospitalares já foram realizados em oito centros de saúde nos Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Japão e Chile e comprovam que o cobre, aplicado em superfícies de alto contato manual, pode ser um importante aliado no combate às infecções hospitalares. O teste já apontou que o uso do cobre reduz em até 85% a presença de microorganismos causadores de infecções hospitalares.

Segundo o Procobre Brasil, a média de pacientes que contraem infecção após procedimentos cirúrgicos ou internações é de 45 mil óbitos anuais em 12 milhões de internações. Dados do Ministério da Saúde mostram que entre 13% e 15% dos pacientes internados adquirem algum tipo de infecção durante a hospitalização.

Somente nos EUA, cerca de dois milhões de americanos contraem infecções hospitalares por ano, sendo que 100 mil morrem em decorrência das infecções, custando aos cofres públicos prejuízos de cerca de US$ 30 bilhões.

Cada caso onera o sistema de saúde público em até US$ 1.400, em média, além de aumentar a internação hospitalar em torno de 14 dias. Com esse montante de recursos, e os leitos ocupados por suas vítimas, muitos problemas do sistema público de Saúde, além da falta de leitos, seriam minimizados.

Hospital britânico ensina grávidas a cantar para seus bebês

Mulheres grávidas britânicas estão aprendendo a cantar para seus bebês em um projeto pioneiro de um hospital do Serviço Nacional de Saúde (NHS, sigla em inglês).

As aulas de música são destinadas a incentivar habilidades de linguagem nas crianças e também ajudam as mães a desenvolver uma ligação mais próxima com seus filhos.

Elas mães aprendem a cantar uma série de músicas, incluindo canções de ninar e de roda.

Segundo Maya Waldman, organizadora o projeto, "o repertório é uma seleção de canções simples e inspiradoras do mundo todo. Elas são emotivas, algumas animadas e outras relaxantes".

As oficinas de música, que começaram em janeiro para mulheres da unidade Chelsea e Westminster do NHS, oeste de Londres, se baseiam na ideia de que os fetos respondem à música e às vozes de seus pais.

O projeto espera que o canto 'proporcione benefícios emocionais, sociais, educacionais e físicos para as mulheres e seus bebês durante a gravidez, o parto e depois do nascimento'.

O objetivo das das aulas é fortalecer a comunicação entre mãe e filho, assim como preparar para o parto por meio de exercícios vocais e de respiração.

Até agora, cerca de dez mães têm frequentado as aulas de 90 minutos, que são cofinanciadas pelo hospital e gratuitas para as participantes.

O projeto de canto é o primeiro destinado às mulheres grávidas do Serviço de Saúde.


'Cantar é uma forma muito precoce de comunicação e expressão", disse Anna Matthams, assistente do projeto do hospital.

'O sistema auditivo do bebê é um dos primeiras coisas a se desenvolver e há muitas evidências fisiológicas que cantar ajuda no desenvolvimento da linguagem.'

Paraplégico conta como voltou a se movimentar após tratamento

O policial militar baiano M.P.R., 47, que ficou paraplégico após sofrer uma queda em 2002, conta à repórter Natália Cancian, da Folha, como voltou a se movimentar após ser submetido a um tratamento experimental.

Policial de 47 anos, paraplégico há nove, faz fisioterapia em centro universitário em Salvador   Edson Ruíz - 4.jun.10/Folhapress


A reportagem completa está disponível para assinantes da Folha e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha.

O paciente foi o primeiro a testar o tratamento especial, desenvolvido por cientistas do Hospital São Rafael, em Salvador, e da Fiocruz.

Em 2005, o policial leu na internet uma matéria sobre um trabalho com células-tronco que estava sendo realizado na Bahia. Procurou a equipe, fez exames e aguardou a aprovação do teste em humanos. Foi escolhido, mas não sabia que seria o primeiro. "Depositei toda a minha confiança neles. Como fui voluntário, sei de todos os riscos", assume.

A primeira célula foi aplicada no dia 14 de abril. Dez dias depois, ele teve as primeiras sensações nas pernas. "O primeiro lugar que senti foi a coxa direita", conta.

Propagandas antigas - Biotonico Fontoura


Anúncio de 1925

Entenda a gestão do corpo clínico do hospital Albert Einstein

A relação entre médico e hospital deve ser de parceria. Esta é a mensagem deixada pela gerente de qualidade médica do Hospital Israelita Albert Einstein, Camila Sardenberg, e os demais debatedores da II Jornada Brasileira de Gestão Médica, organizada pelo Congresso Nacional de Administração Hospitalar (ADH).

Desde de 2004, a instituição encara o gerenciamento do corpo clínico como área crítica de sucesso. As mudanças começaram pela criação de uma diretoria de prática médica. “A ideia é fortalecer a avaliação de desempenho, gestão da assistência e segurança por meio de um profissional que está fora da operação, diferente do superintendente, por exemplo”, explica Camila.

De acordo com a executiva, o incentivo ao trabalho em equipe sempre deve fazer parte das diretrizes da gestão. Além disso, os resultados clínicos devem ser mensurados e, depois, compartilhados.

O Einstein possui critérios de avaliação do corpo clínico e estabelece pontuações de acordo com o cumprimento das recomendações. As premissas da entidade para fazer o acompanhamento dos profissionais são:

-valorizar o conhecimento, ensino e pesquisa;
-organização da assistência em protocolos e programas integrados;
-meritrocacia relacionada à adesão aos protocolos, preenchimento de prontuário;
-educação médica continuada;
-participação em atividades dentro do Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP) e Instituto Israelita de Responsabilidade Social Albert Einstein (IIRS);
-comportamento e relacionamento.

No quesito comportamento e relacionamento, o hospital costuma ouvir a equipe de enfermagem para fazer a avaliação do médico.

“Fazemos gestão de mil médicos, homem a homem, pois são eles os responsáveis por 85% das internações”, afirma Camila. O resultado da avaliação é divulgado mensalmente. Ao ser bem avaliado pela instituição, os médicos do Einstein contam com descontos na internação e exames para seus familiares.

