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terça-feira, 7 de junho de 2011

Quem não pode tomar pilula



http://www.youtube.com/watch?v=saO5Nhbvjr8&feature=player_embedded

Falhas da Pílula

Como Evitar Gravidez - PÍLULA



http://www.youtube.com/watch?v=_fQxSG5IaNc&feature=player_embedded

Anvisa alerta para riscos do consumo da ração humana

Brasília - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fez um alerta sobre os riscos do consumo da chamada ração humana. De acordo com a Anvisa, esse tipo de produto não oferece todos os nutrientes necessários para uma alimentação adequada.


O informe técnico divulgado hoje (7) diz que esse tipo de produto é composto por diferentes ingredientes como guaraná em pó, gelatina em pó, cacau em pó, levedo de cerveja, extrato de soja, linhaça e gergelim. Segundo a nota, as pessoas que substituem refeições por esse tipo de produto estão colocando a saúde em risco.

As empresas também não poderão usar no rótulo desses produtos a expressão ração humana. Para a agência, o uso dessa expressão pode gerar dúvidas nos consumidores por não indicar a verdadeira natureza e característica do composto. Também não poderão constar no rótulo ou material publicitário do produto as alegações de que ele tem propriedades medicamentosas, terapêuticas e relativas a emagrecimento.

Segundo a Anvisa, a empresa que quiser vender produtos com alegações de propriedades funcionais e ou de saúde deve solicitar registro na agência. As empresas que não cumprirem as exigências estão sujeitas a pagar multa no valor até R$ 1,5 milhão.

Autoridades de saúde do Rio admitem que é preciso diminuir incidência do HIV embora números estejam estáveis

Rio de Janeiro – O desafio da luta contra a aids no Rio de Janeiro é diminuir os números de contaminação e mortes depois que se alcançou a estabilidade dessa estatística na última década. A assertiva é assumida tanto pelo governo municipal como pelo estadual.



É que, embora a incidência de casos notificados tenha baixado nos últimos dez anos, cerca de 1,5 mil pessoas descobrem que são portadoras de HIV anualmente no estado, conforme dados do Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde de 2010. O boletim indica que o número de óbitos em território fluminense – média de 9,3 mortes por 100 mil habitantes – é o segundo mais alto do país.

Segundo o superintendente de Vigilância Ambiental e Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde, Alexandre Chieppe, o grande desafio é descentralizar os recursos para fortalecer os municípios. “O governo do estado trabalha de forma complementar [aos municípios] e, há três anos, estamos transferindo recursos diretamente do governo federal e do fundo estadual para os municípios realizarem ações de prevenção. Nos últimos dois anos, já qualificamos mais de dez cidades para receberem esses recursos, principalmente nas regiões norte e noroeste [do estado], onde temos visto aumento do número de casos”.

Chieppe informou que a secretaria está desenvolvendo políticas direcionadas para grupos específicos. “Vemos, por exemplo, a tendência da feminilização da aids. Hoje, em algumas faixas etárias, há mais novos casos de mulheres do que de homens, no estado”.

Outra estratégia da Secretaria de Saúde, no enfrentamento da epidemia do HIV, é facilitar o acesso ao preservativo masculino. “A expectativa é que, nos próximos anos, a gente tenha uma distribuição anual de 60 milhões a 70 milhões de preservativos em unidades de saúde, sem necessidade de cadastramento ou identificação. A pessoa vai no dispenser [depósito] e pega a quantidade que achar necessária para seu uso, do parceiro ou dos familiares”.

Chieppe reconheceu que existe carência de leitos para pacientes com aids no estado e que os serviços ambulatoriais são insuficientes, mas garantiu que o governo tem investido na ampliação de unidades de assistência e no acesso ao diagnóstico precoce para a população.

“A gente tem visto um aumento do número de pessoas em acompanhamento, por conta da queda da mortalidade nos últimos anos e a rede ambulatorial está mais inchada. Os serviços existentes precisam ser otimizados e o serviço ambulatorial ampliado. Investir no combate ao subdiagnóstico e ampliar o acesso aos serviços de saúde. Essas são nossas prioridades para os próximos quatro anos”, afirmou.

A gerente do programa de DST/Aids da Secretaria Municipal de Saúde, Lílian Lauria, disse que o investimento em prevenção, por meio da atenção básica na capital, onde vivem cerca de 19 mil pacientes com aids, tem se mostrado uma estratégia eficaz na redução do número de novos infectados pelo HIV.

“O diagnóstico precoce melhora o prognóstico e diminui a infectividade do paciente, e a gente tem ampliado essa e outras ações de prevenção nas clínicas de família e em parcerias com organizações não governamentais. Só assim conseguiremos conter a epidemia, que está estável, mas que precisa diminuir”.

Comissão da Amazônia discute entrada do oxi nas aldeias indígenas

Brasília - A entrada e o consumo do oxi – droga ainda mais tóxica que o crack - nas aldeias indígenas localizadas na fronteira com o Peru, a Bolívia e Colômbia será debatida amanhã (7), a partir das 14 horas, em audiência pública na Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional. O debate foi proposto pelo deputado Padre Ton (PT-RO). Segundo ele, a audiência será uma oportunidade para ouvir autoridades do governo federal sobre a situação e buscar alternativas para o problema.



Devem participar dos debates o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira; o secretário especial de Saúde Indígena, Antônio Alves de Souza; a secretária nacional de Políticas sobre Drogas do Ministério da Justiça, Paulina Duarte, e o coordenador-geral de Polícia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal, Oislan Campos Santana.

Para o deputado Padre Ton, o consumo de drogas é um problema de saúde pública. Ele quer saber das autoridades o que está sendo feito em matéria de saúde para a população indígena. “O avanço das drogas é um dos piores flagelos da atualidade. Famílias são dilaceradas e indivíduos impedidos de sonhar com uma vida digna”, disse o parlamentar.

Organizações sociais do Rio dizem que há negligência no combate à aids no estado

Rio de Janeiro – Organizações da sociedade civil acusam as autoridades do Rio de Janeiro de negligência no combate à aids. A alta taxa de incidência de casos no estado, que ocupa o segundo lugar em número de óbitos do país (o primeiro estado é São Paulo), são reflexos desse descuido, de acordo com representantes de organizações não governamentais (ONG) e médicos de hospitais públicos.


Dados do Ministério da Saúde apontam que o estado do Rio de Janeiro ocupava, em 2009, o terceiro lugar em taxa de incidência de casos, com uma média de 30 casos por 100 mil habitantes. Já na comparação com a média nacional de óbitos, que é 6,1 casos por 100 mil habitantes, o Rio tem o segundo maior coeficiente de mortes por aids, com média de 9,3 por 100 mil habitantes.

Para o presidente do Grupo Pela Vidda/Rio, George Gouvea, é inadmissível que todos os anos morram cerca de 1,5 mil pessoas por aids no estado.

“Existe uma falsa impressão de que o problema da aids está resolvido no Brasil. A gente não pode admitir que a média de 35 mil novos casos notificados, por ano, no país, seja aceitável. Além disso, são cerca de 12 mil mortes por complicações de aids por ano. No caso do Rio, a situação é ainda pior, porque os números não baixam e estamos falando de um estado com recursos. Trata-se de uma estabilidade vergonhosa”, criticou George.

O secretário executivo do Fórum ONG/Aids do Rio de Janeiro, Willian Amaral, classificou de escandalosa a situação da assistência a pacientes com aids no Rio. “Faltam profissionais de saúde. Faltam leitos. A própria Secretaria Municipal de Saúde reconhece que faltam 442 médicos na capital. Além disso, estão sucateando os hospitais de referência, como o Gafree Guinle, que tem reduzido drasticamente o número de leitos nos últimos anos”.

Segundo Amaral, com o fechamento do Hospital Pedro II, na zona oeste da capital, que pegou fogo em outubro passado, 280 pacientes foram transferidos para o Centro Municipal de Saúde Lincoln de Freitas, também na zona oeste, que não tem estrutura para absorver esses pacientes. “O Instituto São Sebastião, no Caju, zona portuária, foi fechado em 2008 e o governo do estado disse que o Hospital dos Servidores [HFSE] se tornaria um hospital de referência e, até hoje, Inês é morta”.

