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domingo, 12 de junho de 2011

Proposta de banir circuncisão divide a Califórnia

Defensores do projeto de lei, a ser votado pelo Estado americano em referendo, falam de mutilação; judeus e muçulmanos seriam os mais afetados


Apesar da oposição de entidades judaicas, islâmicas e médicas, a circuncisão de recém-nascidos pode ser proibida em San Francisco e outras cidades da Califórnia a partir de novembro, quando os eleitores votam em referendo se concordam ou não com o banimento da prática milenar.

"A mutilação infantil de meninas foi banida há décadas. Como podemos aceitar então que meninos sejam mutilados logo depois de nascer?", questiona Georganne Chapin, uma das líderes do movimento a favor da proibição.

Na visão dos defensores do fim da circuncisão, a prática é uma agressão às crianças. Em seu site, a organização Intact America delineia argumentos a favor da proibição. Dizem que o prepúcio protege o pênis e fornece elasticidade suficiente em caso de ereção. Também cita possíveis sequelas da circuncisão.

O texto da lei a ser submetida ao referendo defende que seja "ilegal circuncidar, cortar ou mutilar parte ou toda a pele do prepúcio, testículos ou do pênis de qualquer pessoa menor de 18 anos". Isso inclui cirurgia em hospitais. Adultos poderiam fazê-la por questões de saúde. Se a lei for aprovada, quem desrespeitá-la pagará multa de cerca de US$ 1 mil e poderá ser preso.

A medida será votada em um momento em que pesquisas indicam menor incidência de transmissão de HIV caso o portador do vírus seja circuncidado. Outras pesquisas citam vantagens em realizar a cirurgia, incluindo a redução no câncer peniano. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também recomenda a circuncisão, que tem crescido em regiões como a África.

Nos EUA, a prática está em queda acentuada na última década. Apesar de 80% dos americanos serem circuncidados atualmente, apenas 32,5% dos bebês foram submetidos à cirurgia em 2010. Três anos antes, eram 56%.

Nenhuma pesquisa sobre o apoio à proposta de banimento foi realizada. Em levantamentos na internet sem rigor científico, a maior parte da população de San Francisco se opõe à proibição, pois a decisão deve ser de pais e médicos, além de violar a liberdade religiosa.

Mas esse argumento não convence os defensores da lei. Matthew Hess, fundador do Movimento contra a Mutilação Genital Masculina, diz que "a liberdade religiosa se encerra quando atentamos contra o corpo de outra pessoa". Nesta semana, ele foi acusado de antissemitismo ao fazer um cartum ironizando a circuncisão no judaísmo.

Os mais afetados pela proibição seriam judeus e muçulmanos. A circuncisão é obrigatória nessas religiões. Integrantes de entidades islâmicas e judaicas se juntaram na oposição à proposta. "É uma ação que vai contra nossas tradições", disse o Conselho das Relações Islâmicas e Americanas. Em artigo, o rabino Fred Kogen, responsável por milhares de circuncisões em cerimônias judaicas, diz que não há como comparar a circuncisão genital feminina com a masculina. "Nas meninas há uma completa desfiguração, reduzindo o prazer sexual a zero."

PARA ENTENDER

Judeus fazem cerimônia

Segundo a tradição, os judeus devem circuncidar os bebês em uma cerimônia denominada brit. O processo é comandado por um rabino, e o ideal é que ocorra em uma sinagoga. Muitos judeus optam por realizar a cirurgia em hospitais para evitar o risco de infecção.

Os muçulmanos teriam herdado do judaísmo a tradição, mas não há uma cerimônia e o procedimento não é obrigatório. Não há no Alcorão nenhuma menção à circuncisão, mas a recomendação se estende às meninas.

Teste genético ajuda a reorientar tratamento do câncer de mama

Esse pode ser o primeiro passo para a oncologia personalizada; estudo foi publicado na 'Annals of Oncology'


BARCELONA - O Grupo Espanhol de Pesquisa em Câncer de Mama (Geicam) confirmou em um estudo que um teste genético denominado Oncotype Dx ajuda a reorientar o tratamento do câncer de mama em um terço das pacientes e que representa um primeiro passo para a oncologia personalizada. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Annals of Oncology.