“Acompanhar de perto o corpo clínico ajuda com que os médicos fiquem mais à vontade com sua própria avaliação. Além de possibilitar ao profissional conhecimento sobre os avanços e problemas do hospital”, ressalta Camila.

Depois de implementado, o Albert Einstein contabilizou diminuição das infecções relacionadas ao cateter venoso central, pneumonia associada à ventilação mecânica, infecção urinária e eventos adversos graves.

Dr. Ghelfond reduz descarte de resíduos hospitalares em 90%

Com investimentos acima de US$ 1 milhão em solução de tecnologia de conectividade, o laboratório Dr. Ghelfond Diagnóstico Médico obteve redução de cerca de 90% no descarte de resíduos hospitalares gerado em toda a empresa – que conta com unidades em São Paulo – Capital e Região Metropolitana.

O resultado deve-se à adoção do sistema no qual os exames de diagnóstico por imagem podem ser visualizados pela internet ou através de mídia (CD).

“Ao adotar a prática passamos a, efetivamente, colaborar para a preservação do meio ambiente”, enfatiza o diretor de contratos da rede, Marcio Moura, em comunicado. A iniciativa integra o pacote de ações recém-implantadas pela rede em prol da sustentabilidade.

Tecnologia acessível

A implantação da Radiologia Digital no Dr. Ghelfond tornou a tecnologia acessível tanto para o centro de diagnóstico quanto para hospitais, pronto-atendimentos e ambulatórios da rede pública. Com isso, todos os exames realizados são armazenados virtualmente – o que elimina utilização de chapas e filmes.

“Entendemos que é primordial desenvolver ações sustentáveis tanto para reduzir o volume do descarte quanto o de insumos utilizados nos procedimentos da rede”, disse Moura.

ONU pede mais verbas para tratamento de portadores de HIV

Programa estima que verbas evitariam 12 milhões de novos casos de infecção

O programa de Aids na ONU (Unaids) pediu o aumento das verbas para o tratamento de pessoas portadoras do vírus HIV.

Michael Sidibe, diretor do programa, disse que o desafio no combate à Aids é expandir o acesso a remédios e lidar com os fatores sociais que estigmatizam a doença. Segundo a Unaids, enquanto as verbas para tratamento da doença em países de renda média ou baixa aumentaram dez vezes entre 2001 e 2009, os recursos internacionais diminuíram em 2010. E muitos governos ainda dependem de recursos externos.

- Temo que os investimentos internacionais estão caindo em um momento em que a resposta à Aids está dando bons resultados para as pessoas. Se não investirmos agora, teremos que pagar muito mais no futuro. O acesso ao tratamento vai transformar a resposta à Aids na próxima década. Precisamos investir no processo de aceleração e descobrir novas opções de tratamento.

Sidibe afirmou ainda que o desafio, além de expandir o acesso à remédios, também é enfrentar os fatores sociais que ainda geram preconceito, fazendo com que principalmente as mulheres fiquem em situação vulnerável.

Para isso, a Unaids acredita que um investimento de pelo menos US$ 22 bilhões é necessário até 2015, US$ 6 bilhões a mais do que está disponível atualmente.

O programa de Aids da ONU estima que estas verbas evitariam 12 milhões de novos casos de infecção pelo HIV e 7,4 milhões de mortes relacionadas à Aids até 2020.

Queda

Na quinta-feira (2), um relatório da ONU informou que houve uma queda global de cerca de 25% em novos casos de infecção pelo HIV e uma redução nas mortes relacionadas à Aids na última década.

Na Índia, a taxa de novos casos de infecção pelo HIV caiu mais de 50% e, na África do Sul, mais de 35%. Os dois países tem o maior número de pessoas vivendo com HIV de seus continentes.

O relatório foi publicado antes do 30º aniversário, neste domingo (5), do primeiro caso de Aids informado, na época, pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos.

A Assembleia Geral da ONU deve se reunir em Nova York para discutir a epidemia da doença a próxima semana, com 20 líderes do mundo todo e mais de cem ministros.

Estima-se que cerca de 34 milhões de pessoas estavam vivendo com o HIV em 2010 e cerca de 30 milhões tenham morrido de causas relacionadas à Aids desde 1981, de acordo com o relatório.

Comportamento

O relatório também afirma que, na terceira década da epidemia, as pessoas estão começando a adotar um comportamento sexual mais seguro, refletindo o impacto da prevenção do HIV e dos esforços para conscientização.

Mas, segundo o documento, ainda há falhas, pois homens jovens tem mais chances de ser informados sobre o HIV do que as mulheres jovens.

Também houve um avanço significativo na prevenção de novos casos de HIV entre crianças e um aumento no número de mães que vivem com HIV e conseguem acesso a antirretrovirais durante a gravidez, parto e amamentação

- Trinta anos atrás esta doença misteriosa era chamada de peste gay, (...) as pessoas tinham medo uma das outras. Agora, o mundo é completamente diferente, nós quebramos a conspiração do silêncio.

No entanto, o relatório descobriu que, no final de 2010, cerca de 9 milhões de pessoas que precisavam de tratamento não recebiam os remédios e que o acesso aos tratamento para crianças era mais baixo do que para adultos.

E, enquanto a taxa de novos casos de infecção pelo HIV teve uma queda global, o número total de infecções por HIV continua alto, cerca de 7.000 por dia.

Uruguai registra 1º transplante bem-sucedido de fígado e rim

Total de 30 pessoas, entre médicos e enfermeiros participaram da operação

Uma mulher de 53 anos se tornou a primeira paciente a receber com sucesso um transplante combinado de fígado e rim no Uruguai, informa neste sábado (4) a imprensa local. A receptora, cuja identidade foi reservada, foi operada pela equipe de transplante renal do Hospital de Clínicas e a equipe de transplante hepático do Hospital Militar em uma intervenção que levou 13 horas.

A operação realizada há três dias foi "de maior complexidade mas bem-sucedida" e a paciente "saiu muito bem", informou a diretora do Programa de Transplante do Hospital Militar, Solange Gerona, ao jornal "El País".