Embora todos os hospitais da rede do Sistema Único de Saúde (SUS) tenham a obrigação de receber pacientes com aids, na prática, poucos têm leitos disponíveis para os mais de 20 mil pacientes que usam medicamentos antirretrovirais no estado. É o que garante um médico da Central Estadual de Regulação de Leitos [que controla a transferência de pacientes críticos para as unidades de saúde]. Ele pediu anonimato por medo de ser demitido.

“Há unidades com leitos para aids, como Pedro Ernesto, São Sebastião, Albert Schweitzer, que não têm internação para tuberculose, principal causa das mortes dos pacientes com aids. E, nas unidades especializadas em tuberculose, esses pacientes não conseguem atendimento, sobretudo, devido ao déficit de infectologistas”, disse.

O médico acrescentou que os três hospitais de referência em tuberculose no Rio, Santa Maria, Ary Parreiras e Raphael de Paula Souza, não têm centro de tratamento intensivo (CTI). “Desde o fechamento do Pedro II não consigo mais internar paciente de HIV. Entro no plantão e saio do plantão e o paciente de aids fica lá [nas emergências] até perder a indicação de internação. O paciente mais grave acaba morrendo”.

George Gouvea, do Grupo pela Vidda, disse que conhece pessoas portadoras do vírus HIV que usam endereço de amigos em São Paulo para receber tratamento no estado vizinho. “Alguns pacientes do Rio demoram até 60 dias para conseguirem ir à primeira consulta com o infectologista. Em São Paulo, os serviços são muito superiores e é por isso que os números de incidência e mortes estão caindo consideravelmente”.

Em dezembro passado, o Fórum ONG/Aids do Rio de Janeiro protocolou, no Ministério Público, carta solicitando providências sobre a situação da saúde pública no estado e a assistência aos portadores do HIV e aos doentes de aids. “Até hoje, estamos esperando uma resposta,” criticou Amaral.

Especialistas destacam avanços do Programa Nacional de Triagem Neonatal, mas cobram mais qualidade

Brasília – No Dia Nacional do Teste do Pezinho, lembrado no último dia 6, especialistas elogiaram as conquistas obtidas por meio do Programa Nacional de Triagem Neonatal, mas cobraram maior qualidade do sistema, com a ampliação de doenças testadas.


A presidenta da Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal (SBTN), Paula Regla Vargas, lembrou do alto índice de natalidade no Brasil – mais de 3 milhões de nascidos vivos ao ano. Segundo ela, o programa do governo tem uma cobertura atual de 80% e mudou a realidade brasileira por meio do monitoramento dos bebês. “Os pacientes fazem o diagnóstico, confirmam, tratam e são acompanhados por toda a vida”, destacou.

Nos últimos dez anos, mais de 25 mil pacientes em todo o país já foram localizados, estão sendo tratados e recebem acompanhamento. Entretanto, a qualidade da aplicação do exame preocupa. A coleta tardia, por exemplo, pode comprometer a detecção de doenças.

O presidente da Fundação Ecumênica de Proteção ao Excepcional, José Alcides da Silva, tem um filho com hiperplasia adrenal congênita – doença que, quando não tratada, provoca comprometimento mental. “O teste do pezinho é, para mim, um dos primeiros direitos da pessoa que nasce em território brasileiro. Gostaria que esse direito fosse mais respeitado e ampliado”, afirmou, durante o debate.

Na fase 1, o exame detecta a fenilcetonúria e o hipotireoidismo congênito; na fase 2, a fenilcetonúria, o hipotireoidismo congênito, doenças falciformes e outras hemoglobinopatias; e, na fase 3 (feita apenas em quatro estados), a fenilcetonúria, o hipotireoidismo congênito, as doenças falciformes, outras hemoglobinopatias e a fibrose cística.

O desejo de Silva é que a hiperplasia adrenal congênita e a deficiência de biotinidase (doença metabólica na qual o organismo não consegue obter a vitamina biotina da maneira adequada) sejam incluídas na triagem neonatal. Atualmente, os exames só são feitos na rede particular de saúde. “Esse avanço é mais do que necessário. São doenças que custam pouco para serem pesquisadas e menos ainda custa o tratamento”, disse.

Flávia Viotti, especialista em finanças, entende bem a importância da ampliação da triagem neonatal. A filha Gabriela, hoje com 9 anos, teve o diagnóstico de deficiência de biotinidase pouco após o nascimento – graças a um teste do pezinho realizado em uma clínica particular.

“Não sou médica, não sou técnica, mas sou mãe. A gente teve a sorte de fazer o teste pela rede particular. A Gabriela é uma criança normal, não tem nenhum problema de saúde. O tratamento me custa R$ 10 por mês. É uma doença simples, ela só toma vitamina”, contou.

O secretário nacional de Atenção à Saúde, Helvécio Miranda Magalhães, admitiu que é preciso ampliar o acesso e a qualidade do teste do pezinho realizado no Sistema Único de Saúde (SUS). Ele garantiu ainda que as duas doenças citadas durante a audiência pública serão incluídas ainda este ano na triagem neonatal.

Segundo Magalhães, é preciso fazer um diagnóstico da situação registrada em cada estado brasileiro, já que cada local utiliza fases diferentes para aplicar a triagem neonatal.

ONG apela a autoridades mundiais que invistam US$ 6 bilhões para o tratamento da aids

Brasília - A organização não governamental (ONG) Médicos sem Fronteiras (MSF) apelou aos líderes mundiais para que se comprometam com o tratamento de 9 milhões de pessoas contaminada com o vírus HIV até 2015. Para isso, serão necessários US$ 6 bilhões. Com esses recursos, a organização diz que é possível evitar mais de 7 milhões de mortes até 2020.


O apoio ao tratamento se destina, segundo a entidade, aos próximos quatro anos. O assunto é tema amanhã (8) de uma reunião específica na Organização das Nações Unidas. Para a ONG, os tratamentos em curso são eficientes, mas é necessário intensificá-los para reduzir a transmissão do vírus em 96%.

Pesquisas de institutos nacionais de saúde dos Estados Unidos indicam que pacientes que aderem a um esquema eficaz de terapia antirretroviral reduzem em até 96% o risco de transmissão do HIV ao parceiro sexual.

De acordo com especialistas, o Brasil é um dos poucos países que produzem e distribuem testes rápidos de diagnósticos de HIV para a população. Mesmo assim, o diagnóstico tardio representa um dos maiores problemas no enfrentamento da aids.

O presidente da organização não governamental Grupo Pela Vidda-São Paulo, Mário Scheffer, disse que há cerca de 250 mil soropositivos que não sabem que têm o vírus HIV. Segundo ele, é fundamental direcionar as ações para grupos específicos. “Há grupos que são afetados pelo HIV de forma mais contundente e que merecem políticas diferenciadas de prevenção”, disse.

*Com a agência pública de notícias de Portugal, a Lusa

Sensação de desequilíbrio pode ser causada por alterações no metabolismo

Tontura, sensação de que tudo está rodando ao seu redor, desequilíbrio, impressão de estar caindo, sensações de atordoamento ou desorientação podem ser sintomas de alterações labiríntica. Uma pesquisa realizada pela Unifesp aponta que a vertigem, considerada o principal sintoma da doença, atinge 33% das pessoas em algum momento da vida.
Nos indivíduos com mais de 65 anos este percentual sobre para 65%.



“O equilíbrio corporal faz parte de uma interação do labirinto com outros órgãos do organismo, como os olhos, os músculos, os tendões e as articulações”, diz Rita de Cássia Guimarães, otorrinolaringologista, otoneurologista e coordenadora do GAPZ (Grupo de Apoio a Pessoas com Zumbido de Curitiba).

Ainda de acordo com a especialista, “enjoo, vômito, sensação de medo, dores de cabeça, zumbido, ansiedade e até desmaios podem sinalizar o problema”.

O labirinto é uma estrutura do ouvido interno que faz parte do sistema vestibular, responsável pela manutenção do equilíbrio corporal. Ele é extremamente sensível a mudanças vasculares, metabólicas e do estado psíquico.