O resultado constata, segundo o chefe de serviço de Oncologia do hospital, Joan Albanell, que o teste orienta o especialista na decisão de acrescentar ou não quimioterapia ao tratamento com terapia hormonal em pacientes com câncer de mama em estádio precoce.

Para validar esse teste, que foi realizado em sete centros, entre eles o Hospital del Mar, em Barcelona, foram estudados 107 pacientes, informa o centro hospitalar em comunicado. O Geicam é formado por 660 especialistas que trabalham em 176 hospitais.

Segundo Albanell, também prediz a magnitude do benefício da quimioterapia e avalia o risco real de recaída da paciente. Para este especialista, o teste é muito útil porque evita a quimioterapia em mulheres nas quais o benefício previsto é mínimo ou inexistente, tanto pela toxicidade quanto pelo próprio custo do tratamento.

O impacto do Oncotype Dx já foi avaliado nos Estados Unidos, mas, para estender os resultados a outras populações, era necessário fazer estudos em outros países, segundo as mesmas fontes. A Espanha foi o primeiro país europeu a validar o impacto clínico desse teste e, a partir de agora, serão iniciados estudos em outros países do continente.

Projeto amplia oferta de transplante

Objetivo é capacitar centros em 14 Estados e melhorar remuneração de equipes


Um projeto que tem como objetivo treinar equipes para captar órgãos e realizar transplantes em 14 Estados brasileiros deve ser submetido nos próximos dias à avaliação do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Caso a proposta seja aprovada, o sistema de transplantes em vigor no País será descentralizado e pode ganhar um novo modelo de gestão, que prevê capacitação de médicos para este tipo de procedimento e melhor remuneração às equipes.

Elaborado pelo Comitê Estratégico para Desenvolvimento de Novos Centros de Transplantes, um órgão consultivo criado pelo Ministério da Saúde logo após a posse da presidente Dilma Rousseff e integrado por acadêmicos e especialistas da área, o projeto prevê a realização de contratos entre os gestores públicos de hospitais e entidades privadas sem fins lucrativos para garantir remuneração atraente às equipes.

"Realizamos cerca de 6,4 mil transplantes de órgão sólidos (rim, pulmão, fígado, coração e pâncreas) por ano no Brasil, o que representa 35% da demanda estimada. Mas esses 35% estão concentrados na faixa litorânea", afirma o cirurgião Silvano Raia, coordenador executivo do comitê e pioneiro do transplante de fígado no País.

A estratégia proposta pelo comitê é treinar equipes desses 14 Estados que hoje não realizam transplante de forma regular para fazer a captação de órgãos. Isso inclui busca de potenciais doadores nas UTIs, manutenção desses pacientes críticos para que os órgãos não se deteriorem, diagnóstico de morte encefálica, técnicas de abordar a família para pedir o consentimento e a retirada dos órgãos. Essa capacitação seria feita por meio de estágios realizados nos centros de excelência do País, como Incor e Hospital do Rim, chamados no projeto de polos centrais.

Em segundo lugar viria a capacitação de médicos para a realização da cirurgia de transplante de órgão, o que seria feito de forma regionalizada (mais informações nesta página).

"Até agora, os polos interessados procuravam o Sistema Nacional de Transplante de Órgãos (SNT) para formar equipes de captação e, mais tarde, centros de transplante", explica Raia. "Se o projeto for implementado, o Ministério da Saúde, por meio do comitê, irá até os polos-alvo para estimulá-los a desenvolver a estrutura."

O presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), Ben-Hur Ferraz Neto, ressalta que um obstáculo a ser vencido é o fato de que muitos Estados ainda não possuem uma política estadual de transplantes. "Não adianta formar pessoas que depois não vão encontrar emprego ao voltar para seus Estados. É preciso que os hospitais tenham entre suas prioridades manter um grupo de pessoas que entendam de transplante", analisa.

Esses grupos especializados hoje estão concentrados em hospitais privados ou instituições universitárias que contam com fundações de apoio de caráter privado, como é o caso do Hospital das Clínicas de São Paulo. Segundo Raia, isso ocorre porque, ao contrário dos hospitais públicos da administração direta, essas instituições pagam às equipes salários de mercado.