A paciente já deixou a unidade de terapia intensiva e se recupera em uma sala normal, acrescentou. Um total de 30 pessoas, entre médicos e enfermeiros participaram diretamente da operação e outras 20 pessoas foram encarregadas dos estudos de laboratório. A mulher, do departamento de Salto, sofria uma doença pouco frequente denominada Policísticos hepatorrenal, que ocasionou uma contaminação múltipla de cistos no fígado e rins. EFE jf/mw

EUA aumentam vigilância em tomates,pepinos e alfaces da Europa

Medida visa proteger população do surto da bacteria intestinal E. coli


O governo dos Estados Unidos disse nesta sexta-feira (3) que aumentou a vigilância nas importações de tomates, pepinos e alfaces provenientes das áreas afetadas pelo surto da bactéria E. coli na União Europeia (UE).

A Administração de Alimentos e Fármacos (FDA, na sigla em inglês) indicou em comunicado que mantém "contato rotineiro" com a União Europeia e os Centros para o Controle e Prevenção de Doenças "para vigiar o surto atual de E. coli e rastrear" casos nos EUA.

- Em resposta ao surto na Europa e como medida de precaução, a FDA estabeleceu protocolos adicionais sobre as importações e aumentou a vigilância de tomates frescos, pepinos, alface e saladas das áreas afetadas.

Após vários testes nos produtos, "a FDA não permitirá a entrada nos EUA de nenhum produto contaminado e, se detectar a contaminação, tomará nota de futuros carregamentos para as medidas necessárias".

- Conforme surjam mais informações sobre a origem do surto, ajustaremos nossos esforços de proteção da saúde pública, especialmente na fronteira.

A FDA considerou que o surto atual da bactéria "não afetou o fornecimento de alimentos nos EUA" e assinalou que "não há razão alguma" para que os americanos alterem seus hábitos de compra ou de consumo de alimentos. No entanto, a agência destacou que "se mantém vigilante" para tomar as medidas apropriadas.

Por outro lado, a FDA ressaltou que as autoridades de saúde pública da Alemanha ainda não identificaram a origem do surto de E. coli, que já provocou mais de uma dezena de mortes no país europeu. Os EUA importam poucas quantidades de frutas e verduras da UE, particularmente nesta época do ano, devido à pouca longevidade da maioria destes produtos e da oferta tanto em território nacional como em países da América Central.

Veja dicas de como manter um sorriso bonito

Cuidar dos dentes, da gengiva e de tudo que se relaciona à saúde bucal ajuda a evitar vários problemas de saúde e ainda produz uma aparência bem mais jovial. Carlos Dantas, especialista em implantodontia e prótese dentária (estética), dá algumas dicas de como ter um sorriso bonito.

Cuidar da saúde bucal ajuda a evitar doenças e dá aparência mais jovial

1) Alimentos ácidos
Refrigerante à base de cola, mesmo diet ou zero, vinho tinto, vinagre e frutas cítricas, como limão e laranja causam erosão dentária, ou seja, desgastam o esmalte do dente.

2) Alimentos doces
Eles não devem ser ingeridos à noite, pois alteram o nível do ph da saliva, tornando o ambiente mais ácido, propenso ao crescimento da bactéria da cárie. Os doces devem ser ingeridos, no máximo, uma vez ao dia. Ou seja, é melhor ingerir 500 gramas de doce de uma vez do que ingerir 100 gramas cinco vezes ao dia. Isso porque, ao ingerir mais vezes, não dá tempo de o ph salivar voltar ao normal, o que torna a flora bucal mais propensa à cárie.

3) Sangramento gengival
Não ignore o sangramento gengival que acontece na hora do uso do fio dental ou na escovação. Isso se deve a uma inflamação da gengiva (gengivite), causada pela placa bacteriana, uma película esbranquiçada que se desenvolve com o acúmulo de microorganismos dos alimentos em decomposição, devido à limpeza mal feita dos dentes. É extremamente importante exames regulares, de seis em seis meses, e a limpeza dos dentes em consultório. Da mesma forma, é crucial a higiene bucal em casa.

4) Dentes limpos em casa
Escove-os sempre após as refeições. Escovar logo depois de acordar, antes do café da manha, é essencial, isso remove a formação noturna da placa bacteriana e melhora o hálito. Use sempre o fio dental após as refeições, antes da escovação e nunca deixe de usá-lo também à noite, antes de dormir. Essa é a hora mais importante. Raspe também a língua para remover a saburra lingual. Evite pastas abrasivas. E não use muita pasta de dente na escova.

5) Bochechos
Os produtos específicos para bochechos são antissépticos e antimicrobianos bucais, que diminuem a inflamação gengival, a halitose (mau hálito), a placa bacteriana e a incidência de cárie, mas não devem ser usados frequentemente. Use por períodos curtos. No máximo, três meses. Tendem a ressecar a mucosa e alterar o ph da flora bucal. Dê preferência aos sem álcool, com ingredientes ativos à base de cetilpiridínio ou triclosan adicional do flúor.

6) Higiene oral para fumantes
Fumar prejudica a chegada do fluxo sanguíneo aos tecidos periodontais, impedindo a formação de células de defesa imunológica e a proteção contra as bactérias periodontais. Este ainda tem outro ponto negativo que influencia outras partes do corpo, ele inibe a recuperação dos tecidos gengivais após alguma cirurgia. Assim, o fumante precisa o dobro dos cuidados com a higiene oral. Escovar os dentes logo após as refeições e acender o cigarro somente após a higiene oral diminui o acúmulo de nicotina nos dentes. A visita ao dentista, para manutenção bucal (limpeza), deve ser de três em três meses.

Medicamento reduz risco de câncer de mama em 65%, aponta estudo

Uma droga antiestrogênica demonstrou uma "promissora" redução de 65% no risco de câncer de mama entre as mulheres pós-menopausa, indica um estudo da Faculdade de Medicina de Harvard apresentado neste sábado.

Droga reduz a produção de estrogênio, hormônio que os médicos acreditam ter ligação com o aparecimento da doença

"A pesquisa pode significar um grande avanço para as mulheres que apresentam maior risco de desenvolver a doença, que afeta cerca de 1,3 milhão de pacientes no mundo a cada ano, causando a morte de 500 mil", afirmou o doutor Paul Goss, principal autor do estudo divulgado na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, em Chicago.