A doença labiríntica pode ser causada por disfunções clínicas não bem controladas como hipertensão, diabetes, alterações da tireoide, pela inflamação ou infecção do labirinto, maus hábitos alimentares, sedentarismo, estresse e traumatismos.

“Durante a consulta o especialista avaliará toda a história clínica do paciente, fará um exame físico minucioso e analisará os exames solicitados para detectar as causas”, ressalta.

Quem sofre com o desequilíbrio corporal deve procurar um otorrinolaringologista, que após o diagnóstico, fará o encaminhamento para outras especialidades, como a cardiologia, endocrinologia, neurologia, caso seja necessário. “Pelo fato de existir inúmeras causas, o tratamento é personalizado e deve solucionar todos os problemas diagnosticados relacionados à doença”, explica a médica.

De acordo com Rita, “o uso de medicamentos, mudanças nos hábitos alimentares e a recomendação da prática de exercícios são algumas das prescrições que podem ser feitas ao paciente dependendo do caso”, finaliza.

Especialista explica o que é e como tratar a vertigem

Os especialistas costumam definir a vertigem como uma perturbação do equilíbrio com sensação de movimento. “A vertigem é uma manifestação visível de que algo está errado e sua origem pode ter mais de 300 patologias diferentes”, esclarece a otorrinolaringologista Rita de Cássia Cassou Guimarães.


Ter a falsa sensação de movimento e rotação ou a impressão de que os objetos estão movendo e girando pode indicar vertigem. O problema ainda pode ser acompanhado por náuseas e perda do equilíbrio.

De acordo com a especialista, a sensação pode durar alguns minutos ou persistir por várias horas e até dias. “Normalmente o indivíduo se sente melhor ao deitar e permanecer parado, mas mesmo ficando imóvel a vertigem pode ter continuidade”, explica.

Devido ao grande número de possíveis causas, a realização do diagnóstico correto sobre a origem da vertigem pode demorar. A interdisciplinaridade é fundamental, para que as patologias sejam descartadas por meio da realização de exames específicos e a verdadeira causa seja identificada.

“O primeiro passo é procurar um especialista em otorrinolaringologia, que irá avaliar o paciente e se necessário o encaminhará para outras especialidades”, ressalta Rita de Cássia, que também é otoneurologista.

O otorrinolaringologista deve ouvir o paciente para reduzir a sua ansiedade e poder definir as características do sintoma. Quanto mais detalhes o indivíduo der ao médico, mais fácil será o diagnóstico e mais assertivo será o tratamento indicado pelo profissional.

“Várias perguntas são feitas, pois é imprescindível saber se há outros sintomas associados, em que situações eles ocorrem, qual a duração, em quais posições a vertigem aparece e se o problema surge mesmo durante o repouso ou somente quando o corpo está em movimento”, destaca.

A medicina dispõe de várias alternativas que auxiliam no diagnóstico detalhado da vertigem, como as técnicas que avaliam as interações entre o vestíbulo (cavidade do ouvido interno) e os movimentos oculares, feitos pela por um exame que permite diagnosticar distúrbios do equilíbrio corporal.

O tratamento é prescrito de acordo com a patologia identificada e as características do paciente. Normalmente é indicado o uso de medicamentos e a realização de técnicas específicas para reabilitação vestibular, que propiciam a recuperação por meio da adaptação, substituição e habituação.

“Essas técnicas são consideradas as melhores opções do tratamento das alterações do equilíbrio, como a vertigem, pois possui um nível de eficácia significativo e um bom grau de satisfação dos pacientes”, finaliza.

Logística Hospitalar - Gestão de Farmácias

Insumos hospitalares e os medicamentos estocados nas farmácias possuem um custo elevado. Sabemos que no setor da saúde, principalmente em hospitais, os recursos estão cada vez mais escassos, o que obriga aos gestores desses estabelecimentos uma busca por novas metodologias de controle. Este artigo apresenta um estudo de caso analisando, do ponto de vista logístico, o controle de estoques de duas farmácias de hospitais distintos, um público e outro privado. O foco será dado às formas de controle do estoque e à relevância de programas específicos para uma maior economia. Para tanto, estudou-se, com base na análise ABC, o grupo dos medicamentos de preços mais elevados que perderam sua validade no estoque hospitalar. Além da análise ABC, também foram utilizadas outras teorias logísticas como Ponto de Pedido e Lote Econômico de Compras, para melhoria do gerenciamento de estoques.

Dentro de um hospital, as questões focadas na administração de estoque dos medicamentos e a forma de distribuição destes em seus diferentes setores dizem muito em relação a qualidade da prestação de serviços pela farmácia.

Os estoques são considerados itens primordiais quando o objetivo é a redução de custos, devido a sua relevância no ciclo operacional das organizações. No Brasil, a taxa básica de juros fixada pelo governo e os juros de mercado são significativos, fazendo com os custos de manutenção de estoques sejam mais elevados em relação aos países desenvolvidos, portanto, altas taxas de juros sinalizam a urgência na busca de níveis de estoques mais baixos.

As farmácias, principalmente se hospitalares, dependem de uma logística bastante complexa quanto ao abastecimento e distribuição de medicamentos, uma vez que, como cabe a elas prestar serviços destinados a saúde é necessário que tenham em estoque todos os medicamentos prescritos para o bom andamento da instituição de saúde. Os estoques da farmácia hospitalar são caracterizados por ciclos de demandas e de ressuprimentos, com flutuações significativas e altos grau de incerteza. Estes são fatores críticos no momento de se planejar os estoques, visto a necessidade de manter-se medicamentos em disponibilidade na mesma proporção de sua utilização. Estes medicamentos/materiais são itens que chegam a representar, financeiramente, até 75% do que se consome em um hospital.

Observa-se que variáveis como o tempo de permanência em estoque e a quantidade de medicamentos armazenados estão entre as principais responsáveis pelo alto custo dos produtos nas farmácias hospitalares, fazendo com que o custo de medicamentos apresente um crescimento significativo e mais expressivo comparado com a inflação dimensionada para a saúde.

Nos Estados Unidos, observou-se que o custo das drogas/leito ocupado/ano subiu de U$$ 6,744 em 1989 para U$$ 9,850 em 1992, U$$ 13,350 em 1995 e U$$ 21,677 em 1998. (CARVALHO, L. M.; CORREA, T. H. A.; TEIXEIRA, T. M.; FONSECA, C. H. T. Gerenciamento de Farmácia Hospitalar -“Seleção de Medicamentos, usando o método ABC”)


Com esses índices conseguimos observar que os custos operacionais crescentes da saúde são insustentáveis, tanto aos cofres públicos, quanto as organizações de saúde privadas.

Nesse cenário, as restrições orçamentárias conduzem os administradores da saúde à procura de novas medidas gerenciais como o controle de recursos financeiros aliados à eficiência de sua utilização, e a redução dos custos operacionais concomitante com a melhoria da qualidade da assistência médica.

O estudo de caso que apresentamos a seguir foi realizado entre farmácias hospitalares da Região do Vale do Paraíba, interior do Estado de São Paulo. Buscamos avaliar a eficácia do controle de estoque das mesmas, baseando-se na teoria da Classificação ABC, Ponto de Pedido, Fator de Desperdício e Lote Econômico de Compras.

Na região foram pesquisados dois hospitais, um na cidade de Caçapava e um na cidade de São José dos Campos, sendo eles de administração pública e privada, respectivamente. Torna-se importante ressaltar que a cidade de Caçapava tem uma população de aproximadamente 80.458 habitantes, dos quais 90% desses são atendidos pelo hospital pesquisado. Já a cidade de São José dos Campos conta com uma população de 594.948 habitantes, onde 15% desses passam por atendimentos no hospital estudado.

Outro dado importante nesta pesquisa foi a média de atendimentos semestrais nos hospitais pesquisados, que foram de 1.910 atendimentos/mês no hospital privado e de 2.620 atendimentos/mês no hospital público.

O critério de escolha de um hospital público e outro privado para realização da pesquisa deu-se pelo fato de poder-se verificar nos dois tipos de administração as medidas logísticas que obtiveram sucesso e aquelas que precisam ser atualizadas ou modificadas para um resultado mais positivo.