"O comitê está estudando uma maneira de fazer a descentralização também nesse sentido", diz Raia, que defende a adoção de contratos de gestão para os hospitais candidatos a virar centros regionais de transplante. Isso permitirá que as equipes sejam remuneradas por procedimento e não de acordo com o plano de carreira do funcionalismo público. O modelo, no entanto, seria possível apenas em hospitais geridos por entidades privadas sem fins lucrativos - as chamadas Organizações Sociais da Saúde (OSs) - ou naqueles que contam com fundações de apoio.

"Para o futuro, a meta seria a construção de novos institutos de transplantes por meio de parcerias público privadas (PPPs). Esses novos hospitais seriam geridos por OSs", defende Raia.

Gestão. A proposta, apresentada na semana passada na Academia Nacional de Medicina, conta com o apoio de dois ex-ministros da Saúde: Adib Jatene e José Gomes Temporão. Este último defendeu em sua gestão a adoção do modelo das Fundações Estatais de Direito Privado - empresas que, ao contrário das OSs, seriam criadas pelo próprio Estado para gerir hospitais públicos sem ficar presas a trâmites burocráticos como realização de concursos e licitações.

"Os hospitais públicos carecem de novos modelos de gestão. Enquanto não se cria esse novo modelo, a abordagem proposta por Raia pode ser uma ferramenta interessante", diz Temporão.

Mas a concessão de hospitais públicos a empresas privadas está longe de ser um consenso. "A proposta deve encontrar resistência da ala do Conselho Nacional de Saúde composta de trabalhadores. Eles alegam que isso seria a privatização da saúde", explica Jorge Kayano, especialista em administração hospitalar. Para ele, o modelo das Fundações Estatais de Direito Privado é uma opção que permite maior controle sobre a gestão dos recursos públicos.

Heder Borba, coordenador do Sistema Nacional de Transplantes, explica que não cabe ao ministério decidir como será feito o pagamento das equipes de captação e de transplante. "Isso deve ser pactuado pelo gestor local", diz. Borba revela que a pasta está liberando recursos para incentivar a criação de equipes de captação de órgão, mas considera que a cirurgia de transplante já é bem remunerada pela tabela SUS.

Você sabe o que é camisinha, mas não sabe como utilizar? Confira as principais dúvidas sobre o uso do preservativo

Camisinha. Todos sabem o que é e para o que serve. Contudo, o uso do preservativo ainda gera muitas dúvidas entre os homens, principalmente nos jovens, que estão iniciando a vida sexual. Fazer sexo com segurança não só evita o problema de uma gravidez indesejada, mas protege o casal de uma DST (Doença Sexualmente Transmissível).


Para se ter uma ideia, dados oficiais apontam que no Brasil existem 630 mil pessoas com Aids. São diagnosticados 35 mil novos casos por ano – um número que mostra uma certa estabilidade, justamente pelo uso do preservativo.

Afinal, você sabe como é a melhor forma de colocar a camisinha? E se usar duas delas, aumenta a segurança? Sexo oral pode ser feito sem preservativo? Para esclarecer todas essas dúvidas, o eBand conversou com o urologista Paulo Egydio, que afirma que com cuidados básicos o homem pode manter uma relação segura e sem sustos.

Doutor Paulo, os preservativos são 100% seguros na prevenção de uma DST?

Os preservativos não são 100% seguros, mas trazem uma segurança muito grande desde que usados de forma correta. Uma coisa é o produto, outra é fazer mau uso dele. E assim é tudo na vida. A segurança também está ligada não só ao produto, mas no uso correto dele.

Como deve ser a utilização?

A camisinha deve ser colocada quando o pênis estiver ereto. Aperte a ponta para retirar o ar e desenrole até a base do pênis. Use lubrificante a base de água, para que não haja rompimento da camisinha.

Quem tem alergia ao látex não deve usar preservativo?

É preciso ver se a alergia vem do látex ou do lubrificante da camisinha. A ideia é tentar usar a camisinha sem lubrificante para ver se a alergia continua. Se persistir, poderá fazer a compra de camisinhas de silicone.