Um estudo clínico realizado em um grupo do Canadá mostrou que o risco de câncer de mama em mulheres na menopausa diminuiu em 65% quando as pacientes foram medicadas com exemestano, uma droga oral que reduz a produção de estrogênio, hormônio que os médicos acreditam ter ligação com o aparecimento da doença. "O estudo mostrou não só uma impressionante redução do câncer de mama como também o surgimento de excelentes efeitos secundários", comemorou Goss.

A pesquisa sustenta que os inibidores de uma enzima chamada aromatase, como o exemestano - comercializado sob o nome de Aromasin -, são diferentes de outras drogas antiestrogênicas, como o tamoxifeno e o raloxifeno, utilizadas como terapias preventivas para mulheres com alto risco de desenvolver câncer de mama.

Os três medicamentos são aprovados pela Agência de Drogas e Alimentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês). No entanto, efeitos colaterais graves foram registrados com o uso de drogas como o tamoxifeno, incluindo um raro e grave caso de câncer de útero e coágulos de sangue potencialmente fatais.

O estudo de Goss, em contrapartida, afirma que inibidores da aromatase neutralizam a produção de estrogênio "sem as graves toxicidades observadas com o tamofixeno". O estudo clínico foi realizado entre 2004 e 2010 com 4.560 mulheres dos Estados Unidos, Canadá, Espanha e França que apresentavam pelo menos um fator de risco, como ter 60 ou mais anos de idade ou manifestado tumores de mama anteriormente, incluindo um caso de câncer com mastectomia. Os resultados da pesquisa serão publicados no New England Journal of Medicine.

Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)

Definição
O transtorno obsessivo-compulsivo é um transtorno de ansiedade em que as pessoas apresentam pensamentos, sentimentos, ideias, sensações (obsessões) ou comportamentos repetidos e indesejados que fazem elas se sentirem forçadas a fazer alguma coisa (compulsões). Geralmente a pessoa concretiza a ação para se livrar dos pensamentos obsessivos, mas isso só traz alívio temporário. Não executar os rituais obsessivos pode causar muita ansiedade.

Transtorno obsessivo-compulsivo

Nomes alternativos
Neurose obsessiva-compulsiva; TOC

Causas, incidência e fatores de risco
O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é mais comum do que se acreditava antigamente. A maioria das pessoas que desenvolve essa doença mostra sintomas por volta dos 30 anos.

Existem diversas teorias sobre a causa do TOC, mas nenhuma delas foi confirmada até o momento. Algumas pesquisas relacionaram o TOC a infecções e traumatismos cranianos. Diversos estudos demonstraram que existem anomalias no cérebro dos pacientes com TOC, mas, no momento, mais pesquisas são necessárias para se chegar a uma conclusão.

Cerca de 20% das pessoas com TOC apresentam tiques, o que sugere que a doença pode estar relacionada à Síndrome de Tourette. Entretanto, essa relação ainda não está clara.

Sintomas
Obsessões ou compulsões que não são causadas por uma doença ou pelo uso de drogas
Obsessões ou compulsões que causam angústia intensa ou interferem na vida diária
Existem muitos tipos de obsessões e compulsões. Um exemplo é o medo excessivo de germes e a compulsão de lavar as mãos repetidamente para evitar infecções.

A pessoa geralmente reconhece que o seu comportamento é excessivo ou irracional.

Exames e testes
A sua própria descrição do comportamento pode ajudar a diagnosticar o transtorno. Um exame físico pode descartar causas físicas, e uma avaliação psiquiátrica pode descartar outros transtornos mentais.

Questionários, como a Escala de sintomas obsessivo-compulsivos de Yale-Brown (Y-BOCS), podem ajudar a diagnosticar o TOC e acompanhar o progresso do tratamento.

Tratamento
O TOC é tratado com medicamentos e terapia.

O primeiro medicamento normalmente considerado é um tipo de antidepressivo chamado de inibidor seletivo da recaptação da serotonina (SSRI).

Essas drogas incluem:

Citalopram
Fluoxetina
Fluvoxamina
Paroxetina
Sertralina
Se um SSRI não funcionar, o médico pode indicar um tipo de antidepressivo mais antigo chamado de antidepressivo tricíclico. A clomipramina é um exemplo e foi o primeiro medicamento a ser usado para o TOC.

Ele geralmente funciona melhor do que os antidepressivos SSRI no tratamento da doença, mas pode causar efeitos colaterais desagradáveis como:

Dificuldade para começar a urinar
Queda de pressão quando se muda de posição (estar sentado e levantar)
Boca seca
Sonolência
Em alguns casos, o SSRI e a clomipramina podem ser combinados. Outros medicamentos, como os antipsicóticos atípicos em doses baixas (incluindo risperidona, quetiapina, olanzapina ou ziprasidona), já demonstraram ser de grande ajuda. As benzodiazepinas podem trazer algum alívio para a ansiedade, mas elas geralmente são usadas somente com os tratamentos mais confiáveis.

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) demonstrou ser o tipo mais eficaz de psicoterapia para esse transtorno. O paciente é exposto diversas vezes a uma situação que desencadeia os pensamentos obsessivos e aprende aos poucos a suportar a ansiedade e a resistir à necessidade de ceder à compulsão. A combinação de medicação e TCC é considerada melhor do que seu uso isolado para reduzir os sintomas.

A psicoterapia também pode ser usada para:

Oferecer formas eficazes de reduzir o estresse
Reduzir a ansiedade
Resolver conflitos internos
Evolução (prognóstico)
O TOC é uma doença de longa duração (crônica) com fases de sintomas graves seguidos por períodos de melhora. Entretanto, um período completamente sem sintomas é muito incomum. A maioria das pessoas melhora com o tratamento.

Complicações
As complicações de longo prazo do TOC estão relacionadas com o tipo de obsessões e compulsões. O hábito constante de lavar as mãos, por exemplo, pode causar rachaduras na pele. Ainda assim, o TOC geralmente não se transforma em outra doença.

