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quarta-feira, 3 de abril de 2013

Ministério da Saúde lança cartilha para diagnóstico precoce do autismo

Nova política de saúde para portadores será distribuída em todo Sistema Único de Saúde
 
O Ministério da Saúde lançou nesta terça-feira (2), data em que é celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, a Diretriz de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo (TEA). A diretriz trará pela primeira vez uma tabela com indicadores do desenvolvimento infantil e sinais de alerta para que médicos do Sistema Único de Saúde (SUS) possam fazer uma identificação precoce do autismo em crianças de até três anos. Os portadores de autismo chegam a representar 1% da população brasileira, de acordo com estimativas do Ministério.

A nova política será distribuída em todo o Sistema Único de Saúde, para que os profissionais possam ajudar a realizar o diagnóstico do autismo. A ideia é que no futuro esse material seja simplificado, para que as próprias famílias possam ajudar nesta identificação.

O autismo inclui um amplo espectro de sintomas. Portanto, uma avaliação única e rápida não pode indicar as reais habilidades da criança. O ideal é que uma equipe de diferentes especialistas a avalie. Eles podem avaliar características como:

- Comunicação
- Linguagem
- Habilidades motoras
- Fala
- Êxito escolar
- Habilidades de pensamento

Muitas vezes, as famílias relutam em fazer o diagnóstico porque se preocupam em rotular a criança. No entanto, sem o diagnóstico, a criança pode não receber os tratamentos e os serviços necessários e ser incluída no meio social.

Tratamento
Com a nova medida do Ministério da Saúde, as famílias de autistas poderão recorrer a rede do Sistema Único de Saúde (SUS) para buscar atendimento dos portadores do transtorno. Até então, não havia uma política de atendimento no governo para essas pessoas e as famílias eram obrigadas a recorrer a ONGs ou serviços de saúde mental em busca de ajuda.

Após o diagnóstico do paciente e a comunicação à família, inicia-se a fase do tratamento e da habilitação/reabilitação nos pontos de atenção da Rede de Cuidados à Saúde da Pessoa com Deficiência. O autismo implica em alterações de linguagem e de sociabilidade que afetam diretamente - com maior ou menor intensidade - grande parte dos casos. O paciente também pode sofrer limitação de suas capacidades funcionais e nas interações sociais, o que demanda cuidados específicos e singulares de acompanhamento médico, habilitação e reabilitação ao longo das diferentes fases da vida.

O tratamento começa logo após o diagnóstico na Rede de Cuidados à Saúde da Pessoa com Deficiência. Os casos com menor intensidade, inclusive, serão encaminhados para Centros Especializados de Reabilitação (CER) do SUS, enquanto os mais graves terão tratamento em centros específicos que serão habilitados pelo Ministério da Saúde. Hoje existem no País 22 CER em construção, 23 em habilitação e 11 convênios de qualificação para que entidades que já funcionam, passem a funcionar como CER.

Família pode estimular o convívio social do autista
O autismo não significa a ausência total de socialização da criança. Apesar de ser uma síndrome comportamental, com incentivos na medida certa e acompanhamento de especialistas, alguns dos padrões de comportamento podem ser revertidos. É importante lembrar, no entanto, que as habilidades de comunicação são prejudicadas em portadores dessa disfunção.
 
Conheça atitudes que os pais podem tomar para ajudar no desenvolvimento das crianças:
 
Criança sendo alfabetizada - foto: Getty ImagesEscolarização
Letícia Calmon explica que a inclusão é importante, mas o ideal é, inicialmente, fazer o treinamento dos professores e consultar profissionais capacitados para colaborar neste processo, como o psicólogo, o fonoaudiólogo, o terapeuta ocupacional e, em alguns casos, buscar também um acompanhamento pedagógico. "Cada criança deve ter um programa individualizado". A escolarização pode trazer benefícios, como a possibilidade de vivenciar situações sociais e ganhar independência.
                   
Criança brincando - foto: Getty ImagesBrinquedos e brincadeiras
Estimular a criança com autismo a compartilhar seus brinquedos e a brincar com outras crianças pode ajudar muito na interação social. "Os brinquedos para as crianças com autismo devem ser simples e estimular a criatividade", afirma o psicólogo Yuri Busin, mestrando em estudos do desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo. O mais importante é que os pais e os profissionais observem o nível de desenvolvimento da criança e escolham o brinquedo mais adequado ao nível cognitivo dela. Um psicólogo pode ajudar nessa escolha, já que a indicação presente nas embalagens dos brinquedos não se aplica à crianças com autismo.
 
Mão segurando recorte de papel em forma de família - foto: Getty ImagesConvívio com a família
A psicanalista Sônia Pires, da clínica Bem-me-Care, de São Paulo, explica que o primeiro desafio dos pais é aceitar as limitações do filho. "A ideia de um filho sem autismo deve ser abandonada e dar lugar à compreensão das dificuldades da criança", afirma. Estimular a convivência com outras crianças e adultos tanto no ambiente familiar quanto em outros lugares é uma maneira natural de treinar as habilidades sociais e integrar a criança: só não adianta deixá-la isolada, distante do movimento e das conversas.
 
Menina fazendo movimentos específicos com as mãos - foto: Getty ImagesLidando com o comportamento característico
Mexer as mãos sem parar, rodar objetos ou balançar o tronco para frente e para trás são alguns movimentos típicos do autismo.
 
Interrompê-los totalmente é difícil, mas o acompanhamento de um psicólogo pode contribuir para que os gestos diminuam e deixem de atrapalhar a criança.
 
Menina colocando a mesa com a mãe - foto: Getty ImagesAtribuindo tarefas
A realização de tarefas depende do nível de cognição e das potencialidades de cada criança. O psicólogo Yuri sugere que sejam propostas à criança tarefas como escovar os próprios dentes, pentear os cabelos ou colocar a mesa, por exemplo, elogiando o desempenho em cada atividade.

É interessante também que os pais estimulem as crianças, fazendo elogios ou criando sistemas de recompensas frente a um comportamento adequado, conhecido como reforço positivo. "Um modelo é a entrega de cartões: juntando dez, por exemplo, a criança ganha um presente ou agrado", explica o especialista.
 
Menino correndo - foto: Getty ImagesAtividade física
A psiquiatra Letícia explica que a presença de limitações físicas em pessoas com autismo não é comum. "Isso só acontece quando existem outros problemas associados, como as convulsões".
 
Caso não haja esse tipo de restrição, qualquer tipo de atividade física está liberada e vale a pena consultar um fisioterapeuta para definir qual o melhor esporte para o seu filho.
 
Troca de figuras - foto: Getty ImagesComunicação
Letícia Calmon explica que o mais importante é a criança se sentir apta para se comunicar, mesmo que não seja pela linguagem falada, mas por gestos, sinais e até mesmo pela troca de figuras (sistema chamado PECS) e isso deve ser usado tanto em casa quanto na escola. Para estimular a fala, o ideal é procurar o acompanhamento de um fonoaudiólogo.
 
Fonte Minha Vida

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