A alergia ao látex não é tão frequente, mas uma forma de minimizá-la é: lavar a vagina e o pênis com água e sabão após o ato sexual. Feito este procedimento, mesmo as pessoas que têm certa alergia ao látex, vão tolerar mais.

O uso de preservativo é dispensável em relações estáveis?

Não, ele pode ser usado como planejamento familiar. Em relações estáveis, o casal que não precisa se proteger de doenças sexualmente transmissíveis pode iniciar um ato de penetração, mesmo sem preservativo e, antes de qualquer manifestação de orgasmo, colocar o preservativo e ejacular dentro.

Usar duas camisinhas reduz a chance de engravidar ou contrair DST?

Não, é uma questão desnecessária. Não é somar duas ou três para não romper. O rompimento é baseado no mau uso. O cuidado no colocar, a lubrificação adicional na ponta, a retirada logo depois da ejaculação e a higienização também evitam doenças sexualmente transmissíveis.

Para sexo oral não é necessário o uso de preservativo?

Se não conhece a parceira, o ideal é que seja feito com preservativo tanto para proteção dela quanto para ele. Existem várias doenças transmissíveis pelo sexo oral. Excepcionalmente pode transmitir o HPV, que causa verrugas genitais dentro da boca.

Camisinha atrapalha e incomoda mais na primeira transa?

Depende. Para as pessoas se habituarem ao uso da camisinha, eu sou partidário de que: na masturbação, coloque a camisinha e se masturbe com ela. É bom fazer testes de uso para verificar sobre visão como funciona e se está usando de forma correta.

Quem usa camisinha com espermicida não precisa utilizar outros métodos contraceptivos?

A camisinha com espermicida tem a tendência de matar o espermatozoide, mas se não tiver contato adequado do espermicida com o sêmen não é seguro. É mais um auxílio. Teoricamente aumenta a chance de evitar uma gravidez indesejada.

Preservativos com sabor aumentam as chances de uma possível alergia?

Pode aumentar de acordo com a química que existir. Teoricamente pode ter alergia tanto pelo látex quanto por essas substâncias. Não quer dizer que vai ter, mas aumenta a chance.

O preservativo pode perder o prazo de validade se não for bem armazenado?

Sim. Não o coloque no porta-luvas do carro exposto ao sol e nem o deixe guardado por muito tempo na carteira. Isso pode perder a essência da borracha. Por isso, é bom cuidar de acordo com as especificações da fabricante.

A camisinha feminina pode ser colocada com maior antecedência em relação ao ato?

Sim. A parceira introduz bem no fundo da vagina. Ela fica com uma “lapela” que protege os grandes lábios e evita que o preservativo fique preso na vagina. A camisinha feminina pode ser colocada antes ou no momento da relação sexual.

Não é necessário o uso do preservativo durante a menstruação?

Não. Durante o período menstrual, a chance de engravidar é menor. Em compensação, existe um contato com o sangue e, se for uma parceira que você não conhece, tem maior chance de transmitir DST.

Chega a cinco o número de casos de gripe suína no RS

O número de casos confirmados da gripe suína no Rio Grande do Sul chegou a cinco, informou a Secretaria Estadual da Saúde. Um menino de São Gabriel, de seis anos, teve o diagnóstico confirmado nesta sexta-feira. Ele segue em atendimento e passa bem.


A doença também foi registrada em Bagé, Três Passos e Camaquã. Duas pessoas morreram por causa da gripe. Entre elas um idoso de 71 anos, natural de Bagé, na fronteira do RS, e uma mulher de 48 anos, natural de Anta Gorda.

Uma terceira morte esta sendo investigada. Seria um bebê de apenas dez meses, que tomou somente a primeira dose da imunização contra a gripe. Na próxima semana o Estado deve receber mais 100 mil doses da vacina contra a H1N1.

País muda diretriz para câncer de colo do útero

O Inca (Instituto Nacional de Câncer) vai lançar no início de julho as novas diretrizes para o rastreamento do câncer de colo do útero --o quarto que mais mata mulheres no Brasil.


A principal novidade do documento, que orienta a conduta de profissionais de saúde da rede pública e privada do país, é a ampliação da faixa etária da população a ser submetida ao exame preventivo.

A maior causa da doença é a infecção por determinados tipos do vírus HPV (papilomavírus humano), transmitido por via sexual.