Ligando para o médico
Marque uma consulta com seu médico se seus sintomas atrapalharem sua vida diária, seu trabalho ou seus relacionamentos.

Prevenção
Não há prevenção conhecida para esse transtorno.

http://saude.ig.com.br/minhasaude/guiadedoencas/transtorno+obsessivocompulsivo+toc/ref1238131566931.html

Transtornos de personalidade

Definição
Os transtornos de personalidade são um grupo de doenças psiquiátricas em que os padrões de comportamento crônico causam sérios problemas em relacionamentos e na profissão.


Causas, incidência e fatores de risco
A causa exata dos transtornos de personalidade é desconhecida. Entretanto, acredita-se que muitos fatores genéticos e ambientais sejam determinantes.

Os profissionais de saúde mental classificam esses transtornos nos seguintes tipos:

Transtorno de personalidade antissocial
Transtorno de personalidade esquiva
Transtorno de personalidade limítrofe
Transtorno de personalidade dependente
Transtorno de personalidade histriônica
Transtorno de personalidade narcisista
Transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva
Transtorno de personalidade paranoide
Transtorno de personalidade esquizoide
Transtorno de personalidade esquizotípica

Sintomas
Os sintomas variam muito dependendo do tipo específico de transtorno de personalidade. As pessoas com transtornos de personalidade têm dificuldade em lidar com problemas e tensões do cotidiano e geralmente têm relações conturbadas. Essas doenças variam de leve a grave.

Exames e testes
Os transtornos de personalidade são diagnosticados com base em uma avaliação psicológica e no histórico e na gravidade dos sintomas.

Tratamento
As pessoas com esses transtornos geralmente não buscam tratamento por iniciativa própria. Elas tendem a procurar ajuda depois que o comportamento já causou grandes problemas em seus empregos ou relacionamentos ou quando elas são diagnosticadas com outro problema psiquiátrico, como transtorno de humor ou de abuso de substâncias.

Embora os transtornos de personalidade sejam difíceis de tratar, existem cada vez mais evidências de que os medicamentos e algumas formas de psicoterapia podem ajudar muitas pessoas.

Evolução (prognóstico)
O resultado varia. Alguns transtornos de personalidade diminuem durante a meia idade sem qualquer tratamento, enquanto outros persistem a vida inteira mesmo com tratamento.

Complicações
Problemas em relações interpessoais
Problemas na carreira profissional
Outros transtornos psiquiátricos

Ligando para o médico
Marque uma consulta com o médico ou profissional de saúde mental se você ou alguém próximo apresentar sintomas de um transtorno de personalidade.

http://saude.ig.com.br/minhasaude/guiadedoencas/transtornos+de+personalidade/ref1238131585373.html

Violência: quem não morre adoece

Médicos defendem rede de saúde para acolher sobreviventes de traumas como assalto, sequestro e assassinato de familiares

Todos os anos no Brasil, 49.966 pessoas são assassinadas. De forma imediata, só este tipo de ato violento, tira a vida de 137 crianças, jovens, adultos e idosos por dia.

De maneira lenta, esta mesma violência adoece incontáveis pais, amigos e parentes destas vítimas. Eles escapam da fatalidade, mas amargam todas as outras sequelas do trauma.

A violência vista com o olhar da saúde é uma doença de múltiplos sinais, que vão além do óbito. Quem sobrevive – ou por vivenciar ou por ter relação com quem o fez – pode enfrentar depressão, síndrome do pânico e ansiedade. Sinais físicos também são consequências, como hipertensão, anorexia, enxaqueca, além de dores crônicas e persistentes.

“Se alguma doença transmissível ocasionasse este volume de mortes (e sintomas), teríamos uma situação de comoção nacional”, apontam Nereu Mansano e Alessandra Schneider, responsáveis pelo setor de violência, do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).

É para este leque de síndromes desencadeadas pelos traumas que os médicos estão empenhados em encontrar tratamentos em rede e eficazes. O desafio mais imediato, afirmam os especialistas, é fazer com que estas “vítimas secundárias” da violência deixem o anonimato e virem pacientes.

Elas podem estar espalhadas por todo o País, sofrendo por terem sido assaltadas, sequestradas, agredidas ou por terem relação com um dos 37,5 mil mortos anualmente no trânsito, ou ainda com 9,3 mil que se suicidam por ano (dados parciais de 2009 do Sistema de Informação de Mortalidade do Ministério da Saúde, computados pelo Conass).

O silêncio

“Infelizmente, muitas pessoas, ainda por desinformação, deixam de procurar assistência adequada exacerbando assim o sofrimento e as sequelas traumáticas”, afirma o doutor em neurociência especializado em violência, Julio Peres.

“Por outro lado, as pessoas que buscam auxilio especializado aumentam muito as chances de superarem a dor e desenvolverem suas vidas”, completa Peres. Além de atender as vítimas, ela também capacita profissionais de várias áreas da saúde para que possam reconhecer os sinais do trauma em pacientes que frequentam consultas triviais, seja durante uma visita ao dentista ou ao cardiologista, por exemplo.

Quando toda a estrutura de saúde é treinada para reconhecer que aquela pressão alta pode ser resultante de um sequestro no passado, o tratamento, neste caso, não será restrito à dieta saudável e ao anti-hipertensivo. O paciente pode ter acesso ao tripé composto por psicoterapia individual, terapia em grupo e remédios antidepressivos, que tanto tem ajudado os encaminhados aos serviços médicos voltados à violência.

Os sintomas

Uma das experiências de êxito é gratuita e realizada no Programa de Atendimento à Vítima de Violência (Prove) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O acolhimento é feito para todas as pessoas que procuram espontaneamente o serviço ou são encaminhadas por outros hospitais, com o objetivo de definir se são casos agudos (ou seja de efeitos mais curtos) ou crônicos (duradouros).

“O medo ou a dor inicial são reações comuns ao estresse sofrido, o que chamamos de transtorno de adaptação, que serão amenizados com o passar do tempo”, explica Jair B. Neto, psiquiatra do Prove.