Sabe-se que o controle de gerenciamento de estoques multi-itens é bastante complexo devido à diversidade, no entanto, neste estudo, focou-se nos itens fármacos de maior desperdício em função do prazo de validade, onde se avaliou as demandas, quantidades mínimas e máximas de estocagem.

O resultado da pesquisa aponta que o gerenciamento de uma Farmácia Hospitalar utilizando o método da Curva ABC é capaz de melhorar as despesas internas de um hospital, reduzindo os custos em 50%. Os medicamentos comprometem em torno de 15% do orçamento de um hospital e através da utilização da Classificação ABC como ferramenta de controle de gestão de estoque pode-se obter melhorias significativas.

Notou-se também que grande parte dos medicamentos desperdiçados nos dois hospitais pertencem as classes A e B da curva ABC. Ressaltamos que para uma boa administração dos estoques de medicamentos e uma melhor utilização dos recursos, essas classes não podem ser tratadas de forma semelhante aos outros produtos, uma vez que são as classes de maior valor agregado e custo muito maior.

Com a análise dos dados, pôde-se concluir que os resultados obtidos pelo método ABC mostrados neste trabalho abrem perspectivas no sentido de desenvolver uma administração Farmacêutica Hospitalar eficaz e de baixo custo, sem causar danos à terapêutica do paciente.

A partir dos resultados obtidos verificamos que mesmo com um alto custo de manutenção de estoques de fármacos, o Hospital Privado apresenta um fator de desperdício menor, quando comparado ao Hospital Público. Isso ocorre através da utilização de softwares atualizados que proporcionam um controle mais eficaz dos medicamentos. Outro ponto que deve ser focado é o treinamento dos funcionários que irão utilizar os softwares, uma vez que sem treinamento adequado os funcionários podem não utilizá-los adequadamente,fazendo que as melhorias propostas não sejam efetivadas.

Finalmente, os avanços na área da logística e de tecnologia de informação levam a uma busca de eficiência e de competitividade nas organizações de saúde, e isto é um fator crucial para a redução do desperdício do Hospital Privado. Observa-se que menores estoques significam menores custos e que sua redução agrega benefícios tanto interno como externo à organização.

Autores: *Bruno de Assis Alves (bruno1886@gmail.com), Lucas Felipe de Ambrósio Ribeiro (lucas.ambrosio@hotmail.com), Livia Dias e Wanderson Alves de Siqueira Conceição (wasc.otto@yahoo.com.br), são graduandos em Logística pela Faculdade de Tecnologia de São José dos Campos. E Bruno e Lucas são pesquisadores bolsistas pela FAPESP.

Spray de testosterona melhora memória de mulheres na pós-menopausa

Método é esperança para evitar a demência, mal que atinge mais as mulheres


O uso diário, por seis meses, de um spray com testosterona melhorou a memória de mulheres que já passaram pela menopausa, segundo um estudo da Universidade de Monash, em Melbourne, na Austrália.

Apesar de o método estar ainda em fase de testes, esse resultado pode ser a pista para um tratamento futuro que impeça as mulheres de desenvolver demência, já que o risco é maior entre elas do que entre os homens, segundo Sonia Davison, autora do estudo.

- Esses resultados oferecem uma terapia em potencial onde não existe atualmente algo para retardar o declínio cognitivo em mulheres.

Os pesquisadores compararam um grupo controle de 30 mulheres que não receberam o tratamento com um grupo de nove mulheres saudáveis que sofreram de menopausa precoce, entre os 47 e 60 anos, que receberam o spray de testosterona na pele.

A dose de spray retornou os níveis de testosterona no sangue para aqueles típicos de jovens mulheres em idade fértil, de acordo com Davison. Todas as mulheres tratadas estavam recebendo uma dose estável de terapia não-oral de reposição hormonal.

Depois disso, todas as mulheres foram submetidas a testes de função cognitiva com uma bateria de testes computadorizados que podem detectar até mesmo pequenas alterações no desempenho cognitivo, explicou a autora.

Os pesquisadores testaram a memória delas por meio de suas habilidades de recordar os itens de uma lista de supermercado e lê-las em voz alta para eles, além de um teste de aprendizagem verbal e de memória por meio de testes de aprendizado e memória visual. O teste cognitivo foi realizado no início e no final do estudo.

Após 26 semanas, as mulheres que não receberam o spray de testosterona não mostraram diferenças significativas entre os resultados do teste inicial e final. Já o grupo tratado com testosterona melhorou a sua aprendizagem e memória verbal, visto no teste da lista de compras, disse Sonia.

- A testosterona pode ter um papel protetor contra a demência.

E.coli é problema alemão, não europeu, diz comissário da UE para Saúde

Ele disse que o foco da bactéria está limitado a uma região geográfica

O comissário da União Europeia para a Saúde, John Dalli, afirmou nesta terça-feira (7) que o surto de infecções pela bactéria E.coli está limitado geograficamente ao norte da Alemanha e não necessita de medidas de controle.

Dalli também advertiu a Alemanha sobre a divulgação de informações sobre o foco não confirmadas, dizendo que isso espalha o temor e tem um impacto negativo sobre os produtores agrícolas.

As declarações foram feitas durante uma sessão do Parlamento europeu, em Estrasburgo, na França, antes de uma reunião de emergência entre os ministros da Agricultura dos países do bloco na tarde desta terça-feira (7) em Luxemburgo.

Mais de 2.200 pessoas em 12 países já apresentaram sintomas de infecções intestinais provocadas pela bactéria. Os casos registrados fora da Alemanha são de pessoas que moram ou viajaram ao país.

Das 22 mortes registradas, apenas uma ocorreu fora da Alemanha, na Suécia.

As autoridades alemãs inicialmente responsabilizaram pepinos importados da Espanha como foco da infecção, mas depois afirmaram que testes haviam descartado a possibilidade.

No último fim de semana, uma fazenda orgânica produtora de brotos de feijão para saladas perto de Hamburgo foi identificada como possível origem do foco, mas testes preliminares não comprovaram até agora a presença da bactéria no local.

"Foco limitado"

Dalli disse que o foco está limitado geograficamente.

- Eu enfatizo que o foco está limitado geograficamente à área no entorno da cidade de Hamburgo, então não há razão para uma ação no nível europeu. Medidas [tomadas pela UE como um todo] contra qualquer produto são desproporcionais.

Mas ele admitiu que a proibição ao comércio de alguns produtos é um problema para toda a União Europeia. A Rússia, principal comprador de legumes e verduras produzidos pelos países do bloco, anunciou na semana passada a suspensão de todas as importações.

- Estamos em contato constante com outros países, incluindo a Rússia. Estamos pedindo à Rússia que suspenda a proibição, que é desproporcional.

Ao comentar o andamento da crise, ele disse que apontar inicialmente os pepinos espanhois como fonte da contaminação foi um erro.

- É crucial que as autoridades nacionais não corram para dar informações sobre a fonte da infecção quando elas não estiverem justificadas pela ciência. Isso cria medo e problemas para nossos produtores de alimentos. Precisamos ter cautela para não tirar conclusões precipitadas.

"Honra do pepino"

Após o discurso do comissário da Saúde, um deputado espanhol discursou no Parlamento segurando um pepino e afirmou: "precisamos restaurar a honra do pepino”.

A Espanha diz que vai exigir da Alemanha uma compensação por 100% das perdas verificadas pelos seus produtores após a acusação falsa contra os pepinos exportados pelo país.

A associação espanhola de exportadores de frutas e hortaliças estima as perdas em cerca de R$ 520 milhões (225 milhões de euros) por semana.

Graças à tecnologia, alpinista cego "vê" montanha com a língua

Três décadas depois de ter perdido a visão, o americano Erik Weihenmayer é capaz de praticar esportes radicais e escalar montanhas.

Com a ajuda de um aparelho chamado BrainPort, ele consegue perceber o ambiente ao redor através de sua língua.

Weihenmayer usa óculos com câmeras que enviam imagens a um computador preso à cintura.

O computador traduz as imagens em uma foto de baixa resolução do ambiente. E esta imagem é enviada a uma das partes mais sensíveis do corpo do alpinista: sua língua.

Em um dispositivo que ele coloca na boca, centenas de minúsculos estimuladores elétricos tentam traduzir em pequenos choques as imagens que mais se destacam perante a câmera.