O exame preventivo, o papanicolaou, identifica lesões que antecedem o câncer, permitindo o tratamento antes que a doença se desenvolva.

Pelas diretrizes anteriores, de 2006, só mulheres com idades entre 25 e 59 anos deveriam realizar o exame. Agora, essa faixa será estendida para até 64 anos.

O motivo, segundo a técnica Flávia de Miranda Corrêa, da divisão de apoio à rede de atenção oncológica do Inca, é o aumento da expectativa de vida da brasileira, hoje em 76 anos.

Como a doença leva de dez a 20 anos para se desenvolver, a realização de exames aos 64 anos dá mais segurança às mulheres.

FREQUÊNCIA

O Inca quer aproveitar a divulgação das novas diretrizes para reforçar a recomendação de que os médicos realizem o papanicolaou só de três em três anos após obter dois resultados positivos com um intervalo de um ano.

Hoje, muitos médicos fazem o teste uma vez por ano ou até com mais frequência, sobrecarregando de forma desnecessária o SUS.

Segundo Corrêa, como o desenvolvimento da doença é lento, isso não se justifica --pesquisas indicam que a realização anual do exame provoca uma queda de 93% na incidência geral da doença; já com a realização a cada três anos, a redução é de 91%.

"Hoje o SUS realiza cerca de 12 milhões de papanicolaous por ano. Se os médicos seguissem a periodicidade recomendada, isso seria suficiente para cobrir toda a população-alvo."

Segundo Corrêa, o problema é que algumas mulheres são submetidas ao exame mais vezes do que o necessário, enquanto outras nunca o realizam.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a população feminina entre 25 e 64 anos soma 49,7 milhões de pessoas.

Se todas fizessem o exame na rede pública, portanto, seriam necessários cerca de 16,5 milhões de papanicolaous por ano.

Pesquisa realizada pelo instituto em 2008, porém, mostrou que apenas 84,5% das brasileiras já fizeram o exame preventivo pelo menos uma vez na vida. Especialistas acreditam que muitas podem nunca tê-lo repetido.

As novas diretrizes também desencorajam a realização de exames preventivos em mulheres abaixo de 25 anos, já que, nessa idade, a infecção pelo HPV muitas vezes regride por conta própria.

Caso os médicos optem por realizar o exame, porém, a orientação é que adotem posturas mais conservadoras no caso de obterem um resultado positivo.

Mas, segundo especialistas, cabe ao médico decidir a conduta correta para tratar cada paciente.

Humor - Erro Médico

Depressão tem diminuído expectativa de vida do brasileiro

Problemas psiquiátricos têm diminuído a expectativa de vida do brasileiro mais do que doenças cardiovasculares


A depressão está longe de ser um mal menor - pelo contrário, é uma doença séria que exige acompanhamento médico. A importância do tratamento foi reforçada com a divulgação do estudo "Health in Brazil" (Saúde no Brasil), publicado no periódico científico Lancet, no último dia 9 de maio. Um dos dados mais alarmantes dessa extensa pesquisa é o de que as doenças psiquiátricas, incluindo a depressão, têm diminuído a expectativa de vida do brasileiro mais do que doenças cardiovasculares, que ocupam o segundo lugar no ranking. Aparentemente silenciosa, a depressão é responsável por 19% dos anos a menos - junto a outros distúrbios psíquicos, como psicose e abuso do álcool -, enquanto problemas cardiovasculares foram responsabilizados por 13% desse retrocesso.

De acordo como a pesquisa, 18 a 30% dos brasileiros já apresentaram sintomas de depressão. Além disso, 10,4% dos moradores adultos da região metropolitana de São Paulo sofrem com a doença. Não é fácil lidar com a depressão, ainda mais quando sabemos que, em geral, o comportamento do paciente costuma enterrá-lo ainda mais no quadro. "O 'slogan' dele é 'não vejo saída, não tem solução'", explica a psicóloga e escritora Olga Tessari. Confira a seguir quais são os hábitos mais nocivos ao tratamento da doença:

Isolamento social

É um dos principais comportamentos nocivos e pode variar de acordo com o nível da depressão. A psicóloga Aridinéa Vacchiano, do Rio de Janeiro, diz que, em casos de depressão leve, ainda há algum envolvimento e até mesmo vontade de superação. Em nível moderado, existe mais dificuldade em suportar a pressão, o que compromete o rendimento de sua produção e a clareza da percepção. Isso facilita o isolamento. Já na depressão severa, o depressivo pode sofrer até mesmo de amnésia e ilusões, chegando ao isolamento total.