“Mas nos que adoecem de forma crônica, estas sensações não passam, ou podem aparecer tardiamente e sempre acarretam prejuízo social. A pessoa não consegue mais trabalhar, deixa de sair de casa, de fazer coisas que sempre fazia.”

Os efeitos crônicos podem ser resultantes até mesmo da negação da vivência do trauma – e por isso a manifestação tardia – afirma Adelma Pimentel, diretora da Faculdade de Psicologia da Universidade Federal do Pará e autora do livro Violência psicológica na relação conjugal (Ed. Summus). Segundo ela, uma sequela possível “dos olhos que não querem ver e da boca que não quer falar” é a compulsão.

“A pessoa come exageradamente, bebe mais, tem relações sexuais com qualquer um, gasta dinheiro que não tem, usa drogas. Qualquer coisa para esquecer. Mas o efeito vai rápido embora e, para não lembrar, começa a reedição do ciclo das violências privadas.” Tudo por causa do trauma.

O tratamento

Não há como prever quem vai adoecer cronicamente por causa da violência. De acordo com os estudos de Júlio Peres, 10% desenvolvem algum tipo de transtorno pós traumáticos (TEPT). Mas também não há como esperar para saber quais vítimas vão entrar para esta estatística e só assim agir.

"Nosso estudo enfatizou a importância da brevidade do atendimento psicológico especializado”, afirma Peres em referência ao trabalho feito com policiais militares que viveram, em 2006, os ataques em São Paulo do grupo criminoso chamado Primeiro Comando da Capital (PCC). Os achados estão no Journal of Psychiatric Research.

Três meses após os ataques, 36 policiais que atuaram no episódio foram selecionados. Um grupo fez tratamento psicoterápico e outro não. Exames de ressonância magnética, realizados 40 dias depois, mostraram alterações físicas e cerebrais importantes. Quem fez terapia tinha mais ativa a parte do cérebro responsável pela superação e enfraquecimento da memória traumática (córtex médio préfrontal). Quem não fez tratamento, mostrou maior atividade da amígdala (envolvida na expressão do temor), sujeito a danos psicológicos e físicos.

É fato que para chegar ao tratamento especializado e eficaz para os sobreviventes da violência, o número de psiquiatras e psicólogos na rede pública e privada precisa ser ampliado, é preciso sensibilizar conselhos tutelares, professores e toda a sociedade.

“Tratar deste assunto já no pré-natal é uma forma não só de cuidar como também prevenir a violência”, acredita Saul Cypel, neurologista infantil e consultor da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, que acolhe crianças vítimas da violência.

A proposta do Conselho de Secretários Estaduais de Saúde (Conass) é que as equipes de saúde da família sejam capacitadas para servir de ponte entre os pacientes que adoecem por causa da violência (e possam estar escondidos) e os serviços especializados. A vivência do psiquiatra Jair B. Neto indica que o atendimento a estes resgatados do anonimato não pode ter prazo de validade.

“No Prove, temos pessoas que sofreram a violência há 20 anos e só sentiram os efeitos agora.”

Atraso no diagnóstico é desafio para combate à aids no Brasil

Para ONGs, Eatado deveria disponibilizar mais serviços de testagem e atendimento


Entre os desafios do combate à aids no Brasil, está o atraso no diagnóstico da doença. Para o presidente do Fórum de Organizações Não Governamentais (ONGs) Aids do estado de São Paulo, Rodrigo de Souza Pinheiro, ainda faltam informações e campanhas nesse sentido.

Segundo Pinheiro, o Estado cumpre seu papel de certa forma, mas ainda há muitos desafios. “Um deles é a questão do diagnóstico tardio, muitas pessoas ainda demoram para ser diagnosticadas, então acho que deveríamos ter mais campanhas, mais serviços que pudessem atender e conscientizar a população a fazer o teste de HIV”, afirma.

“Outro grande desafio no Brasil é a inclusão de pessoas soropositivas na sociedade. O preconceito com as pessoas que convivem com HIV/aids é muito grande. Uma das questões que temos trabalhado é para que realmente venha a diminuir essa questão do preconceito e da discriminação”.

O Fórum de ONG's Aids de São Paulo tem 122 organizações associadas, mas existem outras entidades no estado que atuam no combate à doença. Elas trabalham em parceria com os municípios, para atender populações que o Poder Público não consegue atingir.

Cada ONG tem um tipo de atuação, algumas trabalham com prevenção, outras com direitos humanos, e o fórum faz um trabalho de articulação de políticas públicas. “Temos uma reunião mensal aqui em São Paulo onde são discutidas as questões prioritárias, como falta de medicamentos, e levamos essas questões ao governo. Temos vários tipos de atuação para melhorar a qualidade de vida das pessoas soropositivas”, relata Pinheiro.

De acordo com ele, é importante que as pessoas tenham mais informações sobre a transmissão do vírus HIV. Outra atitude que o fórum está tomando é tentar aprovar na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 6.124/2005 que criminaliza a discriminação de pessoas que vivem com o HIV.

“A questão da prevenção também é um grande desafio, principalmente para as populações mais vulneráveis, e o Estado deixa a desejar nesse sentido. Se a gente analisar, no Brasil temos falhado muito na questão do acesso, tanto das pessoas que vivem com o HIV, quanto das demais que precisam do serviço de saúde. Isso é um grande desafio para o governo que está assumindo. É necessário também facilitar acesso aos preservativos e aos testes. Em alguns estados, principalmente do Norte e Nordeste, isso ainda é muito complicado, e é onde a epidemia tem mostrado um nível de crescimento”.

http://saude.ig.com.br/atraso+no+diagnostico+e+desafio+para+combate+a+aids+no+brasil/n1237845361807.html

Doenças associadas afetam 71% dos brasileiros com AIDS, diz pesquisa

Pesquisa internacional revela que histórico familiar e risco de doença cardiovascular deveriam ser investigados com mais atenção

Além de conviver com uma das doenças mais temíveis da modernidade, a aids, no Brasil, 71% dos infectados pelo vírus têm pelo menos uma doença associada ao HIV, segundo dados da pesquisa Atlis (Aids Treatment for Life International Survey ou Pesquisa sobre Tratamento para a Aids em Âmbito Internacional, em tradução literal). Desses, 22% têm diagnóstico de três ou mais doenças associadas.