O alpinista conta que os estímulos criam linhas, formas e, por fim, imagens que são reinterpretadas pelo seu cérebro.

O dispositivo lhe dá um senso de espaço e, com a ajuda de uma segunda pessoa, permite que ele possa praticar o alpinismo.

assista ao vídeo:
http://www.bbc.co.uk/worldservice/emp/pop.shtml?l=pt&t=video&r=1&p=/portuguese/meta/dps/2011/06/emp/110603_alpinistacego_pai.emp.xml

Campanha de farmacêutica prega vida sem menstruação

Uma campanha na televisão e nas redes sociais está anunciando benefícios de suprimir a menstruação.

Chamada de "Viva sem menstruar", a ação publicitária recomenda às mulheres perguntar ao médico sobre remédios para acabar com o ciclo, sem citar marcas.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proíbe a publicidade de drogas vendidas com receita.

A responsável pela campanha é a farmacêutica Libbs, que faz anticoncepcionais.

"Viver sem menstruar é a melhor opção, pois o organismo da mulher não está preparado para tantas menstruações", afirmou a empresa, por meio de sua assessoria.

Mas, para Rogério Machado, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, isso não é verdade em todos os casos.

"Há mulheres que têm prejuízos com a menstruação e elas merecem ter a opção de suprimi-la. Mas não são todas que têm queixas."

Parar a menstruação não prejudicar a saúde. Mas a pílula de uso contínuo --um dos tratamentos para suprimir o ciclo-- tem contraindicações, como o uso por fumantes acima de 35 anos, por risco de trombose.

César Fernandes, presidente da Associação de Obstetrícia e Ginecologia de São Paulo, critica o estímulo para parar de menstruar.

"Não se pode passar a mensagem de que menstruar faz mal." Mas, para Machado, "o importante é mostrar que dá para mudar a maneira de tomar a pílula."



Anvisa veta uso do nome 'ração humana' em rótulo

Na moda em dietas, as "rações humanas", compostas de cereais e fibras e encontradas em mercados em todo o país, estão na mira da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

A agência vai divulgar nesta terça-feira um alerta de que a substituição de uma refeição por esse produto traz riscos à saúde, já que ele não tem todos os nutrientes necessários para a alimentação saudável.

A nota também deve dizer que os produtos não podem usar o nome de "ração humana" nem colocar no rótulo propriedades medicinais, como redução de colesterol.

Estão liberadas frases que informem que o composto faz bem para a saúde (por exemplo, que melhora o funcionamento do intestino).

Mas, para isso, os fabricantes terão que pedir o registro do alimento na Anvisa e apresentar estudos que demonstrem essas características.

A iniciativa surgiu após questionamentos de órgãos de vigilância estaduais sobre esses produtos, afirma Ana Cláudia Araujo, especialista em alimentos da Anvisa.

"O nome `ração humana' pode induzir o consumidor a engano e não diz claramente o que é aquele alimento."

Segundo ela, alimentos vendidos com essa nomenclatura já estão em desacordo com a legislação sanitária.

As empresas responsáveis devem ser notificadas e receberão um prazo para cumprir a medida. Caso isso não ocorra, estão sujeitas a multa de até R$ 1,5 milhão.

SACIEDADE

Segundo a nutricionista Cristiane Coronel, o crescimento do mercado de ração humana se deve principalmente ao fato de o produto, por ter muitas fibras, aumentar a sensação de saciedade.

Pioneira nesse mercado, a empresa Takinutri afirma ter o produto disponível em 1.300 pontos de venda.

Lica Takagui Dias, uma das sócias, diz que o objetivo do produto não é substituir refeições, mas melhorar o funcionamento do intestino.

A nutricionista Daniela Jobst, do Centro Brasileiro de Nutrição Funcional, diz indicar aos seus pacientes produtos do tipo para casos em que há carência de fibras Ðnunca, no entanto, para substituir uma refeição.

Se isso for feito, alerta, faltarão nutrientes, principalmente proteínas, que não estão em grande quantidade nos compostos.

Já Valéria Paschoal, da VP Consultoria Nutricional, vê com preocupação o crescimento do mercado de ração humana. "Ela estabelece um padrão diário de alimentação, mas a regra básica da nutrição é a variedade dos alimentos", afirma.

Segundo ela, o consumo exagerado pode causar hipersensibilidade, que leva a problemas como queda de cabelo e cansaço físico.

Meninas atrasam menstruação para ficar mais altas

As meninas estão menstruando cada vez mais cedo e têm cada vez mais informações sobre o assunto.

"Para mim, o tratamento foi bom; ia ficar pequena demais"

Entre elas, a de que não poderão crescer muito mais depois da primeira menstruação e que adiá-la seria uma forma de ficar mais altas.

"Existem protocolos para retardar a menarca. O problema é que as adolescentes ou as suas famílias estão querendo adiar a primeira menstruação por uma questão estética", diz a ginecologista Albertina Duarte.

Coordenadora do Programa de Saúde do Adolescente da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, Duarte diz que tem sido procurada por escolas para falar sobre o assunto.

Segundo ela, muitas meninas buscam informações na internet e tomam medicação sem o conhecimento dos pais.

ABUSO DE HORMÔNIO

Há formas naturais de retardar a menarca, como praticar exercícios intensos, ter uma alimentação pouco calórica e dormir direito.

Outras maneiras envolvem o uso de medicamentos, como progesterona, para impedir a ovulação, ou bloqueadores de gonadotrofina, responsável por disparar a fabricação de hormônios sexuais.

"Hoje, há um abuso de medicamentos à base de progesterona [para adiar a menstruação]", diz Duarte.

Não há garantia de resultados, afirma Teresa Cristina Vieira, endocrinologista pediátrica do Hospital Sabará.

"Pode estar na moda, mas não serve para nada. Se a puberdade não for precoce, retardar a menstruação não aumenta a estatura final."

A puberdade é considerada precoce quando chega antes dos oito anos.

Hoje, por vários motivos ainda discutidos pelos médicos (obesidade infantil, por exemplo), a primeira menstruação chega mais cedo.

"Era, em média, aos 13 anos, hoje passou para os 11. Em algumas meninas, valeria a pena retardar a menarca e ganhar alguns centímetros, mas é exceção", diz a ginecologista Denise Coimbra.

Para o ginecologista Elsimar Coutinho, autor de "Menstruação, a Sangria Inútil" (ed. Gente), o tratamento vale a pena. "Se a menina ganhar dez centímetros na vida, é uma vantagem grande."

Para esses casos, ele usa um anticoncepcional implantável, de progesterona. O hormônio começa a ser usado quando surgem sinais da puberdade --brotos mamários e pelos pubianos.

"A ideia é adiar a menstruação até os 14 anos. Eu faço muito isso com minhas pacientes. Principalmente filhas de médicos, porque eles sabem que isso é bom."

Albertina Duarte lembra que se a idade óssea da menina (que pode ser identificada por um raio-X do pulso) já está avançada, nenhum remédio faz crescer.

"Isso pode gerar decepção e depressão. Sem contar que os próprios hormônios do tratamento podem levar a alterações do humor."

Servidores da educação e saúde fazem greve em Osasco

Cerca de 200 servidores públicos realizam nesta manhã um protesto em frente a prefeitura de Osasco, na Grande São Paulo, reivindicando aumento salarial. Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, os trabalhadores dos setores de educação e saúde entraram em greve hoje.
Às 10h30, os manifestantes estavam em frente a prefeitura, na Avenida Bussocaba, no centro da cidade, com um carro de som. A Polícia Militar acompanha o protesto desde 9 horas. Segundo a corporação, o ato é pacífico. Procurada, a prefeitura disse que apura o número de funcionários que aderiram à greve.

O Sindicato dos Servidores da Saúde Pública do Município de Osasco (Sinsso) pede reajuste de 20%, pagamento integral do vale-transporte, entre outros benefícios. Na saúde, a greve foi decretada neste sábado e atinge principalmente o Hospital Antônio Giglio, a Maternidade Amador Aguiar, a UPA do Pestana e a UBS de Piratininga.