Nesse último estado, o ciclo de pensamentos negativos se torna constante, podendo levar a pessoa até mesmo ao suicídio. Aqui, familiares e amigos são fundamentais para resolverem algo que está fora do alcance das mãos do depressivo: sua recuperação. O convívio social tem papel importantíssimo, já que tornará menos frequente essas ideias ruins.

A dica da psicóloga Olga Tessari é chamar a pessoa para fazer coisas que a agradem. Brigas frequentes em casa ou a obrigação de ter que fazer algo que não gosta diminui ainda mais a autoestima do portador da depressão, piorando o quadro da doença.

Ao mesmo tempo, a ajuda médica jamais deve ser esquecida. "A depressão provoca desequilíbrio na produção de algumas substâncias e precisa de medicação para restabelecer essa produção, alem de terapia, que tratará das causas da doença", esclarece Olga.

Compulsão por álcool e comidas gordurosas

Quando o depressivo não encontra solução de seus problemas em lugar algum, ele pode recorrer à garrafa de álcool mais próxima, com a promessa de fugir da realidade por alguns instantes. Segundo a neuropsicóloga Evelyn Vinocur, do Rio de Janeiro, o álcool é um grande depressor do sistema nervoso central (SNC), que leva o consumidor ao estado de euforia inicial com relaxamento. No entanto, depois que o efeito passa, a sensação de que nada tem solução retorna.

Outro comportamento perigoso é a compulsão alimentar, que também aparece como tentativa de escapar do sofrimento e suprir necessidades afetivas, seja com doces, refrigerantes, frituras ou outros alimentos gordurosos. "É uma carência, mas, como essa forma de substituir o afeto não é preenchida emocionalmente, a pessoa repete a compulsão, que passa a ser um círculo vicioso", conta a psicóloga Aridinéa Vacchiano.

Automedicação com antidepressivos e ansiolíticos

Embora a medicação seja tarja preta, ou seja, altamente restrita, são comuns os casos de auto-medicação entre depressivos. Os comprimidos - antidepressivos, fórmulas para emagrecer e calmantes -, podem vir de familiares, vizinhos, ou até mesmo de uma compra ilegal. "Alguns ingerem em torno de 20 a 40 comprimidos de uma só vez, em uma tentativa impensada de parar de sofrer", exemplifica a neuropiscóloga Evelyn Vinocur. Atitudes como essa, segundo a psicóloga Olga Tessari, podem piorar o quadro de prostração do depressivo.

Antidepressivos também podem ter efeitos devastadores em pessoas que apresentam quadro de depressão bipolar. Essa depressão representa uma fase característica do portador do transtorno bipolar, que varia entre a fase de euforia e a de depressão, conta o psiquiatra Max Fabiani, da Clínica Conviver, de São Paulo.

Evelyn completa, dizendo que a medicação pode causar a chamada "virada maníaca", onde, segundo Fabiani, o paciente tem uma drástica mudança de estado. "Nestes casos, o uso do antidepressivo só pode ser feito junto com um estabilizador de humor ou antipsicóticos de última geração", adiciona a neuropsicóloga.
Abandono do tratamento

Mesmo depois de procurar o tratamento médico, a batalha não está vencida. Isso porque, explica o psiquiatra Max Fabiani, a perda de ânimo é tamanha que até a medicação pode ser abandonada. Outro desestímulo é a mudança frequente de medicações que acontece no começo do tratamento. Quando isso acontece, os sintomas voltam ainda mais fortes. Em casos de depressão leve a moderada, o quadro de isolamento social piora e a pessoa tende a se tornar mais irritadiça.

"O abandono é muito complicado, pode agravar ainda mais o quadro e, nisso, angústia se torna tão forte que a pessoa realmente quer se matar", alerta Fabiani. Ele conta que, em sua experiência em clínicas psiquiátricas, pôde observar que o suicídio é, de fato, recorrente em pacientes que abandonam o tratamento.