Os dados foram apresentados esta semana pela Internacional Association of Physicians in Aids Care (IAPAC), na XVIII Conferência Internacional sobre Aids em Viena, Áustria. O estudo foi financiado pela farmacêutica Merck & Co.

Os problemas mais comuns são depressão (28%), distúrbios do sono (26%), problemas gastrointestinais (21%), nível elevado de colesterol (15%), hipertensão (15%) e doenças cardiovasculares. “Uma das falácias do programa de Aids é não perceber que o HIV não impede que essas pessoas tenham outras doenças. Há um erro grande por parte da classe médica e do governo em não entender que a aids é apenas uma parte do problema do doente”, afirma Mauro Schechter, chefe do Laboratório de Pesquisas em Aids do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, do Rio de Janeiro.

A pesquisa ouviu 2.000 adultos portadores de HIV de cinco regiões: América do Norte (Estados Unidos), América Latina (Argentina, Brasil, México e Caribe), Europa (França, Alemanha, Itália, Rússia, Espanha e Reino Unido), região da Ásia/Pacífico (Japão, Coréia, Malásia, Nova Zelândia e Cingapura) e África (África do Sul). No Brasil, foram entrevistados 201 portadores do HIV, a partir dos 18 anos, sendo 61% homens e 39% mulheres.

Os dados levantam uma preocupação: histórico familiar, tabagismo, diabetes, problemas cardíacos e outras doenças ainda não ganharam a devida atenção dentro do consultório. A pesquisa mostra que 49% dos entrevistados não discutiram com seu médico sobre seu estado de saúde anterior, o que demonstra que as doenças associadas não estão sendo abordadas com consistência na rotina das consultas.

Informações como essas são extremamente importantes para nortear a prescrição do tratamento, que pode ser diferenciado no caso de quem apresenta doença cardíaca, por exemplo. “É extremamente comum pacientes que vivem com HIV/Aids apresentarem doenças associadas que podem ser agravadas pelo vírus ou medicamentos antirretrovirais”, afirmou Jürgen Rockstroh, membro da Força-Tarefa da pesquisa e professor de medicina na Universidade de Bonn, na Alemanha

Segundo dados da pesquisa, apenas 28% dos entrevistados havia discutido seu histórico familiar de doença cardiovascular com o profissional da saúde e 65% dos entrevistados que eram considerados de alto risco não realizavam discussões frequentes relacionadas com doenças cardíacas com seu médico.

“O que a pesquisa deixa claro é que nós não utilizamos esse contato do paciente com HIV com o sistema de saúde para cuidar dele como um todo”, afirma Schechter. Segundo o médico, os óbitos por causas cardíacas e pacientes com Aids aumentaram 10 vezes mais do que na população em geral.

“Como médicos, podemos ajudar a controlar estes eventos por meio de abordagens individualizadas de tratamento que consideram o paciente de forma global para ajudar a atingir desfechos melhores”, afirma Dr. Rockstroh.

Depressão

A depressão atinge 28% dos entrevistados e confirma os dados da pesquisa brasileira realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), “Percepeção da Qualidade de Vida e do Desempenho do Sistema de Saúde Pública entre os Pacientes em Terapia Antirretroviral no Brasil.” Os pacientes sofrem mais com o preconceito e seus efeitos do que com a ação do vírus.

Foram entrevistadas 1.260 pessoas em tratamento de Aids no Brasil. Desse total, 65% avaliou seu estado de saúde como bom ou ótimo. No entanto, quando o assunto é esbarra em problemas psicológicos, 25% afirmaram sofrer intensamente de tristeza ou depressão e 23% relataram problemas com ansiedade.

http://saude.ig.com.br/doencas+associadas+afetam+71+dos+brasileiros+com+aids+diz+pesquisa/n1237724139882.html

Nova técnica elimina "marcas da aids"

O uso de gordura centrifugada, em vez do material lavado com soro, tem conferido melhores resultados ao tratamento de lipodistrofia facial em portadores de HIV. Este aperfeiçoamento torna a técnica ainda mais convidativa, visto que sua principal concorrente, a aplicação de PMMA (polimetilmetacrilato), ainda está longe de alcançar um consenso de segurança entre os médicos.

O enxerto de gordura é um procedimento simples, com cicatrização em dois dias

A lipodistrofia facial é a perda acentuada de gordura no rosto, efeito colateral de alguns medicamentos usados para conter o vírus e evitar o surgimento de doenças associadas. Além do rosto, o paciente pode sofrer perdas acentuadas de gordura em outras regiões do corpo, como pernas, braços e nádegas. Mas a perda facial costuma ser mais evidente e causa um grande prejuízo estético ao paciente.

“A gordura centrifugada é concentrada, tem um resultado mais previsível”, explica o cirurgião plástico Rodrigo Mangaravite. Quando é apenas lavada com soro, ela pode apresentar taxas de reabsorção pelo organismo superiores a 50%. Já quando ela é centrifugada, a reabsorção fica entre 30% e 40%. Isso dá mais garantia de sucesso ao procedimento e evita novas aplicações.

“Às vezes é preciso outra aplicação cerca de um ano depois para compensar a gordura reabsorvida”, afirma Mangaravite.

As aplicações de PMMA conseguem ser ainda mais previsíveis, pois o material sintético não é reabsorvido pelo organismo. Mas os médicos ainda se dividem sobre seu uso em tecidos moles porque sua remoção, em caso de rejeição, seria praticamente impossível.

Concentrada

A grande vantagem da gordura centrifugada é que ela se torna mais concentrada. “O material é centrifugado por cinco minutos em duas mil rotações por minuto, usando uma centrífuga médica”, detalha o cirurgião plástico.

Após o procedimento, sangue e outros resíduos podem ser separados mais facilmente da gordura. Com ela mais concentrada, há mais colágeno presente, e essa substância favorece a recuperação da pele.