Espanha aposta em biomarcador para tratamento de câncer de mama

Iniciativa foi anunciada no 47º Congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, que ocorre nos EUA

Chicago (EUA) - Pesquisadores de 12 hospitais espanhóis lideram a busca de um biomarcador para terapia antiangiogênica em câncer de mama, mediante inovadoras técnicas moleculares e de imagem para avaliar a resposta ao tratamento.
O doutor Jesus García-Foncillas, chefe do serviço de Oncologia Médica da Clínica Universitária de Navarra e principal pesquisador do estudo IMAGING, anunciou a iniciativa no 47º Congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) realizado em Chicago.

A pesquisa foi considerada pela comunidade científica internacional, neste fórum, como um dos trabalhos "mais ambiciosos" neste âmbito.

O especialista explicou em declarações à Agência Efe, que a terapia antiangiogênica se incorporou com sucesso ao arsenal terapêutico de diferentes tumores.

A angiogenesis e proliferação de vasos sanguíneos é um passo prévio à transição de um grupo inofensivo pequeno de células a um tumor de tamanho e à disseminação de um câncer e metástases.

García-Foncillas assinalou que bloquear este processo significa impedir que o tumor possa nutrir-se da criação de novos vasos sanguíneos e desse modo seguir crescendo.

No entanto, este tratamento enfrenta alguns desafios, entre eles, a necessidade de descobrir um biomarcador que permita identificar os pacientes que melhor responderão a esta estratégia.

Outro desafio, que apontou García-Foncillas, é poder determinar mediante técnicas de imagem em que medida o tratamento alcança seu objetivo.

A análise se desenhou a fim de identificar no câncer de mama um biomarcador de eficácia para Bevacizumab, que é o antiangiogênico com maior número de indicações em câncer.

O Bevacizumab foi apontado por atender duas características: por uma parte, fazê-lo em um tipo de tumor no qual o remédio já estivesse aprovado e por outro, à revelia de nenhuma pista prévia realmente válida, fazer uma busca em massa com dados moleculares e de imagem.

A decisão de buscar o marcador no câncer de mama se deve a que este tumor é mais fácil de identificar que outros em biópsias repetidas durante o tratamento, afirmou o pesquisador, que disse que "se pode apalpar e ser identificado por ultrassonografia o lugar exato no qual deve fazer-se o punção".

Em julho do ano passado se iniciou a inclusão de mulheres, por enquanto são mais de 70, que receberam um ciclo de tratamento intravenoso com o antiangiogênico, antes e depois do qual se as analisava com técnicas de imagem por PET (tomografia por emissão de pósitrons) utilizando dois marcadores diferentes.

O primeiro informa sobre a divisão celular e o segundo sobre a situação de falta de oxigênio do tumor. "Também fizemos ressonância dinâmica e com contraste, biópsia e tomada de sangue antes e depois desse ciclo. Na continuação, foi aplicado Bevacizumab novamente às pacientes, mais quimioterapia em quatro ciclos", apontou.

Se obteve um resultado surpreendente porque se comprovou, pelas provas de imagem e a biópsia, que o antiangiogênico não só tem um efeito positivo sobre a vasculatura do câncer mas também sobre o próprio tumor.

Isto é só um primeiro passo porque, segundo o doutor, o câncer está "novamente reescrevendo" com os tratamentos individualizados e a busca de biomarcadores se situa como um dos principais objetivos tanto a curto como a longo prazo.

"Não estamos buscando em uma única direção, em um único marcador, mas na conjunção dos mesmos para identificar que pacientes podem beneficiar-se mais de cada tratamento", comentou .

Neste momento, o estudo IMAGING continua recolhendo dados na Clínica Universitária de Navarra (Pamplona), no Hospital Marqués de Valdecilla (a Cantábria), no de Basurto (Bilbao), no Onkologikoa (San Sebastián), no General Yagüe (Burgos), no Arnau de Vilanova (Lérida), no Miguel Servet (Zaragoza), no de São Millán (Logroño), no Hospital Donostia (San Sebastián), no de Navarra (Pamplona) e no Civil de Basurto (Bilbao).

Pesquisadora australiana desenvolve curativo para tratar feridas crônicas

Sydney (Austrália) - Uma pesquisadora australiana trabalha em um "curativo inteligente" para o tratamento de algumas doenças, como úlcera de perna, que conta com um material que muda de cor de acordo com o estado das feridas, informou nesta segunda-feira a imprensa local.

"O que estou desenvolvendo é um curativo que muda de cor em resposta às mudanças de temperatura da ferida", explicou Louise van der Werff, segundo a rádio ABC.

"Se alguém tem uma infecção ou inflamação é provável que a temperatura da região aumente", afirmou a pesquisadora da Universidade de Monash.

Mas, se por outro lado, a temperatura diminuir, ela ressalta que é possível que "exista outro tipo de problema como, por exemplo, no fornecimento de sangue ao tecido daquela ferida", revelou.

Espera-se que esta descoberta melhore a qualidade de vida dos doentes, principalmente idosos, diabéticos e pessoas obesas com feridas crônicas como úlceras de perna.

Em muitos casos, "as feridas de alguns pacientes demoram seis meses para ser curada porque as infecções recorrentes não são identificadas a tempo", ressaltou Louise.

Para produzir este curativo, a pesquisadora australiana busca incorporar na fibra do material uma molécula que muda de cor, podendo ficar vermelho, verde ou azul.

O curativo que muda de cor pode reduzir em cerca de US$ 500 milhões o custo do tratamento de feridas crônicas na Austrália porque facilita o diagnóstico do estado das lesões.

Pesquisadores estudam possível contraceptivo masculino sem esteroides

Composto testado interrompeu produção de espermatozoides sem apresentar efeitos colaterais

SÃO PAULO - Pesquisadores da Universidade Médica de Columbia estão envolvidos em uma pesquisa que pode resultar no primeiro medicamento contraceptivo masculino sem esteroides. O resultado dos testes prévios em camundongos foram publicados na revista científica Endocrinology.
De acordo com o estudo, um composto interrompeu a associação do ácido retinóico, ligado a dieta de vitamina A, com o receptor deste ácido, o que causou esterilidade nos animais parando a produção de espermatozoide. A fertilidade foi restaurada com o fim da administração do composto.

O estudo é um avanço na área, porque os métodos conhecidos que usam esteroides causam efeitos colaterais indesejáveis, como o risco de desenvolver doenças cardiovasculares e a diminuição da libido, por exemplo.

Mas os resultados ainda precisam passar por revisão, é preciso provar que a administração do medicamento por um longo período realmente não produz efeitos colaterais. Os pesquisadores já estudam uma pesquisa a longo prazo com seres humanos também para saber exatamente como o comporto interfere na fertilidade e se ela é totalmente recuperado com a interrupção do tratamento.

Vacina contra febre amarela é eficaz com dose 50 vezes menor que a atual

Fabio Motta-29/4/2011
Estudo. O pesquisador Reinaldo de Menezes Martins, consultor sênior de Bio-Manguinhos
 
 
Pesquisadores de Bio-Manguinhos/Fiocruz descobrem que resposta imunológica é semelhante nos dez meses seguintes à aplicação do imunizante; estudo também indica que as reações adversas à vacina são menores quando a pessoa já teve dengue

Uma pesquisa com 900 militares revelou que a vacina contra febre amarela é eficaz mesmo se a dose for 50 vezes menor do que a injetada atualmente na população. O maior estudo já realizado para avaliar a imunização com doses mais baixas foi realizado por pesquisadores do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), em parceria com o Instituto de Biologia do Exército.

"Esse trabalho é importante porque, se houver uma emergência de saúde pública, temos elementos que nos permitem aplicar a vacina diluída dessa forma em adultos", diz Reinaldo de Menezes Martins, consultor sênior de Bio-Manguinhos e principal pesquisador do trabalho. O estudo foi apresentado durante o Simpósio Internacional de Imunobiológicos, organizado em maio pelo Bio-Manguinhos.

Na próxima fase da pesquisa serão imunizadas crianças do Pará para saber se a eficácia se mantém também nesse público, explica o pesquisador.