A ajuda que pode ser dada por quem está próximo ao depressivo nada tem a ver com estímulos como "Força, não se deixe dominar!" ou "Saia dessa cama!". "É um distúrbio grave e sério, e o tratamento deve ser incentivado", justifica o psiquiatra. Segundo ele, o que pode ser feito é o acompanhamento nas consultas, de forma que a pessoa se sinta estimulada a continuar o tratamento.

Sedentarismo

A atividade física é uma importante arma contra qualquer tipo de desânimo, já que estimula a produção de substâncias ligadas à felicidade, a serotonina e dopamina. O grande problema, em casos de depressão, é tirar o doente de seu estado letárgico.

O depressivo, como explica a psicóloga Olga Tessari, está prostrado, sem vontade de fazer nada. "O corpo fica cansado, as 'pernas parecem chumbo', e a vontade de deitar e ficar em casa aumenta", adiciona a neuropsicóloga Evelyn Vinocur. Portanto, para que o depressivo pratique alguma atividade física, ele precisará de ajuda médica ou um incentivo emocional.

Você mesmo

O pior inimigo do depressivo pode ser ele mesmo. Pensamentos como "não adianta" ou "não tem solução" não irão parar sozinhos. Pelo contrário, aumentarão, conforme a pessoa se afunda na depressão. Por isso, mesmo que o doente não assuma essa maneira que se sente, é importante que familiares e amigos estejam atentos aos seus sintomas.

"Uma série de sinais fazem você perceber se a pessoa não está bem, antes da depressão propriamente dita. Se ela anda irritada, foge de muita alegria, evita o contato social, reclama muito e tem dificuldade pra acordar de manhã, são sinais de que tem algo errado", enumera a psicóloga Olga Tessari. Insatisfação, insônia, alteração do apetite, falta de energia, fadiga, diminuição do desejo sexual, lentidão ou agitação excessiva, perda ou ganho de peso são outros indicativos que apontam para a depressão, segundo a psicóloga Aridinéa Vacchiano.

Você desconfia que algum querido seu esteja com depressão? Ajude-o! Faça-o rir, leve-o pra passear, incentive o tratamento. E o mais importante: não o julgue. "Tão logo ele melhore, ele vai ser o primeiro a querer sair e curtir a vida", conclui a psicóloga Evelyn Vinocur.

Não há cura para viciados em crack, dizem especialistas

Droga causa dependência definitiva e tratamento demanda muito tempo


Especialistas em saúde dizem que a dependência do crack não tem cura e que a primeira medida a ser tomada é o afastamento total do viciado da droga. Segundo a psiquiatra Analice Gigliotti, integrante do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas, há a possibilidade de largar o crack, mas a libertação definitiva da droga não existe.

"Existe a possibilidade de a pessoa não usar mais crack, mas ela será uma dependente da droga para o resto da vida e não poderá ter contato com o crack, porque terá grande chance de recaída".

O psiquiatra Ivan Mario Braun, especialista no tratamento comportamental de dependências do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo) e autor do livro "Drogas - perguntas e respostas", diz que o crack sai do organismo em poucos dias, mas o grande problema é se livrar completamente dele.
"A maioria das pessoas continua tendo recaídas. É como se a droga deixasse uma memória no cérebro. Essa memória é desencadeada em várias situações - tédio, cansaço, tristeza - ou mesmo para comemorar algum evento".

Ainda de acordo com o médico, o resultado positivo do tratamento demanda muito tempo.

"À medida que o tempo passa e a pessoa continua abstinente (ou limpa, como dizem os usuários), a vontade de usar e os riscos de recaída vão diminuindo. Mas, mesmo após muitos anos, pode haver risco (menor) de recaída. Se a pessoa persistir no tratamento e participar dele ativamente ao longo do tempo, os resultados podem ser bons. Infelizmente, grande parte espera resultados rápidos e acaba abandonando o tratamento".

Consequências do crack

Segundo Ivan, o usuário de crack pode ter fortes transtornos psicológicos durante e após o uso da droga.