Sem a centrifugação, a gordura precisa ser lavada com soro. “São necessárias muitas lavagens para melhor aproveitar a gordura e isso acaba sendo até mais oneroso par ao médico”, afirma Mangaravite. O procedimento hoje varia entre R$ 1 mil e R$ 4 mil.

As aplicações da gordura centrifugada são feitas com microcânulas. “São como injeções no rosto. Em dois dias, já está tudo cicatrizado”, conta o médico.

PMMA

A infectologista Denise Lotufo, do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids de São Paulo, explica que as aplicações de PMMA são mais simples e definitivas que as aplicações de gordura. “Tem paciente que já está tão magro que não tem mais de onde retirar a gordura para o enxerto”, argumenta.

Além disso, é mais raro haver necessidade de retoque após o enxerto. Isso é feito mais tardiamente, quando o paciente já sofreu mais perda de gordura facial por conta dos efeitos das medicações contra o HIV.

O cirurgião plástico Antonio Graziosi, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (regional São Paulo), reconhece que o PMMA pode ser uma alternativa quando não há possibilidade de enxerto de gordura. E acrescenta que a condição de imunodeficiência do paciente HIV positivo pode representar uma vantagem ao procedimento. “Isso ajuda o organismo a não perceber a presença de um corpo estranho”, esclarece. A chance de rejeição passa a ser menor.

Contudo, o médico dá preferência aos enxertos, quando o procedimento é viável. “A gordura vem do próprio corpo do paciente. Não haverá rejeição”, argumenta. Além de alguma eventual complicação imediata, o médico alerta para os efeitos do PMMA em médio e longo prazo. “Precisamos estudar mais esses efeitos”, diz ele.

Médicos alertam para plásticas sem comprovação

Procedimentos novos ou arriscados demais colocam a vida em risco e podem deixar marcas para o resto da vida

Médicos afirmam que é mais seguro fazer plásticas em hospitais

A falta de evidência científica para a realização de alguns procedimentos cirúrgicos tem sido alvo de preocupação entre especialistas em cirurgia plástica.

O implante de próteses mamárias em adolescentes, a mesoterapia (injeções contra celulite e gordura localizada) e os implantes nos bíceps fizeram parte dos debates que aconteceram na 31ª Jornada Paulista de Cirurgia Plástica, que se encerrou neste sábado (4).

Existem basicamente dois problemas que preocupam os médicos. Primeiro, algumas cirurgias são recentes e há poucos trabalhos científicos para embasá-las. Segundo, existem procedimentos perigosos demais ou ineficientes, mas que continuam sendo praticados.

“É o caso da mesoterapia com fosfatidilcolina”, aponta Carlos Alberto Komatsu, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), regional São Paulo. O tratamento consiste em injeções da substância nas regiões do corpo que tenham celulite ou gordura localizada.

Os resultados são visíveis. O medicamento dissolve a gordura localizada, permitindo que ela seja metabolizada pelo fígado. Contudo, existe o risco da gordura acumular no órgão e prejudicar o seu funcionamento.

“Muitas complicações já foram notificadas, como necroses na pele”, afirma o médico. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não tem registro do medicamento, que é originalmente indicado contra embolia gordurosa do coração.

A mesoterapia pode ser realizada com outras substâncias que, embora mais seguras, são menos eficientes. Komatsu recomenda aos interessados no procedimento que verifiquem a substância a ser usada e jamais utilizem fosfatidilcolina. “Uma lipoaspiração também pode ser considerada. Ela oferece resultados melhores”, sugere.

Perigo para o rosto

Outro alvo de discussões são os enxertos de PMMA (polimetilmetacrilato) para aliviar marcas de expressão no rosto. “Eles são permitidos apenas em casos muito específicos, como em pacientes afetados pela aids”, aponta o cirurgião plástico João Prado Neto, ex-presidente da SBCP (regional São Paulo). Nos demais, o produto é proibido por questões de segurança.

"Tenho uma paciente que perdeu parte do nariz e, mesmo depois da restauração, ficou marcada”, conta o médico.

O problema é que o PMMA é muito mais barato e durador do que os enxertos de ácido hialurônico, material considerado mais seguro para o procedimento. “Enquanto 1 ml de PMMA custa R$ 40, a mesma quantidade de ácido custa dez vezes mais. E o ácido é absorvido em um ano, já o PMMA pode durar até três décadas”, compara Prado Neto.

Silicone para os braços

Outro ponto destacado por Komatsu são os implantes de silicone nos braços. A técnica é usada para fazer homens parecerem mais musculosos ou para mulheres acabarem com a flacidez na região do tríceps – a famigerada flacidez do "tchauzinho".

“Esse tipo de cirurgia ainda está no começo. Existem poucos trabalhos científicos”, ressalta Komatsu. O implante é realizado com próteses originalmente desenvolvidas para a região da panturrilha, só que em menor tamanho.

Além da falta de evidência, o procedimento é questionado por ser uma espécie de atalho para a beleza. “A pessoa pode combater a flacidez ou ficar mais musculosa com dieta e exercícios”, afirma o cirurgião plástico Cássio Vieira, membro da SBCP.

“A cirurgia plástica deve ser o último recurso, afinal ela envolve um risco como qualquer cirurgia”, ressalta Komatsu.

Os médicos também discutem os cuidados especiais ao lidar com implantes de mama em adolescentes. O corpo delas ainda está em desenvolvimento e os seios podem crescer, o que tornaria um implante desnecessário ou precipitado.

Além disso, existe o aspecto emocional. A experiência clínica de alguns médicos confirma que as adolescentes estão mais sujeitas a mudarem de opinião e, portanto, correm um risco maior de rejeitar o resultado de um eventual procedimento.

Por fim, os especialistas alertam para a necessidade das cirurgias serem realizadas em hospitais, onde haja unidade de tratamento intensivo (UTI), e também que sejam feitas apenas por especialistas.

“A formação em cirurgia plástica requer três anos de cirurgia geral e outros dois em cirurgia plástica. É prudente não optar por médicos de outras especialidades que fazem um workshop e resolvem operar”, adverte Komatsu.

http://saude.ig.com.br/minhasaude/medicos+alertam+para+plasticas+sem+comprovacao/n1596995221322.html