Para o trabalho, foram recrutados 900 militares que nunca haviam tido contato com o vírus - não tinham sido vacinados nem contraído a doença. Desses, 895 aderiram ao protocolo e voltaram a ter o sangue testado 5 e 30 dias após terem recebido a dose. Um total de 146 teve sorologia positiva para o vírus da febre amarela e foi dispensado. Provavelmente haviam sido vacinados e não sabiam. Participaram da pesquisa e foram imunizados 749 militares.

A pesquisa mostrou que a eficácia da dose diluída 50 vezes é de 96,9% - praticamente a mesma da que é aplicada hoje (97,7%). Essa resposta se manteve nos 10 meses seguintes - a testagem será repetida nos próximos dez anos, para saber se a vacina fracionada tem a mesma garantia de uma década da dose completa. A redução da quantidade de partículas de vírus reduziu a dor no local da aplicação.

Efeitos adversos. O grande desafio dos especialistas é obter um produto que consiga reduzir os casos de eventos adversos graves da vacina da febre amarela - a cada 300 mil pessoas imunizadas, 1 morre por efeito da vacina.

Martins explica que não houve mudança do comportamento do vírus ao longo dos anos. "Até 1999, não se sabia que os eventos adversos eram tão graves, porque aconteciam em regiões mais remotas do País e as pessoas atribuíam os falecimentos à própria febre amarela ou a outras causas", conta. Com o sequenciamento genético, passou a ser possível identificar se a morte havia sido provocada por vírus vacinal ou pelo vírus selvagem.

"Deve ficar muito claro que a vacina é importantíssima. Metade das pessoas que contraem febre amarela morre. Os eventos adversos ocorrem em escala muito menor", alerta Martins.

Proteção extra. O estudo não permitiu aos pesquisadores avaliar se a menor quantidade de partículas de vírus na vacina reduz o risco de efeitos adversos - seria preciso ampliar muito o número de pessoas estudadas. Mas revelou uma curiosidade interessante.

Já se sabia que aqueles que sofrem as piores reações são os que têm maior presença do vírus no sangue após a vacinação, a chamada viremia. A pesquisa mostrou que os militares com sorologia negativa para dengue e febre amarela, ou seja, que nunca haviam contraído nenhuma das duas doenças, tiveram viremia de 18,5%. Entre aqueles que foram contaminados pelo vírus da dengue, a viremia foi de 2,1%.

"É como se a dengue protegesse contra a febre amarela, atenuando a doença de tal maneira que o paciente não tem viremia. Quem teve dengue e recebeu a vacina possivelmente terá menos efeito adverso à vacina", afirma Martins.

O pesquisador lembra que o transmissor das duas doenças é o mesmo - o mosquito Aedes aegypti. "Todos sempre se perguntam porque a Ásia tem muita dengue e não tem febre amarela. O mesmo ocorre no Rio. Esse resultado que encontramos pode nos levar a essa resposta."

Tratamento do melanoma se aproxima do final, após 30 anos de pesquisa

Um estudo recente sobre a doença obteve boa resposta no tratamento de 86% dos casos analisados

Chicago (EUA)- Após 30 anos de pesquisa, o Congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) alcançou neste domingo grandes progressos sobre o tratamento do melanoma metastásico, cuja incidência cresce 10% a cada ano e ao que só sobrevive 1 de cada 4 pacientes aos 12 meses do diagnóstico.
Neste congresso coincidiram várias pesquisas com tratamentos dirigidos contra um tumor para o qual apenas havia uma breve abordagem, incluindo a quimioterapia.

O doutor Salvador Martín Algarra, presidente do Grupo Espanhol Multidisciplinar de Melanoma (GEM), destacou, em declarações à Agência Efe, dois ensaios em fase III (com a participação de centenas de pacientes) que verificaram a eficácia de fármacos inovadores.

O primeiro atua sobre o sistema imunológico (ipilimumab) e o outro utiliza uma via molecular (vemurafenib), convertendo-se no primeira tratamento personalizado para os doentes com mutação da proteína BRAF V600, que apresentam 50% do total dos afetados.

Antoni Ribas, do centro de câncer da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), acompanhou o teste BRIM3, cujos dados mostram que o uso de vemurafenib consegue que os pacientes com melanoma metastático e mutação da proteína BRAF V600 "vivam mais tempo e além disso sem experimentar uma piora".

Em declarações à Agência Efe, explicou que este fármaco oral foi desenvolvido com uma prova diagnóstica que identifica os candidatos a beneficiar-se do tratamento, dando assim mais um passo no conceito da "medicina individualizada".

O trabalho, no qual participaram 675 pacientes, comparou o uso de vemurafenib em primeira linha de tratamento frente à quimioterapia dacarbazina, com um resultado de uma diminuição do risco de mortalidade de 63%.

Os bons resultados do estudo - apenas 14% dos doentes não responderam - ressaltam, segundo o pesquisador, a necessidade que os centros hospitaleiros da Espanha incorporem como rotina o estudo genético de todos os melanomas avançados.

Um segundo estudo fase III com ipilimumab também cumpriu seu objetivo principal de sobrevivência global ao melanoma metastásico, e seus resultados foram publicados no New England Journal of Medicine além de apresentar-se em ASCO.

A doutora Caroline Robert, do Instituto Gustave Roussy de Paris e autora principal do estudo, informou que 47% dos pacientes tratados com a combinação de ipilimumab mais dacarbazina sobrevivia após um ano, 28% após dois anos e 20% seguia vivo após três anos.

A média de duração da resposta foi de 19,3 meses no grupo tratado com ipilimumab mais dacarbazina, frente os 8,1 meses dos que só receberam quimioterapia, precisou o doutor Jedd Wolchok, pesquisador do Memorial Sloan-Kettering Câncer Center.

O presidente do GEM concluiu que estas novas vias "abrem uma janela e esclarecem, pela primeira vez em muitos anos, o que permaneceu obscuro durante muito tempo".

"Temos uma droga que consegue taxas de sobrevivência altas a longo prazo, comparada com a quimioterapia, e outra que alcança uma taxa de resposta muito alta em um subgrupo de pacientes com este tumor", assinalou o presidente do GEM.

O seguinte passo a dar é, segundo sua opinião, combinar estes dois remédios e, de fato, tanto Roche como Bristol, os dois laboratórios que desenvolveram as pesquisas "estão de acordo" para empreender um teste combinado.

Estudo espanhol abre portas a novos remédios contra leucemia linfática

Madri - Um estudo realizado por cientistas espanhóis sobre a leucemia linfática crônica abre uma nova etapa na luta contra esta doença, já que permitirá desenvolver remédios específicos para combater as mutações causadoras deste tipo de câncer.
Na pesquisa, que representa um grande avanço na luta contra a doença, participaram 60 pesquisadores espanhóis, liderados por Elías Campo, do Hospital Clinic e a Universidade de Barcelona (nordeste), e Carlos López-Otín, da de Oviedo (norte).

Os especialistas compareceram neste domingo em Madri junto à ministra de Ciência e Inovação espanhola, Cristina Garmendia, que considerou o estudo "um novo marco" para a pesquisa, ao conseguir a sequência do genoma completo de pacientes com leucemia linfática crônica e identificar quatro das mutações que a provocam.

Os responsáveis do trabalho, que representa a primeira contribuição da Espanha ao Consórcio Internacional do Genoma do Câncer (ICGC), conseguiram detectar pelo menos quatro genes que são recorrentemente modificados, ou seja comprovaram que em diferentes pacientes aparecem as mesmas mutações.

A pesquisa permitirá desenvolver estratégias terapêuticas dirigidas concretamente a estas mutações, assinalou López-Otín, que espera que em três anos a equipe de pesquisadores tenha conseguido sequenciar 500 genomas deste tipo de leucemia.

Mas o desafio mais esperado é conseguir desenvolver uma aplicação clínica do que se averiguou até agora, como ocorreu com outros tipos de câncer.

Garmendia lembrou que existe um plano com a indústria farmacêutica e se mostrou convencida que esta entenderá as "vantagens competitivas" que supõe a pesquisa na hora de propor possíveis tratamentos para a doença.

O estudo, publicado na revista Nature, consegue dar-nos novas pistas da leucemia linfática crônica, o mais comum dos tipos de leucemia em países ocidentais e diagnosticado em mil pacientes cada ano na Espanha.