"O crack leva, durante o seu uso, a comportamentos agressivos, hostis, hiperexcitados. Quando interrompido, nos primeiros dias, pode levar a sintomas depressivos e muita fissura. Ele também prejudica o desempenho cognitivo (raciocínio e capacidade de aprendizado). Esse prejuízo pode persistir por muito tempo, mesmo que a droga seja interrompida".
Além disso, de acordo com o médico, o uso excessivo da droga pode causar estragos nos dentes, traqueia, pulmões (lesão dos vasos pulmonares, processos inflamatórios, lesão dos alvéolos pulmonares e aumento da incidência de tuberculose).

Tratamento

De acordo com Analice, o uso de crack está diretamente ligado à violência, ao uso de outras drogas, ao sexo sem proteção e aos ambientes onde os usuários se envolvem. O tratamento, segundo ela, é bastante complexo.

"É necessário fazer uma avaliação psiquiátrica, avaliar se a pessoa tem transtorno de depressão, de bipolaridade, de ansiedade, e se está fazendo uso de outras drogas ao mesmo tempo. Depois, você vai para a parte médica. Existem medicamentos que podem ser usados no tratamento para diminuir a fissura do crack. É só fazer um acompanhamento médico".

Contraprova confirma que bactéria alemã se originou em brotos

Autoridades tranquilizam população, mas pedem que mantenham cuidado com higiene

AFP
Mais de 2,8 mil pessoas, foram infectadas, sendo que 32 morreram.

As contraprovas realizadas com brotos procedentes de uma fazenda do noroeste da Alemanha confirmaram que são a origem da agressiva variante O104 da bactéria "E.coli" que causou mais de 30 mortes no país e uma na Suécia. Um porta-voz do Ministério de Agricultura e Defesa do Consumidor alemão anunciou neste sábado que o Instituto Federal de Avaliação de Riscos determinou que essa perigosa cepa da bactéria se encontrava em focos procedentes de uma empresa da Baixa Saxônia.

Trata-se de uma fazenda de produtos orgânicos da localidade de Bienenbüttel, no distrito de Uelzen, na qual vários funcionários contraíram a doença há várias semanas. Inúmeros clientes de restaurantes e supermercados que foram abastecidos com esses alimentos contaminados também adoeçeram.

O porta-voz do governo assinalou que as contraprovas do Instituto Federal de Avaliação de Riscos confirmam os primeiros testes realizados pelas autoridades sanitárias do estado federado da Renânia do Norte-Westfália, que nesta sexta-feira (10) localizaram o foco infeccioso.

- Os resultados dos laboratórios são essenciais para determinar se os brotos são a fonte fundamental das infecções de 'E. coli' nas últimas semanas.

Os brotos que deram positivo foram encontrados na região de Bonn, ao oeste do país, no lixo de uma família na qual dois membros adoeceram após ingerir a verdura. Desde que, no início de maio, foram registrados os primeiros casos, a infecção afetou na Alemanha mais de 2,8 mil pessoas, sendo que 32 morreram e mais de 700 sofreram a perigosa síndrome hemolítico-urêmica (SHU) que pode causar deficiências renais e cerebrais irreparáveis.

As autoridades sanitárias alemãs advertiram neste sábado também que a ameaça da variante letal da bactéria "E. coli" persiste apesar de ter localizado o foco da infecção na fazenda da Baixa Saxônia. Embora as suspeitas do Instituto Robert Koch sobre a origem do agente patogênico tenham sido confirmadas, "o risco de infecção por contato físico continua", afirmou um porta-voz do Ministério de Assuntos Sociais do estado federado de Hesse.

As suspeitas sobre tomates, pepinos e alfaces desapareceram nesta sexta-feira após especialistas do Instituto Robert Koch informarem que o foco da infecção são os brotos de uma fazenda orgânica da Baixa Saxônia.

A ministra de Agricultura, Ilse Aigner, tranquilizou a população após o anúncio dos especialistas. Desde o dia 25 de maio, quando o Instituto Robert Koch recomendou não comer essas verduras cruas, tais hortaliças tinham ficado praticamente banidas de muitos supermercados do norte do país

- Os cidadãos podem voltar a comer sem medo pepinos, tomates e alfaces a partir de agora, mas sempre seguindo as devidas medidas de higiene.