É um trabalho emoldurado no ICGC, o maior projeto de pesquisa contra o câncer da história, no qual participam cientistas de 12 países para sequenciar e interpretar os 50 tipos de câncer mais importantes.

Os pesquisadores espanhóis constataram que cada tumor sofreu cerca mil mutações em seu genoma, e a posterior análise dos genes mutados em um grupo de mais de 300 pacientes permitiu identificar quatro genes cujas mutações provocam este tipo de leucemia.

Para analisar o amplo volume de dados gerado no projeto, os especialistas utilizaram uma ferramenta de computador essencial que identifica as mutações presentes nos genomas do tumor.

O programa foi criado para este projeto e servirá para a pesquisa de outros tipos de câncer, uma doença que é a segunda causa de morte na Espanha.

Interatividade na web transforma modo de atuar de pacientes e médicos

Por meio de redes sociais, pacientes trocam experiências e avaliam médicos que os atendem; serviços são polêmicos, mas especialistas já conseguiram detectar epidemia observando os temas em discussão

Engenheiro de software, o canadense Geoffrey Shmigelsky, de 42 anos, chegou a um diagnóstico digno do doutor House - aquele da série de TV. Por dois anos, sofreu de dores no peito. O problema aparecia a cada 17 dias. "Fui a médicos e psicólogos. Tudo em vão", conta. Decidiu ingressar numa comunidade virtual de pacientes. Com a troca de experiências, descobriu que o problema era causado por um parasita alojado em seu pulmão. "A cura era uma pílula de US$ 10."

O site acessado pelo canadense - Cure Together (curetogether.com) - reúne portadores de diversas doenças. Ao se cadastrar, o internauta preenche um questionário relatando seus sintomas, os tratamentos que experimentou e os resultados que obteve. O sistema então indica usuários com o mesmo perfil para ele entrar em contato.

O Cure Together é apenas um exemplo da revolução que as ferramentas da web 2.0 - redes sociais, blogs, microblogs e tudo que permita a construção coletiva do conhecimento - estão provocando na forma como as informações sobre saúde são produzidas e disseminadas. O movimento, ainda tímido no Brasil, já tem nome: Saúde 2.0.

"Acreditamos que o paciente deve deixar de ser mero passageiro e se tornar o condutor responsável de sua saúde", afirma o americano Dave deBronkart, líder da Sociedade pela Medicina Participativa (SPM, na sigla em inglês). Mas ele alerta: a ideia não é que o doente assuma o lugar do médico e sim que se torne parceiro. "Metade dos fundadores da SPM é médico", revela.

Contudo, há relatos de situações em que a crescente autonomia dos pacientes conectados obrigou médicos e gestores a rever condutas e políticas públicas. Algumas vezes, sem o desejável respaldo científico (mais informações na próxima página).

De qualquer forma, ferramentas como o Cure Together não são úteis só para pacientes. A base de dados desse site, por exemplo, alimenta pesquisas de universidades como MIT, Stanford e Carnegie Mellon. São informações cadastradas por mais de 26 mil usuários - cerca de 230 brasileiros. "Estamos criando uma versão em português", diz a idealizadora Alexandra Carmichael.

Ao monitorar os temas de saúde mais frequentes nas redes sociais, blogs e sites de busca, cientistas são capazes até de detectar epidemias. Nos EUA, por exemplo, um aumento nas consultas relacionadas a diarreia e intoxicação alimentar no Google serviu como pista para identificar um surto de salmonelose. É o que relata um trabalho publicado no New England Journal of Medicine (NEJM) em 2009.

Além de serviços parecidos com os do Cure Together, o site Patients Like Me (patientslikeme.com) apresenta estatísticas sobre eficácia e riscos de remédios e outras terapias. Há também uma lista de testes clínicos com novos medicamentos - ainda não aprovados - e o contato das empresas responsáveis.

Até mesmo um ranking com os melhores e piores médicos é possível encontrar nos sites americanos Rate MDs (ratemds.com) e Revolution Health (revolutionhealth.com). A lista dos "top 10" é elaborada com as notas atribuídas pelos pacientes cadastrados.

Muitos argumentam que os comentários feitos nesses sites, por serem anônimos, não são confiáveis. Mas um artigo do NEJM afirma que eles têm algo a ensinar. No texto, a psiquiatra Shaili Jain ressalta que médicos costumam aprender nos livros ou com os colegas o que faz um bom profissional. "Raramente ouvimos os anseios dos pacientes porque, no mundo real, eles não costumam dizer o que pensam cara a cara", diz ela.

Em relatório de 2010, a consultoria Terra Fórum apontou a Saúde 2.0 como "tendência que transforma a dinâmica de prestação de serviço no setor ao retirar dos profissionais de saúde o monopólio do conhecimento". "Os médicos sempre serão resistentes, mas, a despeito das críticas, as ferramentas da web 2.0 estão aí. É melhor que você participe e as utilize bem", diz o consultor Claudio Terra.

UE estuda reformar sistema de alerta para perigos com alimentos

Luxemburgo - A União Europeia estuda reformar o sistema de alerta para alimentos perigosos a fim de evitar novos alarmes prematuros e sem base científica suficiente, enquanto segue indefinida a origem do surto de E. coli.

No Conselho de Saúde realizado nesta segunda-feira em Luxemburgo, os Estados-membros analisaram a gestão da crise sanitária gerada pelo surto na Alemanha e um grupo de países liderado pela Espanha pediu medidas concretas para evitar que se repita uma situação como a causada pelo "alarme falso" sobre os pepinos.

A proposta da Espanha para aprimorar o sistema teve o apoio de países como França, Itália e Polônia, enquanto a Comissão Europeia destacou a necessidade de "ajustes" para que os alertas passem a se basear mais em fundamentos científicos e para que haja mais coordenação entre os membros da UE.

O comissário europeu de Saúde, John Dalli, destacou a necessidade de encontrar o foco da infecção o mais rápido possível, depois que foi descartada a última pista que levava a plantações de leguminosas germinadas na Baixa Saxônia (Alemanha).

Dalli afirmou em entrevista coletiva que o epicentro da infecção continua no norte da Alemanha e fez recomendações "singelas" aos consumidores europeus, como lavar cuidadosamente os vegetais consumidos crus.

Ao ser questionado pelo alerta prematuro ativado pelas autoridades sanitárias alemãs, que apontaram pepinos de origem espanhola como causadoras do surto, Dalli afirmou "entender" que tenham feito isso sem contar com indícios suficientes "com o objetivo de proteger a população de um potencial perigo".

Embora tenha descartado que o atual sistema de alerta rápido de alimentos e rações (Rasff, na sigla em inglês) "precise de uma reforma", admitiu a necessidade de "ajustes com base no que aconteceu desta vez, sobretudo para melhorar a coordenação".

O sistema "deve estar mais unido aos testes" que são indispensáveis "na hora de fazer certas declarações", segundo Dalli.

As notícias sobre possíveis perigos para a saúde "viajam rápido, criam muito medo na população e danificam os produtores do sistema europeu", acrescentou.

Na mesma linha, o ministro da Saúde húngaro, Miklós Réthelyi, destacou a dificuldade de abordar ao mesmo tempo questões de saúde pública e interesses econômicos na hora de enfrentar um surto como o desta bactéria.

Já a ministra espanhola, Leire Pajín, transmitiu seu "profundo mal-estar" pela gestão da crise realizada pela Alemanha à secretária de Estado de Saúde alemã, Annette Widmann-Mauz.

Entre as reformas concretas para evitar que se repitam situações semelhantes no futuro, a Espanha propõe que antes de ativar o sistema seja feito um comunicado a todos os países afetados, explicou Pajín, além de fixar padrões comuns para as análises dos diferentes Estados-membros.

Segundo os dados da Comissão Europeia, a linhagem 0104 da "E. coli" afetou até agora cerca de 1.700 pessoas de 11 Estados-membros, dos quais uma centena sofre complicações médicas, e causou 20 mortes.

Os responsáveis de Agricultura da UE realizarão nesta terça-feira um encontro extraordinário em Luxemburgo, no qual tentarão um acordo sobre o tipo de compensações que serão concedidas ao setor hortifrutigranjeiro pela queda do consumo provocado pelo surto.